Trabalho Final da disciplina LECTS-2019-2
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ATÉ 15/12/2019
A tecnociência e suas impurezas:
um relato de uma experiência pessoal
A SER REVELADA ATÉ A ÚLTIMA AULA
HCTE-UFRJ
Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Turmas 15028 (Mestrado) e 15030 (Doutorado)
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TÍTULO: SUBTÍTULO (SUBTÍTULO SE HOUVER)
AUTOR DO ANTEPROJETO
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RIO DE JANEIRO – DIA - MÊS - ANO
Basicamente o trabalho final deve ter de uma a três páginas, sendo uma página para estas informações pré-textuais acima e uma a duas páginas com o relato da experiência pessoal sobre "A tecnociência e suas impurezas"
EXEMPLO DE POSTAGEM DO TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA LECTS-2019-2
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Um relato de uma experiência pessoal
HCTE-UFRJ
Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Mestrado: Turma 15028 - Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
RIO DE JANEIRO – 13-12-2019
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
A tecnociência e suas impurezas:
Um relato de uma experiência pessoal
EDUARDO NAZARETH PAIVA
edu@hcte.ufrj.br
Seguindo as instruções e as inscrições ao nosso XII Scientiarum Historia encontramos que formato do papel (papel?) deve ser A4 ( padrão internacional para tamanho de papéis ISO 216 é baseado no padrão alemão DIN 476. Partindo do sistema métrico, o formato-base é uma folha de papel medindo 1 m² de área (A0). O grande trunfo é a proporção entre os lados do papel, a mesma em todos os tamanhos do padrão, aproximadamente igual a 1 dividido pela raiz quadrada de 2 (raiz quadrada de 2, igual a 1,4142…), que tem a propriedade de se manter quando a folha é cortada pela metade ou dobrada. Sucessivos cortes definem a série A de tamanhos A1, A2, A3, A4…, cujas medidas são arredondadas na ordem dos milímetros) , a fonte principal deve ser Times Roman Nas mesmas normas, em seu item 2 está prescrito que a fonte do texto deve ser “Times New Roman”, uma fonte criada pelo jornal inglês “The Times of London”, em 1931. Também não consigo de deixar de conectar, em parceria, com a logomarca da UFRJ, a Minerva, deusa romana das artes, do comércio e da sabedoria e que também rege as estratégias de guerra. Também está nas instruções “Palavras de origem estrangeira, neologismos ou palavras com sentido diferente dos previstos nos dicionários devem ser redigidas em itálico”. O nome itálico tem sua origem no trabalho do italiano Aldo Manucio, um humanista e impressor que em 1494 fundou uma editora em Veneza, chamada de Imprensa Aldina, famosa na época pela edição de livros clássicos gregos e romanos.
(https://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2019/01/de-onde-veio-o-italico-e-qual-seu-uso-correto-na-escrita.html)
Enfim, já que estamos falando de Nova Roma (New Roman), diria Darcy Ribeiro:
Na verdade das coisas, o que somos é a nova Roma. Uma Roma tardia e tropical. O Brasil é já a maior das nações neolatinas, pela magnitude populacional, e começa a sê‐lo também por sua criatividade artística e cultural. Precisa agora sê‐lo no domínio da tecnologia da futura civilização, para se fazer uma potência econômica, de progresso auto‐sustentado. Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra.
A gente escreve o que ouve, nunca o que houve
(Oswald de Andrade – Serafim Ponte Grande)
A tecnociência e suas impurezas: Um relato de uma experiência pessoal
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Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
O dia em que tive 8 anos de minha vida apagados por um dispositivo eletrônico
MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA CARDOSO
Em um belo dia, em 2016, tive 8 anos da minha vida apagados por um dispositivo eletrônico.
CENA 1: Em frente ao computador tentando recuperar uma senha: Letra maiúscula ou minúscula? Gente alguém precisa liberar minha conta!!!!
CENA 2: Ao telefone com um atendente da área de suporte: Email de recuperação? Eu uso gmail. Qual? Embratel? Mas eu não trabalho lá há 2 anos!
Por algum motivo não identificado, o smartphone que eu utilizava em 2016 não reconheceu minha senha e, após insistir várias vezes, tive minha conta bloqueada e todos os meus dispositivos eletrônicos associados a esta conta bloqueados.
Tentei entrar no site e recuperar a senha, mas não conseguia responder as "perguntas de segurança". Letras maiúsculas e minúsculas eram substituídas na tela a cada 4 horas, tempo necessário para que o site de recuperação permitisse uma nova série de três tentativas. Tudo em vão.
Apelei, liguei para o suporte, expliquei a situação e após novas tentativas, agora em conjunto com o atendente, não consegui recuperar a senha. Sem celular, sem tablet sem, já estava quase chorando. O atendente me passou para outro nível de atendimento que informou que iria enviar uma mensagem para o email de recuperação cadastrado. Pronto, pensei, está tudo resolvido. Recebo o email e troco a senha. O email não chegou.
Novamente liguei para o suporte e o atendente após confirmar uma série de dados me informa o domínio do email de recuperação cadastrado: Embratel. Não trabalhava na Embratel há dois anos. Antes de eu perguntar o atendente informou: só poderia trocar o email de recuperação com a senha.
Passei então para um novo estágio de atendimento. Tinha que comprovar que os dispositivos eram meus para que eles fossem desbloqueados. Uma tarde perdida procurando notas fiscais e enviando-as para a empresa. Três dias depois recebo um telefonema, no número de telefone fixo, informando que meus dispositivos estavam desbloqueados.
E a minha conta? Perdida, até o dia que eu consiga responder as "perguntas de segurança". Não adiantou explicar que 8 anos da minha vida estavam nesta conta: fotos, documentos, mensagens trocadas, tudo lá, parado em uma nuvem, como se esperasse um milagre para descer até a terra.
Não teve jeito. Apenas os dispositivos foram desbloqueados e ficaram aptos a receberem uma nova conta. Oito anos de minha vida não estão mais ao meu alcance, estão em poder da tecnologia.
Em 2016, após várias semanas de briga na justiça com a Apple, o FBI conseguiu desenvolver uma "chave mestra" para acessar as informações do Iphone de um assassino Uma empresa israelense foi apontada como a desenvolvedora de um software que "desencriptaria" as informações. (PRADO, 2016).
"Não há necessidade de ficção científica para conceber um mecanismo de controle que forneça a cada instante a posição de um elemento em meio aberto, animal numa reserva, homem numa empresa (coleira eletrônica). Félix Guattari imaginava uma cidade onde cada um pudesse deixar seu apartamento, sua rua, seu bairro, graças ao seu cartão eletrônico, que removeria qualquer barreira; mas, do mesmo modo, o cartão poderia ser rejeitado tal dia, ou entre tais horas; o que conta não é a barreira, mas o computador que localiza a posição de cada um, lícita ou ilícita, e opera uma modulação universal" Gilles Deleuze (1990)
DELEUZE, G. Pourparlers. Paris: Les Éditions de Minuit, 1990.
PRADO, Jean. O FBI conseguiu acessar os dados de um iphone sem ajuda da Apple. Estamos perdidos? Disponível em : https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160330_fbi_apple_lab. Acesso em 23/01/2019.
"A tecnociência e suas impurezas": um relato de uma experiência pessoal
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2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
RIO DE JANEIRO – 14-12-2019
Câmeras de segurança ou invasão sem aviso prévio?
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
FLAVIA ERNESTO DE OLIVEIRA DA SILVA ALVES
flaviaernesto@gmail.com
Com a expectativa de vida aumentada temos que aprender a lidar com o envelhecimento de nossos familiares diante de todos os nossos afazeres pessoais e profissionais. Minha mãe e minha tia são idosas e moram há 60 km de distância , desta forma, faz-se necessário o acompanhamento das duas pois, minha tia é paciente psiquiátrica e minha mãe tem a saúde frágil devido a problemas médicos. Sendo assim, eu e minha irmã pensamos em trazê-las para mais próximo de uma de nós duas, o que foi imediatamente negado por elas. Diante desta negação, uma alternativa a ser pensada foi o monitoramento através de câmeras que pode ser acompanhado pelo próprio celular nos dando uma sensação de segurança, pois acreditamos que acompanhando em tempo real determinada situação poderemos ter gerenciamento sobre ela.
Mas para nossa surpresa, nos deparamos com a matéria a seguir sobre este assunto que nos fez refletir sobre questões de segurança: “Na última quarta-feira, dia onze de dezembro, foi divulgado em várias mídias a matéria sobre a gravação feita por meio de uma câmera de vigilância que estava instalada no quarto de uma criança, no condado de Desoto, (EUA). Um dos dispositivos de segurança utilizados pela família , comprado para acompanhar a rotina das três filhas, foi hackeado enquanto os pais das crianças estavam fora de casa. A invasão ocorreu no 4º dia de uso da câmera, e permitiu que um homem desconhecido pudesse ver e conversar com uma das crianças que brincava no quarto, conforme relato: - Eu estava no quarto quando percebi que alguém disse algo. Pensei que fosse minha irmã, porque ouvi uma música tocar”, disse Alyssa LeMay, para o jornal americano WMC. Quando os pais reproduziram a gravação de vídeo da câmera Ring, viram a cena alarmante em que Alyssa ouvia a voz de um homem dizendo ser o Papai Noel e que gostaria de ser seu melhor amigo.”
A família se pronunciou dizendo que não havia configurado a autenticação de dois fatores da câmera, função que teria adicionado uma barreira de proteção extra contra possíveis hackers. Este fato me fez refletir sobre a “falsa” sensação de controle e gerenciamento sobre informações que a tecnociência nos dá, apresentando quão tênue é a linha que separa os humanos dos não humanos.
Referências: https://veja.abril.com.br/tecnologia/video-hacker-conversa-com-crianca-apos-invadir-camera-da-amazon/
A Tecnociência e Suas Impurezas: Um relato de uma experiência pessoal
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Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
O Alarme do carro.
GENECI ALVES DE SOUSA
prof.geneci@yahoo.com.br
CENA 1: No auditório de um evento pedagógico, recebo um SMS do sistema de rastreamento do meu carro informando que meu carro havia sido deslocado com a ignição desligada.
Pela necessidade do trabalho fui “escolhido” (não havia outro professor de matemática na escola no dia e horário determinado pelo convite), para participar de uma reunião pedagógica no centro da cidade (detalhe: minha escola fica em Guadalupe), um pouco mais do que 30 Km.
Um pouco antes do horário marcado cheguei ao local e estacionei o meu veículo em uma rua próxima (com o flanelinha), mais ou menos duas ruas de distância do local onde deveria ir.
Já devidamente acomodado no auditório da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, aguardando o início do evento, recebo um SMS do sistema de rastreamento do meu carro informando que o mesmo havia sido deslocado com a ignição desligada.
Bom, inicialmente fiquei assustado, mas, entrei no site do rastreamento para verificar a situação (e a localização) do veículo. Pensei que fazendo isso seria mais tranquilo. Pelo site o veículo estava a três quarteirões, do lado oposto ao que havia deixado. Liguei para a empresa que confirmou a localização.
Abandonei o evento e fui para rua procurar uma viatura da polícia. Encontrei uma rapidamente, que se prontificou a me acompanhar ao local. Qual a surpresa ao chegar?? Não havia nenhum veículo no local. Rua deserta. Pirei! Olhava no localizador e ele indicava que o carro estava naquele local e no físico, nada.
Liguei para a operadora do rastreamento que confirmava a posição do veículo onde eu estava e, eu informava que não estava...então ficou esse está, não está...está, não está. Além disso, o operador informou que poderia ter sido os ladrões que danificaram o rastreador, etc, etc. Até que ele (operador) decidiu efetuar três ações: a primeira foi o bloqueio imediato do veículo (coisa que eu deveria ter solicito primeiro); a segunda, foi acionar remotamente o alarme do veículo e a terceira foi acionar a equipe de apoio (grupo armado que, nesses casos, vão ao local para dar apoio ao cliente). Bem, informado das ações os policiais me levaram onde me pegaram.
Eu, extremamente triste, pensando no prejuízo, pois, estava com o meu carro apenas três meses.
Bom, ao retornar à Secretaria de Educação, aguardei a equipe chegar. Chegando saíram comigo para irmos à delegacia. Nesse momento, decidimos passar no local, onde inicialmente havia estacionado o veículo. Realmente não se encontrava no local, entretanto, estava aproximadamente 100m a frente do local.
O veículo não havia sido roubado; o flanelinha havia forçado o veículo deslocando-o para frente; o rastreador ficou doido e deu a localização em um local totalmente oposto e distante da posição real, confirmada pela central de atendimento.
No fim. Tudo acabou bem.
A Tecnociência e Suas Impurezas: Um relato de uma experiência pessoal
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2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
“Metaimpureza”
HANNAH BEATRIZ RODRIGUES TORNATORE DA SILVA
hannah.tornatore@gmail.com
Em um longo processo de análise sobre o assunto que eu escolheria para falar neste trabalho, por muitas vezes, eu me vi sem ideia de experiências pessoais onde a ciência e a tecnologia haviam se mostrado impuras. Por conta disso foi que então eu quase decidi por escrever sobre acontecimentos mundiais de tamanha impureza científica que intimamente me impressionaram.
Só que ainda sim, estes acontecimentos não poderiam ser considerados como experiências minhas quando que minha única vivência relacionada a estas histórias teria sido a de assistir aos vídeos e aos relatos sobre tais acontecimentos. Sendo assim, eu então voltei a ponderar sobre todas as questões acerca do material que eu queria usar chegando enfim a uma conclusão –um tanto quanto- inusitada.
“A tecnologia é sua própria inimiga”! Eu me dei conta, ao analisar que este tempo todo eu estive me usando da tecnologia para poder arrecadar conhecimentos negativos sobre ela própria. Quase como estar vendo os resultados dos avanços científicos traírem a si mesmos, expondo-se da pior maneira possível para as pessoas ao seu redor.
Vídeos, textos, artigos, não existe mais um domínio interino do conhecimento e a capacidade de filtrá-lo para lhe fazer parecer inocente, tendo sido isso, certamente intensificado com o advento da internet. Aquela mesma internet que fora criada para servir as pessoas durante as guerras, e que hoje, faz um desserviço contra seus criadores expondo os seus erros e as suas desconhecidas atrocidades sem qualquer pudor. Se é possível dizer que a tecnologia e a ciência se traíram, então eu pediria a permissão para começar a intitular isto tudo como uma manifestação de: “Metaimpureza”. A tecnologia de um modo impuro, expondo sua própria impureza.
E por ser uma pessoa altamente ligada com o mundo tecnológico, eu não poderia dar melhor voz às minhas experiências pessoais com a imprudência científica do que grafando tal óbvia –porém muito sutil- impureza. Quase irônica, se a própria internet não fosse já conhecida por seu alinhamento caótico e neutro. Por sua imprevisibilidade, e sua falta de padrões morais que a torna tão atraente para todos os seus usuários. Quase como um vício que macula a sociedade gradualmente, através dos ares de uma nova distorção de nossa realidade sem que possamos encontrar na história quaisquer precedentes do que poderá um dia vir a ser as consequências deste nosso contato, nosso relacionamento tórpido com a manifestação mais pura de impureza em uma tecnologia.
Mas se o resultado deste presente contato significa de fato um futuro desvirtuado, não há porém ainda como prejulgarmos-lhe com mais do que meras especulações. Ou nos adiantarmos ao ponto de já alegar que a internet em si continuará a ser o grande ator das mais inimagináveis impurezas que ainda estarão por vir em nossa história. Talvez mais afrente tudo se revele como um novo passo impensado para um destino mais interessante, um destino melhor. Talvez os livros de história criados daqui a 100 anos jamais citem a internet como de fato uma manifestação de impureza assim como Shapin tão bem conseguiu fazer com seus relatos sobre a ciência do século XVII. Só que seja qual venha a ser o seu real propósito em nosso futuro, não posso ainda sim, em meu direito de vivência presente, deixar de indagar que a internet não é igualmente nenhum avatar de virtude em seu estado atual. Muito menos se então formos considerar que nem a si própria ela respeita, ou à suas origens como um marco técnico-científico atual. E foi por esta conclusão que enfim, eu me convenci de que não iria haver outra "experiência pessoal" melhor do que esta para poder protagonizar de fato este texto.
"A tecnociência e suas impurezas":
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HCTE-UFRJ
Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Mestrado: Turma 15028
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
RIO DE JANEIRO – 03-12-2019
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
Meu cartão de crédito foi clonado! Socorro! Eu não vivo sem ele!
ANDRÉA GARCIA DA ROCHA
andreaterapiaartistica@gmail.com
Há semanas atrás passei por uma experiência bastante desagradável de ter o meu cartão de crédito clonado, que me colocou diante de um grande impasse diante da questão: sou ou não inteiramente dependente dos produtos das tecnociências, que tem trazem consigo falhas, impurezas e que constituem inteira dependência aos indivíduos dentro das sociedades? A constatação de que faz tempo em que homem e máquinas são quase indissociáveis e que somos enredados as tecnologias e que não saímos mais dessa condição, me colocou em lugar de indivíduo comum, embora imbuído de reflexões sobre essa natureza. Ou seja, somos consumidores e consumidos ao mesmo tempo pelas tecnociências, em que o conhecimento científico não é só socialmente codificado, mas sustentado por redes materiais não-humanas! CONTEÚDO aberto. In: Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: < https://pt.wikipedia.org/wiki/Tecnoci%C3%AAncia >Acesso em: 03-12-19.
Essas redes estão operando nossas vidas faz tempo! No início de setembro recebi a minha fatura de cartão de crédito e descobri uma compra de R$2.200,00 que não realizei. Entrando em contato com o banco em várias tentativas de esclarecer que não havia feito a compra, tanto em conversas por contato telefônico, quanto com a gerência de minha agência, fui comunicada que a compra havia sido autorizada por senha digitada em uma “maquininha” e que teria que pagar pela compra!!! Quanto absurdo!!! Como assim?! Uma máquina é capaz de passar por cima da verdade dos fatos! Isso me apavorou imensamente! A máquina sem ética forja uma realidade falsa que beneficia o mentiroso! E eu a mercê disso!!! Enfim, sem provas concretas para sustentar a verdade de não ter realizado a compra, tive que pagar o boleto para não ter o meu nome sujo no SPC. E para provar a minha verdade e contestar a da “maquininha” tenho que contratar um advogado e entrar com um processo judicial.
Extremamente indignada resolvi cancelar definitivamente o cartão de crédito, tendo em mente que jamais teria outro novamente, e que a partir dali só faria comprar e pagamentos a vista no dinheiro. E como sustentar essa decisão? Recentemente percebi que não vivo mais sem cartão de crédito, o sistema econômico que atravessa nosso cotidiano e que nos impõe um determinado modelo de vida nos exige que tenhamos uma certa mobilidade financeira para viver em nossa sociedade.
"A tecnociência e suas impurezas": um relato de uma experiência pessoal
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Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Mestrado: Turma 15028 - Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
RIO DE JANEIRO – 03-12-2019
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
CLÁUDIA SANTOS TURCO
claudia.turco@hcte.ufrj.br
Uma das coisas que mais me irrita com a tal da tecnologia é que, recentemente, todas as empresas querem transferir parte da responsabilidade do fornecimento de seus serviços para os clientes. Estou falando em especial de empresas aéreas e de bancos.
No caso das empresas aéreas, antes elas anunciavam o entretenimento a bordo como um diferencial e ofereciam o conteúdo e as telinhas de transmissão. Ultimamente, as empresas continuam oferecendo o conteúdo, mas a infraestrutura tem que ser nossa e preparada com antecedência! Vai aí o exemplo da Latam:
“App LATAM Play
Com o nosso aplicativo de entretenimento a bordo, habilitado para voos nacionais e dentro da América Latina, você pode aproveitar todo o conteúdo sem qualquer custo adicional.
Disponível em:
Versões para telefones celulares, tablets e notebooks
Aviões sem telas individuais
O que você pode encontrar:
+90 filmes
+270 episódios de séries
+2.800 canções
Acesso ao mapa do voo
Notícias diárias
Programação para crianças
Antes de seu vôo, lembre-se de :
+baixar o aplicativo;
+carregar seu dispositivo;
+levar seus fones de ouvido.”
Então, é o seu notebook, celular ou tablet, é o seu fone de ouvido e é a sua energia elétrica. E tudo tem que ser feito com antecedência, ou seja, é sua responsabilidade se preparar para ter entretenimento a bordo. Um saco! Mas ao menos isso é opcional.
Já com os bancos, a coisa pega.
Meu banco - o Bradesco - vivia insistindo para que eu usasse o aplicativo no celular e cadastrasse a tal da biometria. Resisti o quanto pude porque não queria depender de meu celular para fazer absolutamente nada no banco. Pensava que o celular é meu e o banco não pode depender de um equipamento meu para me oferecer serviços. Mas cansei de resistir e acabei instalando o programa.
Uma das funcionalidades do programa é a geração de senhas para entrar na conta e para confirmar toda e qualquer transação. Antes as senhas eram fornecidas em um cartão, depois em um token e, depois que aceitei o aplicativo, no meu aparelho de celular. Passei a depender do meu celular para fazer qualquer transação no banco, inclusive no telefone e nos caixas eletrônicos.
Tudo corria bem até que meu celular quebrou. Comprei outro de emergência e instalei o programinha do banco……. E o programinha não funcionava…. por quê? Era de noite e eu tinha que pagar contas. E eu não conseguia gerar as senhas. Não conseguia nem acessar meu saldo. Liguei para o banco e, após interagir com várias máquinas, consegui chegar a um humano. Daí consegui entender que, para ter o programinha funcionando no meu celular, eu tinha que registrar o aparelho no banco - uma espécie de validação junto à minha gerência.
Quais seriam as minhas alternativas, perguntei ao humano. Pensei que eu poderia pagar as contas pelo telefone, com minha senha pessoal ou perguntas secretas. Ele disse que não, pois precisaria de senhas para todas as transações por telefone também. Mas disse que havia uma saída: eu poderia pagar as contas no caixa eletrônico usando meu próprio corpo - a tal da biometria!
Eu não tinha a biometria - que no Bradesco é da palma da mão - cadastrada no banco. Usar um equipamento meu ainda era aceitável, mas eu tinha resistido, até aquele momento, ao uso de partes do meu corpo para a prestação de serviços bancários. Daí o humano me disse que não havia solução: sem o uso de meu celular ou do meu próprio corpo, o Bradesco não me permitia nada!
Não paguei as contas em dia, atrasei e paguei as multas e juros. No dia seguinte, cedi. Fui a à agência e conversei com a Bia - minha gerente humana que, por coincidência, tem o mesmo nome que a inteligência artificial do Bradesco. Registrei o novo aparelho e registrei minha biometria.
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Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
“Eu e a Tecnociência “
LUCIANO ROBERTO PADILHA DE ANDRADE
lucpad2013@gmail.com
Pensando em desenvolver o trabalho final do curso resolvi fazer uma memória da minha experiência com a Tecnociência, para tanto faço uma breve reflexão de como a tecnologia evolui tão rápido que na maioria das vezes nem percebi as facilidades que ela trouxe para minha vida, bem como seus impactos na vida coletiva. Voltei ao ano de 2004 quando tinha um telefone celular que tirava fotos, mas não conseguia enviá-las, muito menos publicar no meu Instagram. O tempo foi cruel em 2004 na espera de terminar o download de uma música, deixava o celular em casa para ir a locadora alugar um filme, na certeza que iria devolver em um próximo download de outra música, em 2019 baixo o filme ou até mesmo pelo you tube assisto filmes e compartilho links.
Meu aparelho Motorola tinha a câmera com resolução de 2 megapixels, todo armazenamento de dados no aparelho “sem internet”, de forma tranquila através do cabo do celular passava os dados para meu PC e enviava por e-mail minhas fotos, em 2007 um novo aparelho com Bluetooth, uma transmissão demandava algum tempo, em tempos modernos um smartphone “com internet” executa a tarefa em segundos.
Em 2009 Nasceu Emanuel meu primeiro filho, como para cessar a internet tinha a necessidade de ficar no espaço da casa aonde o PC estava conectado à internet “sentado na frente do PC” adquiri uma baba eletrônica, enquanto estava na internet acompanhava por audição o sono de Emanuel o que em 2019 com meu tablete ou smartphone, de forma mais confortável poderia me conectar ao lado do berço de Emanuel.
Finalizando o texto percebo que fui conduzido através da evolução da tecnociência a uma relação com a internet para obter e divulgar informação, através da comunicação, a internet tornou-se um espaço aonde o coletivo humano do pensamento se apresenta como um novo tipo de sociedade e civilização. Em 2006 meu PC conectado a internet se apresentou como um instrumento de troca e produção do conhecimento, hoje através do meu smartphone em redes sociais acontece o pensamento coletivo, dinamizado, rápido e multifacetado.
A Tecnociência e Suas Impurezas: Um relato de uma experiência pessoal
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Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
RIO DE JANEIRO – 07-12-2019
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
E o médico pediu um “por fora”...
MARIO AFONSO DA SILVEIRA BARBOSA
mario_a@nce.ufrj.br
No início de 2016, minha esposa Kátia procurou uma endocrinologista, pois queria emagrecer um pouco. Esta médica detectou um nódulo na tireoide da Kátia e pediu uma biópsia. Infelizmente o resultado da biópsia foi câncer. Minha esposa ficou desesperada, mas a médica disse que a chance de cura nesse caso era mais de 90%, com a extração da tireoide. Procuramos então um cirurgião de cabeça e pescoço que aceitasse nosso plano de saúde (Unimed Delta 2). Uma amiga da Kátia indicou um cirurgião com consultório em Ipanema. Apesar de ser bem longe de onde moramos (Freguesia, Jagarepaguá) fomos a esse médico. Ele foi atencioso e disse para a Kátia ficar tranquila que o tumor dela era simples e que com a extração da tireoide ficaria totalmente curada. A Unimed autorizou a cirurgia, o médico reservou o centro cirúrgico de um hospital em Botafogo e a Kátia fez os exames pré-operatórios. Faltando seis dias para a cirurgia, voltamos ao consultório para levar os exames e acertar os detalhes. Foi quando veio a “surpresa” – o médico começou a enrolar e dizer que os planos de saúde pagavam mal as cirurgias e que ele cobraria R$ 4000,00 por fora. Ficamos atônitos na hora, mas felizmente consegui manter a calma e disse que não sabia disso e não havia trazido o talão de cheques e que pagaria no dia da cirurgia. Na volta para casa falei pra minha esposa que achava um absurdo pagar um valor alto no plano de saúde para na hora de usá-lo ainda ter pagar, apesar do médico ser credenciado; felizmente ela entendeu e concordou comigo. Ao chegar em casa liguei para a Unimed relatando o ocorrido e sugeri que o médico fosse descredenciado. Para minha surpresa ela disse que aquilo era uma prática relativamente comum e que se eles descredenciassem todos os médicos que a usavam, quase não sobraria nenhum médico. Por sorte ela sugeriu um outro médico, cujo consultório era na Barra da Tijuca, muito mais perto da nossa casa. Fomos a esse médico e felizmente tudo correu bem. Minha esposa extraiu a tireoide e, para felicidade dela, a cicatriz ficou mínima. Três meses depois ela fez uma sessão de iodoterapia e está completamente curada do câncer, só necessitando de fazer reposição hormonal.
O que mais me surpreendeu nesse episódio é que uma prática “impura” de alguns médicos é aceita como se fosse algo perfeitamente normal.
A Tecnociência e Suas Impurezas: Um relato de uma experiência pessoal
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Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
“Invasão/insegurança/privacidade”
VINÍCIUS MARQUES DA SILVA FERREIRA
profvmarques@gmail.com
Como desenvolvimento do trabalho final do curso resolvi fazer um breve relato referente a invasão de canais do YouTube, um exemplo bem recente, especificamente, deu-se com o canal denominado Brasil Paralelo, onde um dos donos relata que na manhã do dia 07 de dezembro de 2019 o canal foi invadido por hackers russos que passaram a ter 100% do controle do canal, iniciando uma escalada de extorsão da equipe proprietária do canal Brasil Paralelo, apagando vídeos de hora em hora, pressionando por pagamento, ameaçando excluir o canal por definitivo com todos os seguidores do mesmo, bem como documentários e demais vídeos lá existentes. Entretanto, os hackers aproveitaram-se do desespero dos proprietários do canal conseguiram extorquir $ 5.000,00 dos proprietários, pois eles já haviam realizado os procedimentos padrões de recuperação do canal através do suporte da própria equipe do YouTube e não obtiveram sucesso, porém mesmo diante do pagamento já realizado, continuaram as ameaças de exclusão definitiva e não reestabeleceram o canal conforme haviam negociado.
O breve relato supracitado, revela as fragilidades ou riscos que podemos correr, principalmente se utilizamos tais serviços como nosso trabalho, pois mesmo sendo o YouTube uma empresa de origem Norte Americana, sendo uma plataforma desenvolvida pelo Google e obviamente com um aparato de equipes especialistas em contra-ataque ou ciberdefesa, neste caso específico não foi possível prevenir e nem mesmo reestabelecer o serviço.
Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=5eKE2o9UfdA&feature=youtu.be
O avanço da ciência e da tecnologia tem sido nossa grande aliada, pois tem facilitado nossas vidas em vários aspectos. Resolvemos praticamente tudo relacionado a serviços bancários com nossos smartphones. Conseguimos comprar quase tudo sem sair de casa. Aliás, muitas vezes, alguns produtos à venda nos sites não tem disponível para ver, comprar e levar, nas lojas físicas.
ResponderExcluirApós já ter feito diversas compras pela internet, sem ter tido nenhum problema, em 08/8/19, mais uma vez realizei uma compra. Na verdade, nem era para mim. Era para uma amiga. Comprei três itens no site americanas.com (até então um site extremamente confiável para mim), com três fornecedores (chamados “parceiros”) diferentes. Até aí, nenhum problema, pois já tinha feito compras com entrega por fornecedores diversos e recebi tudo certinho, antes dos prazos previstos.
Desta vez tive uma ingrata surpresa.
Um dos itens, ultrapassou o prazo para entrega e, para obter qualquer informação, era necessário acessar o site, se logar na conta e enviar sua pergunta/solicitação/reclamação. Após o envio, aparece uma mensagem agradecendo e dizendo que haverá resposta até dia tal (geralmente, dois dias depois). Quando enviaram resposta no chat, recebi um e-mail informando que tinha mensagem para mim. Ao acessar a conta, fui surpreendida com a informação de “mercadoria entregue”. Mandei nova mensagem. Novo prazo. Nova mensagem. Novo prazo. Liguei para o número que aparece no site. Fiquei na expectativa de que falaria com uma alguém, uma pessoa. Ledo engano. Atendimento 100% digital. Ao final da ligação, pergunta se quero que alguém entre em contato, teclo a opção sim e aguardo. Nada. Mando e-mail. Sem resposta. Volto ao chat. Finalmente, surge uma mensagem da “empresa parceira”, pedindo para eu ligar para um celular de DDD 45 (algum estado do sul. Não lembro qual), liguei e falei com um rapaz responsável pela expedição. Explicou que a transportadora disse que foi ao local, mas não tinha ninguém. Depois descobrimos que eles tocaram na casa ao lado, e procuraram por mim. Não por minha amiga. A partir daí nossa comunicação passou a ser por whatsApp. Porém, enquanto isso, tentei diversas vezes cancelar a compra pelo site, sem sucesso. Só consegui o cancelamento da compra depois de aguardar umas duas semanas a transportadora agendar a entrega e não cumprir nenhum dos prazos. Dia 22/10/2019, foi a data da minha libertação desta saga!
Após o cancelamento, alguém da americanas.com ligou para mim (aleluia). Expus toda a minha indignação com o atendimento. O que deve ter entrado em um ouvido e saído pelo outro.
Depois dessa experiência, ainda não consegui voltar a comprar pela internet....
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ResponderExcluirA tecnociência e suas impurezas: Um relato de uma experiência pessoal
ResponderExcluirHCTE-UFRJ
Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Aluna externa (Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia eSaúde - Fiocruz)
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
Quatro vezes em que a legitimidade científica foi silenciosamente questionada
ALICE RIBEIRO
Cena 1:
- Homeopatia é pseudociência! É água com açúcar! Pesquisadores da área da homeopatia só citam a si mesmos, com quem concordam.
(Fiquei algumas horas tentando lembrar de um meio acadêmico que não "cita a si mesmo". Não lembrei de nenhum.)
Cena 2:
- Pessoas não deveriam usar plantas medicinais tradicionais que não tenham sua eficácia cientificamente comprovada. Certamente não se deve fazer uso de plantas medicinais tradicionais sem ir ao médico antes.
(Tradição agora precisa de legitimidade científica)
Cena 3:
Duas horas na fila para ser atendido no serviço público de saúde. Uma senhora ao meu lado comenta que não consegue vaga para uma cirurgia que precisa muito fazer. Um moço sugere: finge que está passando muito mal. Senão você não vai sair daqui hoje. Acho errado, não faço.
Quatro horas na fila para ser atendido no serviço público de saúde. Finjo que estou passando muito mal. Faço que vou desmaiar e consigo até chorar. Uma enfermeira vem me socorrer. Pessoas me olham e fico sem graça porque acho que todos sabem que eu estou mentindo. E sabem mesmo, mas ninguém me julga: a sugestão do moço é uma regra social não escrita.
Triagem:
Fuma? Sim. Bebe? Socialmente. Usa drogas ilícitas? Não (mentira). O que está sentindo? Febre, dor de garganta, fraqueza no corpo.
...
E agora a pouco quase desmaiei! Nossa, passei tão mal que achei que ia morrer!!
Botei a mão na testa de forma melodramática. Acho que não devia, a enfermeira me olhou com cara de desdém, como quem diz "não força".
Tomou algum remédio para aliviar os sintomas? Não (mentira).
Sala do médico:
O que está sentindo? (De novo?) Dor de garganta, febre, moleza no corpo. Tomou algum remédio para aliviar os sintomas? (De novo?) Não (mentira). "É uma gripe que está circulando por aí, é comum nessa época do ano". (Nossa, que gênio esse doutor!). Doutor, eu preciso do atestado. Senão vou ser descontado no trabalho. Só agora o doutor olha na minha cara.
Cena 4:
Passei em um concurso público. Mas tinha que entregar um tal exame de aptidão mental. Lá fui eu para o psiquiatra pela primeira vez na vida.
- Você escuta vozes na sua cabeça?
Resposta sincera: Moço, eu sou umbandista. Meus guias falam comigo. Às vezes me avisam para não ir por certo caminho, ou me ajudam com certa situação que me aflija.
Resposta dada: Não.
- Você já pensou em matar alguém?
HAHAHAHAHAHA Credo, não!!!!
O médico muito sério: Eu preciso perguntar.
Eu muito sério: Não.
- Voce já teve pensamentos suicidas?
- Não. (Já entendi que não é para rir)
Passei no exame.
As cenas acima reúnem realidade e ficção para mostrar que nas situações mais diversas a ciência nunca é pura. Ela reflete um modo de ver o mundo socialmente circunscrito, convivendo, mesmo quando os cientistas não se dão conta, com outras formas de racionalizar o mundo. Especificamente em temas ligados à saúde, a vida pragmática insiste em provocar o "saber médico científico intelectual".
HCTE-UFRJ
ResponderExcluirPrograma de Pós-Graduação em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
"A tecnociência e suas impurezas":
Um relato de uma experiência pessoal
Antes de começar a expor a minha reação final, meu caso no qual a tecnociência não se apresentou pura para mim, gostaria de dizer o quanto gostei da leitura do livro deste semestre. Achei o livro bastante pertinente, achei suas discussões, em termos históricos e sociais, bastante esclarecedoras e cada vez mais me interesso pelo campo CTS.
Pois bem. Comecemos.
Cena 1: Filha, estou na casa de um cliente, mas quero ir para casa, você pode chamar um Uber para mim?
Cena 2: Abro meu e-mail meia hora depois e vejo uma mensagem do Uber dizendo que minha conta foi desativada.
Como assim a minha conta foi desativada? Abro o e-mail e leio que eu infringi as políticas de segurança e termos de conduta dos passageiros do Uber. Ao mesmo tempo, recebo uma mensagem da minha mãe dizendo que ela discutiu com o motorista, porque pediu para que ele mudasse a rota e o mesmo insistiu que isso alteraria o valor da corrida final (mesmo minha mãe concordando com o fato).
Até hoje não sei o que realmente aconteceu dentro do carro entre minha mãe e o motorista do Uber, mas sei que o aplicativo, a partir do relato do motorista, achou que eu infringi os termos com os quais eu concordei no momento em que fiz a conta há anos e anos atrás, no sentido de que houve agressão e que isso não seria tolerado.
Respondi o e-mail afirmando que o que havia ocorrido tinha sido apenas uma discussão e que eu não deveria ser expulsa da plataforma, ter minha conta desativada, por causa disso. Pedi, então, para ler o relato do motorista. Em resposta, recebi um e-mail do aplicativo dizendo que eu não poderia ler o relato do motorista, porque isso infringia as regras e termos de privacidade.
Num segundo e-mail de resposta, argumentei que eu não teria como me defender de uma acusação que eu desconhecia, insisti que o aplicativo me desse uma oportunidade de defesa. Num terceiro e último e-mail, o Uber me comunicou que a minha conta já havia sido desativada e que essa desativação era irreversível.
Enxergo, após a leitura desse livro, que nessa situação, o meu relato tinha absolutamente nenhuma credibilidade, que neste contexto, o relato que realmente tinha peso era o do motorista. A partir de uma análise do que foi relatado pelo motorista, o aplicativo julgou de forma sumária o caso e me excluiu da plataforma, sem direito de defesa. Ainda enviei mais e-mails para a plataforma, explicando a situação a partir do relato da minha mãe (que certamente não está completo, tenho certeza que ela suprimiu partes nas quais ela poderia ser responsabilizada), mas nenhum dos meus e-mails foi sequer respondido. Simplesmente o aplicativo não se dignou a rever o meu caso nem responder meus e-mails.
Esta tecnologia certamente não é pura.
Trabalho Final
ResponderExcluirA tecnociência e suas impurezas: Um relato de uma experiência pessoal
HCTE-UFRJ
Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade (LECTS)
2º Período de 2019
Doutorado: Turma 15030
Professor: Eduardo Nazareth Paiva
TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA
Medicina moderna? Nunca Pura
BRUNO DA SILVA MUSSA CURY
Era o ano de 2013. Muitas viradas na vida pessoal e no âmbito social. Eu estava casado, pai de um garotinho de um ano e meio e uma bebê de 6 meses, estava recentemente empossado como servidor público e atuando como professor, enquanto o país vivia a ebulição iniciada nas jornadas de Junho, a qual me via pessoalmente envolvido num misto de participação, apreensão e empolgação.
No mês de de agosto deste ano, fiz uma viagem de carro com mulher e filhos do Rio a SP, para participar da festa de casamento de um familiar naquela cidade. No percurso comecei a ter um leve malestar, Dores na parte frontal do ombro esquerdo. Em meio a familiares médicos e da área de saúde, já no destino, me queixo: “essa dor no ombro, tá muito chata”. A prima fisioterapeuta pergunta se já fiz RPG, que poderia ajudar, recomendou procurar um ortopedista para investigar se era uma possível bursite. A dor piora no dia seguinte, tomo um banho demorado, desço com as crianças para o café da manhã entre familiares reunidos na mesma hospedagem para festa do dia anterior. A dor havia piorado.
Um tio médico pergunta, se havia bebido demais, disse que só socialmente, ele continua achando que era efeito do porre potencializando. A irmã médica lança logo outro diagnóstico “é gases, toma aqui uma simeticona que vai ficar melhor”.
Despedidas são feitas, segue cada um seu rumo, pego a estrada de volta para o Rio. Entre uma parada e outra, busco uma farmácia para comprar uma cartela de simeticona, pois as dores estavam piorando e precisava fazer com que os gases passassem para aguentar os 400 e poucos quilômetros dirigindo. Tomo também dois comprimidos de sonrisal, a primeira coisa que me pareceu provocar um bem estar desde a sexta-feira (estávamos num domingo).
Chegamos em Niterói, trabalho na segunda, as dores dos “gases” haviam retornado, mais um copo de sonrisal, “o som do bem estar”, para dormir bem.
Chegando no trabalho segunda-feira (uma sala de aula com trinta alunos do 6º ano no complexo da maré), me vejo incapacitado para reger a turma de pré adolescentes em virtude daquela maldita dor, que havia aumentado muito (a essa altura a cartela de simeticona já havia terminado). “Não faz sentido, essa porra não pode ser gases”.
Aviso a direção que não me sentia bem, estava com muita dor no ombro esquerdo: “se não trouxer atestado terei que considerar falta”. Ok, segui para a Fiocruz que seria o meu destino seguinte para outra jornada no mesmo dia, mas lá fui direto ao atendimento médico para os trabalhadores de que a instituição dispõe. Fui atendido por uma médica que fez muitas perguntas a respeito do que havia acontecido nos dias anteriores, me receitou soro e um analgésico injetável seguido de repouso e mandou procurar um clínico. O remédio foi milagroso, a dor havia sumido. Mesmo com a sudorese e a recomendação, fiquei tão satisfeito pelo efeito do analgésico que decidi ficar até o fim do dia no trabalho.
Peguei as crianças na creche no fim do dia e segui para casa, de novo a dor começa a apontar, e vem mais aguda. Chego em casa com as crianças e aviso para a mãe: “vou ao hospital de taxi ver o que pode ser isso, fica com eles. Qualquer coisa te ligo”.
continuação...
ResponderExcluirNo hospital, uma longa espera, muita gente parecendo em estado pior. Finalmente sou atendido por uma plantonista e relato minha dor que aquela altura irradiava para o braço esquerdo e pescoço. Ela me prescreve exame de sangue, algumas horas de processo entre coleta e resultado que vara a madrugada. Quando era aproximadamente 3h, chega uma pessoa com uma cadeira de rodas até mim, pede que eu me sente, “posso andar, tudo bem”, “não senhor, tem que ser na cadeira, é o procedimento”, sou levado a uma maca onde logo duas enfermeiras começam a ligar fios ao meu corpo, acesso para soro e medicamento, “o que está havendo?”, “a doutora já vem falar com o senhor”.
Então chega a médica em meu box na emergência, comigo já devidamente monitorado para conversar, “o senhor está com a troponina muito alterada, isso indica sofrimento coronariano, o senhor pode estar passando por um infarto, estranho que em sua idade costuma ser muito fugaz, mas o senhor pode estar com sorte e apenas uma caso colateral obstruído, o que é bastante raro aos 33 anos, o senhor precisa ficar monitorado na unidade coronariana e possivelmente passar por um cateterismo, mas a nossa está lotada e vamos providenciar sua transferência de hospital”. Então começa uma ansiedade que até então não havia me batido, informo a familiares minha condição.
Já depois de meio dia, já acompanhado de familiares ansiosos pelo meu quadro de saúde, finalmente chega uma ambulância para minha transferência (que o plano não providenciou e acabou sendo uma particular, depois vemos o reembolso). O médico da uti móvel era um recém formado, que chegou me fazendo várias perguntas repetidas. A bomba de infusão da uti móvel não funcionava, eu estava sendo medicado por via dessa bomba no hospital. O doutor não viu problema, disse que ia liberar o medicamento na minha corrente sanguínea manualmente. Foi a pior experiencia da minha vida, fiquei vermelho, comecei a suar e desidratar, uma dor de cabeça alucinante subiu, a dor no peito triplicou, estava um trânsito absurdo e tudo parado. O doutor fala pro enfermeiro colega “avisa pro fulano que é melhor a gente correndo”, sem conseguir disfarçar o semblante de “fudeu, fiz cagada”. A tortura seguiu até chegar a quinta da boa vista. O doutor chega falando que o paciente estava com angina grave, que seria melhor ir direto pra hemodinâmica.
Chego na sala, me solicitaram a assinatura de alguns termos, o cheque da ambulância, outro pro anestesista, e depois sou levado para outro plano da vida.
Acordo imaginando terem se passado uns minutos, horas depois. “Espera que o médico vem conversar com o senhor”. “Olá senhor Bruno, tenho boas notícias, o senhor não tem nenhum problema coronariano, sua circulação cardíaca está ótima”. “Mas o que tenho?”. “O senhor terá que ficar no hospital para investigarmos, a troponina alte indica um sofrimento cardíaco, vc provavelmente está com uma peri-mio-cardite, uma inflamação no pericárdio ou no miocárdio que pode ser provocada por n fatores”.
Resumindo, passei uma semana na coronariana do hospital quinta d´or fazendo um sem-número de exames e sendo medicado. No fim, troponina em níveis normais, sem ter febre, tenho alta hospitalar com o laudo “miocardite idiopática”, que quer dizer que não souberam qual das inúmeras possíveis razões me provocou aquilo.
Este episódio ainda teve outros desdobramentos, depois de muito circular por cardiologistas renomados, pois tive uma repetição do quadro um ano depois, e fazer exames particulares caros, optei por abandonar um pouco a ciência aplicada. Iniciei meditação, mudança de hábitos, passei a não mais absorver problemas de casa e dos trabalhos com o estresse habitual. Em cinco anos não tornei a ter episódio de miocardite, mas sigo na terapia e yoga.