Capítulo 6 - Reações

Comentários

  1. O texto deste capítulo se inicia com um título pouco intuitivo, no que ao seu decorrer fora possível enfim assimilar a questão da bomba de vácuo como sendo um marco do passo seguinte que a ciência tomou através de Boyle. O passo da validação do conhecimento através essencialmente dos experimentos científicos registrados, e não mais apenas de teorias que não pudessem ser provadas ou testemunhadas -como o autor muito cita, usando os antigos e isolados alquimistas como referência.
    Ao que com isso o conhecimento passaria então a pertencer não mais apenas à uma única pessoa, mas sim a todo um coletivo que funcionaria como um jure de seu próprio testemunho. Tendo sido possivelmente esse o predecessor de nossa mais atual noção de que "uma especulação não vale de nada sem uma comprovação", tudo graças a lógica de Boyle que definiu na prática 3 frentes validativas para tal: A presença material dos resultados através da aplicação da experiência, o registro literário em detalhes diretos e pouco floreados e o apoio social com a concordância destes resultados testemunhados.
    Sendo que mesmo que Boyle não tivesse tido o apoio integral de toda a comunidade científica quando expôs este seu modelo -e em especial de Hobbes, que claramente pelo que o texto expõem não conseguiu e nem quis se adaptar a esta nova metodologia- ele ainda sim soube se utilizar de seu decoro e esperteza para limitar os debates e evitar as críticas, isso tudo, até chegar ao ponto de o que acabou restando diante de si terminou sendo o apoio de um coletivo que muito estava interessado em ganhar um papel bem mais ativo dentro do desenrolar de sua própria ciência.

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  2. Como dar credibilidade a um experimento em uma Inglaterra onde os cientistas tentavam se afastar dos dogmas e alquimistas? Shapin descortina a forma como Boyle tentava colocar regras no conhecimento científico e na divulgação científica. Boyle procurou assegurar a estabilidade de um experimento de algumas maneiras: a experiência de fato, devidamente relatada para que pudesse ser replicada, a literatura de todas as inscrições e conclusões do experimento e a aceitação por pares, um grupo seleto de pessoas. Legitima-se o experimento como se leis houvesse para tal. Cavalheiros idôneos testemunhando e atestando o experimento. Literatura com regras específicas de linguagem, relatos "puros", relatos dos experimentos vencedores. A humildade presente nos textos: "poderia", "é provável", "ouso dizer".
    Estas regras lembram algo? Ah, essa colonização.....

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  3. Neste capítulo, o autor aborda as “tecnologias” a partir das quais se construíam “matérias de fato”, na Inglaterra do século XVII: a material, relacionada à construção e operação de máquinas; a literária, relativa à transmissão dos resultados do experimento àqueles que não a testemunharam; e a social, referente às convenções estabelecidas entre os filósofos naturais. A prática experimental, para Boyle, deveria ser passível de multiplicação de testemunhas, o que poderia se dar a partir de diversas formas: da realização de experimentos em espaços sociais, conforme já apontado nos capítulos anteriores; da facilitação de sua reprodução; ou do testemunho virtual. Assim, a escrita, enquanto ato de comunicação, ganha grande importância, tanto para facilitar a reprodução dos experimentos, oferecer as circunstâncias para o testemunho virtual e gerar confiança nos resultados, quanto para possibilitar a construção de uma comunidade científica. (Sobre isso, vale notar o quanto está presente no discurso dos divulgadores da ciência, ainda hoje, a ideia de que é necessário divulgar para legitimar gastos em ciência e para “estimular o interesse em ciência”, porque precisamos “garantir as próximas gerações de cientistas”. Assim, da mesma forma que no século XVII, a comunicação continua sendo vista como uma forma de garantir a continuidade, a manutenção, da comunidade acadêmica.) A argumentação deste capítulo me levou a pensar em uma mudança no modo de ver o testemunho na ciência, que foi moldando o modo como vemos e fazemos ciência hoje. Assim, se no capítulo anterior ficou em destaque a questão das realizações dos experimentos públicos como importante forma de legitimar o conhecimento, neste, começa a tomar corpo a ideia de que o testemunho presencial não é a única forma de validar a ciência, o que vai fortalecendo a importância da escrita e da retórica na prática científica. De fato, atualmente a escrita é, penso eu, um importante aspecto do fazer científico. Porém, conforme Shapin indica nos últimos parágrafos deste capítulo, cada vez menos ela tem o sentido descritivo que tinha em Boyle. Penso que, se de um lado cada vez nos preocupamos menos com a veracidade dos dados (simplesmente porque tendemos a confiar na “rubrica” do cientista ou da instituição científica, conforme já conversamos em sala), por outro, cada vez mais nos preocupamos com retórica e escrita. É possível notar isso, penso eu, pelo fato da produção de artigos ser, hoje, a principal forma de produzir ciência: segundo um modo conservador – mas ainda hegemônico - de entender a ciência, o saber científico literalmente não existe enquanto o paper não é publicado. Então, o que fiquei me perguntando ao longo da leitura deste capítulo foi: indicaria a argumentação de Shapin um procedimento através do qual migramos de uma ciência baseada no testemunho e na experimentação, para uma ciência baseada na retórica, ainda que esta não seja incongruente ou totalmente descolada da anterior? E, quando o autor diz, ao final do capítulo, que cada vez menos os artigos se apresentam com riqueza de detalhes descritivos, isso teria algo a ver com o distanciamento em relação à experimentação?

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  4. LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
    Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
    Reação ao capítulo 6 do livro “Nunca Pura”

    Como validar o conhecimento (“ciência”) na Inglaterra no século XVII? Como assegurar a validação universal? Robert Boyle buscou essa validação por meio da “matéria de fato” experimental – um experimento deveria ser testemunhado por muitos. Para estabelecer matérias de fato, Boyle valia-se de três tecnologias:
    -material, que era o experimento em si;
    -literária, que através de anotações, relatos escritos e figuras, davam conhecimento aos que não foram testemunhas diretas dos experimentos;
    -social, que era um recurso de objetificação ao transformar a produção de conhecimento visível como uma realização coletiva.
    Boyle era assim em seus estudos, ele foi inclusive diferenciado de seus antecessores porque se apegou firmemente ao método científico. Ele considerava errado as pessoas acreditarem em determinadas crenças só porque foram passadas pelos seus pais ou por outros. Esse tipo de pensamento também atribuía à Ciência, defendendo que hipóteses não deveriam ser aceitas somente porque eram consagradas, mas tudo deveria ser pensado e comprovado. Ele ficou conhecido como o primeiro cientista a manter anotações detalhadas dos resultados que obtinha em seu laboratório. Ele se preocupava não só com o aspecto qualitativo, mas também quantitativo, sendo que anotava passo a passo os experimentos que realizava, comparava os resultados e tecia hipóteses.

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  5. O texto do capitulo causou uma reação boa para quem pretende aprofundar seus estudos no campo da epistemologia, da história da ciência, a leitura ajudou a através do experimento (bomba) expressando a prioridade epistêmica e do método cientifico nas investigações que envolvia o mundo natural. Tomando por base os estudos de Robert Boyle, sendo professor do curso de Engenharia Química, e a importância de Boyle para ciência Química, no aspecto do desenvolvimento das teorias, que estão presentes nas salas de aula do ensino médio e superior no que tange a coletividade desse conhecimento, fico bem confuso com o texto do capitulo, como dito acima precisando de um aprofundamento no campo da epistemologia e história das ciências.

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  6. Achei bastante interessante e digno de nota o trocadilho que o autor faz com expressão “pompa e circunstância” (conotação de destaque e digna de honrarias) com o fato de a bomba de vácuo ter sido um marco experimental e uma máquina que determinou a migração da filosofia teórica para a filosofia experimental.
    A construção de fatos e matéria de fato perpassam por uma elaboração de diversos parâmetros que possam categorizar e organizar tal produção. Como autor esclarece na página 94: "se o conhecimento [científico] deveria ser construído utilizando-se essa tecnologia, então o número de filósofos que poderiam produzi-lo era limitado." Ou seja, a bomba de vácuo é uma maquinaria fundamental na produção de conhecimento científico na época. A presença de testemunhas que possam atestar a veracidade da condução dos experimentos também me chamou atenção. O capítulo se encerra com a descrição da elaboração de uma nova narrativa científica, que seja mais direta, mais funcional e com pretensões de neutralidade.

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  7. Bomba e Circunstância a Tecnologia Literária de Robert Boyle
    O autor destaca, nesse capítulo, os estudos de Robert Boyle, mostrando a tentativa de modificar algumas regras científicas e sua disseminação. Em seus experimentos Boyle buscou a estabilidade do experimento, relatando detalhadamente o processo, dessa forma, tentava garantir que a sua reprodução resultasse nos mesmos resultados encontrados inicialmente, além de buscar a aceitação, por pares, de tais procedimentos, ou seja, legitimar o experimento. Dessa forma, temos como consequência, talvez, a replicação de experimentos químicos presentes em nossas salas de aula atuais, ou seja, socializando esse conhecimento. E nesse contexto podemos nos remeter ao capítulo passado onde se diz que a ciência se torna ciência quando o conhecimento é disseminado.

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  8. Neste capítulo vemos como Robert Boyle buscou assegurar a validação universal de seu experimento por meio da matéria de fato experimental, enviando um relato literário de realizações alcançadas com a bomba de vácuo, criada por ele, para outros cavalheiros, com o objetivo de propagar a tecnologia material ou mesmo como um substituto válido ao testemunho direto.
    No trecho abaixo, podemos perceber como o autor reforça essa afirmação:
    “Boyle estava se estabelecendo como alguém confiável no oferecimento de testemunho sobre experimentos e estabelecendo convenções por meio dos quais outros poderiam igualmente fazê-lo. Detalhes circunstanciais oferecidos acerca das cenas de experimentos era uma maneira de assegurar aos leitores que os experimentos reais resultaram em descobertas que foram avaliadas.” (pag. 101)

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  9. A questão sobre a validação do conhecimento é retomada neste capitulo onde Shapin traz à tona, ainda no cenário dos experimentos e descobertas do século XVII na Inglaterra, aquilo que irá configurar o modelo científicos universal, diferenciando-se daquilo que se procuraria afastar: a alquimia com seus misticismos! Boyle é considerado como aquele que institui as primeiras regras para esse modo de prática científica, através daquilo que chamou de “matérias de fato” assegurando o rigor e a descriminação dos experimentos, tornando-os universalmente reconhecidos. O passo-a-passo instituído por Boyle incluía a parte material, que era o experimento propriamente dito; a parte das anotações e relatos escritos, propiciando informações para aqueles que não puderam testemunhar o experimento. Além disso, havia a parte social, que incluía a divulgação e o pacto com o coletivo, assegurando assim, a aceitação e a validação daquele produto da ciência. Esse modelo científico, válido até os dias de hoje, instaura o lugar da ciência como detentora de um saber sobre os demais, o que deixa escapar, no entanto, a marginalidade das “outras” ciências “não-puras”, que circulam em nosso cotidiano pós-moderno, mas que sempre existiram e ameaçaram as ciências “puras”.

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  10. Bruno Mussa

    Muito interessante o cenário escolhido por Shapin para desenvolver seu pensamento sobre a relação dos experimentos científicos com a validação do conhecimento que o cientista deseja obter na sociedade. Boyle se engajou em levar seu aparato a uma comunidade mais ampla, a convidando a participar na construção do conhecimento. A ciência lança mão da popularização para arregimentar aliados em torno de suas causas, podemos lembrar de inúmeros exemplos em que governos, sobretudo de países centrais, empenham fortunas em divulgação e popularização da ciencia de modo a manter a sociedade mobilizada em torno de questões de interesse estratégico. Boyle desenvolveu uma linguagem que visava conduzir os leitores ao experimento, de modo a tornar o mero espectador um ator em determinada perspectiva. Se dedicou a mostrar mais que o produto, mas sim enfatizar a forma como ele foi construído (ou que estava em processo de construção), incluindo acidentes e casualidades que enfrentava no processo. A popularização da ciência se torna protagonista para a criação de conhecimentos e para o desenvolvimento de uma solidariedade social para com o cientista em seu ofício. Shapin conclui que “confiança e consentimento tinham que ser conquistados junto a um público que poderia negar confiança e consentimento” (p. 117). No meu entender, isso é uma forma de dar novos usos a retórica, pois passa-se a convidar as pessoas para o interesse em possibilidades científicas, onde a atração passa a ser a busca pela realização.

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  11. Desde 2016, quando comecei a fazer aulas com o Prof. Eduardo Paiva no HCTE, ouço falar de Robert Boyle, de Hooke e da história das bomba de vácuo. Encontrei a história aqui e me encantei com a abordagem de Shapin. Como um autor CTS, Shapin detalha e encontra camadas de entendimento para a experimentação arquitetada por Boyle para estabilizar seu conhecimento, um fato.
    Shapin detalha as materialidades envolvidas nos experimentos - a construção de um aparelho. Detalha as estratégias de Boyle para ampliar os testemunhos - oculares e virtuais - com seus textos e suas figuras e esquemas. Detalha ainda a importância das associações de Boyle com outros membros, em especial da Royal Academy.
    É surpreendente como com um exemplo o autor consegue explicar a forma como os fatos sociais se estabilizam, ampliando sua aceitação e criando seus próprios coletivos.

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  12. “A divulgação da ciência é normalmente entendida como uma extensão da experiência de poucos para muitos”. Como a frase inicial do capítulo irei discorrer minha reação, pois quando a ciência é mistificada como algo complexo e incompreensível , há um distanciamento natural das pessoas.
    No ESOCITE deste ano, que ocorreu em Belo Horizonte participei de uma sessão onde foi apresenta uma pesquisa em que uma professora realizou a observação de aulas de física em uma determinada turma do nono ano com o intuito de acompanhar o processo de ensino aprendizagem dos alunos, Durante o acompanhamento das aulas ela observou que os alunos estavam sempre apáticos e desinteressados, no entanto, após a realização das provas pode perceber que as notas do alunos ficaram em sua grande maioria na média. Ao tentar entender como isso havia acontecido, conversou com os alunos e descobriu que em sua grande maioria , após as aulas acessavam canais do youtube que apresentavam a química de maneira prática, na criação e apresentação de instrumentos, permitindo que alunos conseguissem entender os conceitos a partir da prática e da experimentação.
    Desta forma, aquela comunidade de alunos, um grupo que compartilha uma vida em comum, encontrou na comunicação o meio de tornar as coisas comuns, percebendo que as circunstâncias devem ser propicias para facilitar o entendimento da ciência e não o contrário.

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  13. POSTANDO POR EDEL VALY
    Bomba e circunstância A Tecnologia Literária de Robert Boyle
    Produção de conhecimento e comunicação de conhecimento são normalmente consideradas atividades diferentes. Neste capítulo, Shapin se propõe argumentar em contrário, mostrando o status convencional de maneiras específica de se falar sobre a natureza e eu conhecimento natural, além de examinar as circunstâncias históricas em que essas maneiras de falar foram institucionalizadas.
    Para o autor, a divulgação da ciência é normalmente entendida como uma extensão da experiência de poucos para muitos, e demonstrará que um dos recursos principais para gerar e validar itens de conhecimento dentro da comunidade científica estudada era essa mesma extensão da experiência de poucos para muitos, a criação de um público científico. Para tal, utilizará os experimentos de Robert Boyle em pneumática, no final da década de 1650 e início da década de 1660. Boyle produziu conhecimento sobre o comportamento do ar, assim como explicou os meios experimentais adequados pelos quais o conhecimento legítimo deveria ser gerado e avaliado, dentro do contexto de programas alternativos de produção de conhecimento.
    Os questionamentos da época referiam-se a o que deveria ser considerado conhecimento ou “ciência”? Como distinguir de outras categorias intelectuais tais com “convicção” ou “opinião”? Qual grau de certeza se poderia esperar de empreendimentos intelectuais e itens de conhecimento? e ainda, Como poderia se assegurar os adequados graus de valor de segurança e certeza?
    Mas, todas essas questões eram de ordem prática. Na época, as fundações de conhecimento deveriam ser construídas, e Boyle o que buscava, era assegurar a validação universal, por médio de matéria de fato experimental. A matéria de fato, se constituiria pela experimentação testemunhada. No experimento de Boyle a matéria de fato se valia de três tecnologias: a material – construção e operação da bomba; literária – conhecimento dirigido a quem não testemunhou; e social – convenções dos filósofos naturais para lidarem entre si.
    Cada tecnologia depende da outra, contribuindo para uma estratégia comum ao constituir matéria de fato.
    Na formulação oficial de Royal Society, a produção de conhecimento experimento se iniciava com atitudes individuais de ver e acreditar, concluindo quanto todos os indivíduos voluntariamente concordavam uns com os outros sobre o que tinham presenciado. Boyle se valia de relatórios como meio de alcançar uma comunidade mais ampla e solicitar participação na construção de conhecimento experimental factual. Através da sua linguagem, tornava o leitor um ator do experimento, demonstrando todos os detalhes e contingências, tal se estivessem presentes.
    A linguagem da ciência experimental do início da Restauração era uma linguagem publica, sendo no caso de Boyle essencial para criação de conhecimento e solidariedade social com a comunidade de experimentos.

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