O capítulo 5 aborda quase que de uma forma evolutiva as diferentes razões para a separação de ambientes dentro da ciência no século XVII. Onde os experimentos eram testados de forma individual dentro das casas dos cientistas -em uma completa infamiliaridade com a ideia de um laboratório coletivo e público-, e as apresentações oficiais eram executadas durante as reuniões da Royal Society -dentro de ambientes separados dos limitadores status sociais ingleses, mas ao mesmo tempo, referidos a eles no formato de um outro tipo de status: a credibilidade científica. Pessoalmente eu gosto muito da forma que os cenários sociais da Inglaterra no século XVII se formavam, e como tudo era tão rigorosamente atrelado ao decoro. Diferente mas não tão incomum assim aos dias de hoje, onde até podemos dizer que estamos desprendidos destes rigores sociais, mas não completamente imunes às consequências de ignorarmo-los. E é nisso que eu começo a ver então pequenos traços de um paralelo entre a forma que a ciência era desenvolvida no século XVII e como ela é desenvolvida nos dias de hoje. Já que independente dos laboratórios, temos ainda essa escolha -diante da falta de rejeição ao meio, perante os resultados- de fazer os experimentos em nossas casas (ou em qualquer outro local de interesse), fechando-o para poucos olhos contanto que após nossas certezas se fundamentarem nós apresentemos nossos resultados para a comunidade científica através -agora- dos comícios. Seguindo nós em outras palavras quase que o mesmo método utilizado pelos cientistas no século XVII, mas apenas com outra roupagem. De fato, o que somos hoje é meramente o resultado aprimorado dos acontecimentos daquele período histórico.
Afinal, o que é e o que não é ciência? Shapin traz o cenário da criação de laboratórios "legítimos" em uma Inglaterra que deixava de lado os alquimistas. Traz laboratórios e seus experimentos disciplinados, realizados por um grupo seleto de cavalheiros, reconhecidos por uma sociedade. A preocupação em dar uma credibilidade aos experimentos trazia uma necessidade de experimentações públicas em um período em que os primeiros laboratórios eram montados dentro das residências dos pesquisadores. Esse cenário já coloca a experiência dentro de um meio social, nunca pura. Além de ser uma residência, o laboratório não era para qualquer um ter acesso. O seleto grupo era escolhido a dedo, cartas de recomendação, indicações, valia tudo para dar credibilidade ao indivíduo, qualidade essencial para participar do grupo. Recentemente tive que entregar duas cartas de recomendação para me candidatar a um programa de pós-graduação stricto sensu, a liturgia continua. Partindo da afirmação que era necessário que os experimentos fossem presenciados por um público "correto" é interessante Shapin pontuar que as demais pessoas que circulavam por um motivo ou outro no laboratório, sequer eram lembradas como testemunhas oculares. Outro ponto interessante levantado por Shapin é a classificação de livres para aqueles "cavalheiros" que faziam seus experimentos por "amor" e não por obrigação (por estarem sendo pagos – técnicos). Não tem como não pontuar que recentemente uma professora, doutora, consagrada em sua área de atuação, não pode assumir a coordenação de um curso de pós-graduação pois sua posição na universidade era de técnico-administrativo.
Neste capítulo o autor discorre sobre a localização do conhecimento, mais especificamente sobre os espaços nos quais a ciência experimental ocorria no século XVII, na Inglaterra. O autor indica que os testes de experimentos eram desenvolvidos em âmbito privado, na maioria dos casos nas residências dos cientistas, para posteriormente o experimento ser demonstrado publicamente. Tais mostras tinham um importante papel para a legitimação deste conhecimento, pois, como vimos no capítulo anterior, confiança e testemunho eram fatores centrais para a credibilidade do conhecimento. Assim, existia uma diferenciação entre realizar – testes realizados em âmbito privado, suscetíveis ao fracasso -, mostrar – demonstrar / exibir publicamente o experimento em funcionamento - e discursar – comportamento verbal e interpretativo que acompanha a mostra. Mas, a quem era permitido estar presente nestas mostras públicas? A argumentação de Shapin aponta para o fato de que estas permissões ocorriam segundo critérios sociais: era o status social do indivíduo e a sua capacidade de se portar segundo regras sociais não escritas o que valia aqui. É interessante notar que muito do que acontecia no século XVII ainda é válido nos dias de hoje. Afinal, até que ponto o que fazemos não é um “espetáculo”, nos eventos acadêmicos? A legitimação do conhecimento não continua relacionada com a capacidade de retórica/convencimento das/dos cientistas em relação aos seus pares especialistas? E também com o status da/do cientista em questão? Não cumprimos uma série de regras sociais não escritas no âmbito da vida acadêmica? Apesar da maior parte das nossas instituições de pesquisa serem públicas, não existe uma série de barreiras, materiais e imateriais, que define quem entra e quem não entra? E o que dizer sobre a relação entre cientistas com uma trajetória consolidada e aqueles que estão iniciando, cujo papel se aproxima, certas vezes, aos “técnicos e assistentes” apontados por Shapin (responsáveis pela dimensão prática da ciência e nem sempre tendo o reconhecimento pelo conhecimento produzido e por suas inferências)? Como lidamos com os erros na ciência? Eles são explicitados, ou os escondemos para não “estragar” o espetáculo?
LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa Reação ao capítulo 5 do livro “Nunca Pura”
Shapin fala, neste capítulo, sobre os locais de experimento na Inglaterra do século XVII. Esse trabalho experimental se deu em vários locais: loja do apotecário, loja do artesão de instrumentos, casa do café, palácio real, aposentos dos professores universitários, mas principalmente nas casas dos cientistas. Ou seja, as pesquisas eram realizadas majoritariamente em ambientes privados. Para facilitar a divulgação dos resultados de suas pesquisas, um grupo de cientistas entre os quais Robert Boyle, Robert Hooke, e Isaac Newton, fundou em 1960 a Royal Society .As reuniões para apresentação de resultados novos e os debates eram semanais e nelas os cientistas tinham a ocasião de apresentar suas ideias a seus pares e difundir o conhecimento. Vale lembrar que a Royal Society, a instituição científica mais antiga do mundo, disponibiliza através da internet, a consulta de seu arquivo histórico, formado por milhares de estudos que, como os de Isaac Newton e Charles Darwin, mudaram o curso da história mundial. O serviço, gratuito, permite a consulta de mais de 60 mil documentos de três séculos de grandes descobertas e pequenos avanços que foram moldando o atual conhecimento científico, guardados no arquivo da Royal Society. A abertura deste arquivo abre uma janela fascinante para a história do progresso científico durante os últimos séculos, o que interessa a todos aqueles que queiram compreender a evolução da ciência.
O autor aborta de forma bem clara a mudança radical dos processos de ciência do século XVII, sendo o marco da ciência enquanto instituição, à medida que a comunidade cientifica passa enxergar a natureza de forma diferente, contrapondo a forma antiga que tratavam como divindade através da teologia, surge a busca a leis presente na Natureza que pudesse determinar fenômenos antes divinos como Cosmo, trazendo para uma nova concepção de experiência a Ciência Moderna.
Neste capítulo, o autor define, esclarece, explica, como e onde, especificamente, a ciência experimental surge no século XVII, na Inglaterra. É bastante pertinente esta discussão porque, embutido no surgimento da ciência, sendo ela atrelada, conduzida em espaços públicos ou particulares, estão conceitos sociais que a marcaram. O balanço de poder, credibilidade, confiabilidade da rudimentar comunidade científica de então altera os rumos de como o conhecimento científico é produzido e como a ciência se desenrola até o final do século. O que para mim foi mais marcante foi o fato de os cientistas, muitas vezes, serem cavalheiros e estes, apenas por serem cavalheiros, serem cunhados como cientistas.
A Casa da Experiência na Inglaterra do Século Dezessete Nesse capítulo, o autor define o surgimento da ciência experimental. Comenta sobre a mudança de procedimentos da ciência enquanto instituição, dessa forma, modificando, por exemplo, conceitos já estabelecidos, como a natureza, que, inicialmente era vista como sendo uma coisa divina e, posteriormente, sendo justificadas, ou pelo menos acredita-se ser pelas leis físicas. Dessa forma, podemos modificando conceitos gradativamente até chegarmos nos conceitos mais atuais da ciência moderna.
Onde são feitos os experimentos? Quais os cenários físicos e sociais? Quem são os atores envolvidos? Perguntas tão antigas e tão atuais que impactam fortemente nas ações do nosso dia a dia. O capítulo nos mostra sob uma perspectiva histórica como ocorria a produção do conhecimento na Inglaterra onde vemos o movimentos de como as pessoas construíram suas alianças, buscando em quem confiar, para a partir daí construir suas redes. Outro trecho importante do texto é o que nos faz refletir sobre os locais e as visões que possuímos de um determinado experimento. Fazendo-nos refletir sobre como ele pode ser resignificado de acordo com a visão que se tem. Mais ainda, analisando os laboratórios e suas espacialidades, nos fazendo perceber que estamos continuamente neles, em busca da produção do conhecimento, através da rede que construímos e dos atores em que buscamos alianças.
O autor nos mostra os locais onde os experimentos podiam ser realizados. Quais locais eram considerados públicos e privados e quem estava apto/autorizado a assistir. Para os empiristas ingleses era primordial haver testemunho durante os experimentos e eles só seriam considerados válidos se tivessem sido testemunhados por pessoas de confiança, com base de conhecimento confiável. Aparentemente, somente de meados a fins do século dezessete que a execução de trabalho experimental passou a ocorrer em variados locais, como loja do apotecário e do artesão de instrumentos à casa de café ao palácio real, aos aposentos dos professores universitários e as estruturas associadas a eles nos colleges e nas universidades. Entretanto, os locais de realização mais importantes eram as residências particulares dos cavaleiros. Com a fundação da Royal Society, em 1660, os experimentos passaram a ser apresentados aos membros da Royal Society.
Encontramos no capítulo 5 uma discussão sobre os locais onde se produziam as ciências. O ambiente dos laboratórios domésticos era o local propício para as diversas experiências empíricas desses cientistas do século, diferente dos ambientes coletivos e públicos, onde de fato suas descobertas seriam testadas e admitidas como científicas pela aprovação (ou não) da comunidade oficial de cientistas (que na ocasião reportava as reuniões da Royal Society) que lhe davam a credibilidade. E hoje como poderíamos reconhecer a legitimidade daqueles que se encontram a margem desses ambientes oficiais acadêmicos ou longe de operarem sob os discursos e métodos tidos como científicos? Isso me remete as rezadeiras com seus quebrantos, as parteiras experientes e principalmente aqueles conhecedores de ervas com seus herbários milagrosos, que aquém desses ambientes acadêmicos, praticam verdadeiros laboratórios e aplicam suas medicinas populares com excelentes resultados. Podemos de certa forma admitir que o rigor em que se admitia algum experimento como de fato científico por uma coletividade cientifica, funciona até hoje enredados pelo discurso acadêmico de uma determinada comunidade (referida como e autoreferida como científica) que autoriza ou não a veracidade e a legitimidade das práticas científicas envolvendo técnicas, métodos e resultados dentro de uma sociedade.
No capítulo “A Casa da Experiência na Inglaterra do Século Dezessete”, Shapin nos conta a história do nascimento dos laboratórios e do estabelecimento do experimento como forma central de construção do conhecimento; fala da relação deste local e desta prática com o que podemos chamar de pesquisadores-cavalheiros e assistentes-técnicos. O autor fala ainda de limiar e de acesso. Essa história começou no Séc.XII na Inglaterra, mas e hoje, aqui no Brasil, o que é um laboratório para nós? O lugar aqui no Brasil que pode nos dizer isso é o INMETRO, que oferece a definição de laboratório (http://www.inmetro.gov.br/monitoramento_BPL/reconhecimento_BPL.asp): “instalações de teste (unidade principal que pode ser laboratórios, instalações de campo, estufas) e unidades de teste (unidade onde uma ou mais fase de um estudo é realizado podendo ser laboratório, instalações de campo, estufas)”. Esta definição está baseada nas normas denominadas “Boas Práticas de Laboratórios”, onde também estão definidos os conceitos de diretor do estudo ( pessoa responsável pela condução geral do estudo) e de pessoal do estudo (todo pessoal envolvido na condução do estudo). Os estudos experimentais, a prática laboratorial, se tornou cada vez mais controlada e, para que tenha credibilidade, deve se adequar a normas definidas internacionalmente. Há normas para tudo: pessoal, instalações, equipamentos, materiais. Mas também, para os experimentos serem levados a sério, devem seguir normas referentes a procedimentos de execução, a registro de resultados e ao próprio relato das conclusões. Assim disciplinamos os fenômenos e as testemunhas: “Esses fenômenos eram disciplinados, e um conjunto de testemunhas disciplinado poderia ser reunido ao seu redor“ (p.64)
No capítulo 5, Shapin aborda a criação de laboratórios "legítimos" , onde não se valorizava a construção de conhecimento social e muito menos dos alquimistas, porém, com a preocupação em credibilizar de maneira pública(laboratórios) os experimentos que muitas vezes eram testados de maneira isolada, especificamente nas casas dos cientistas.
Uma “descoberta” científica é de fato uma descoberta ou se trata de uma invenção? Esse é o tipo de questão que o capítulo suscita, e esclarece que os entendimentos de que a ciência seria constituída de descobertas se trata na verdade de uma outra construção. Considero muito pertinente esta interpretação do autor, pois somos fruto de um processo educacional que é aprioristicamente voltado a nos transferir conhecimentos como que acumulados, este tipo de formação cultural que nos molda nos torna afeitos a uma compreensão menos construtivista dos processos históricos, o que nos faz nos orientar pela perspectiva de acúmulo. O interesse histórico por tais processos nem sempre é considerado, mesmo que saibamos que a produção de conhecimento envolve uma enorme quantidade de atores e actantes quando estamos presenciando o processo no presente. Ao não avaliarmos o interesse histórico do processo das coisas, deixamos de observar aspectos das práticas que constituem a substância a partir da qual o conhecimento é produzido. Na minha leitura, é como aceitarmos a tese do “Descobrimento da América” que é difundida na sociedade: versão laudatória de um feito da civilização cristã ocidental que despreza por completo que essa tal América não passa de uma invenção, da perspectiva dos nativos, que ignora povos e saberes constituídos que já se instalavam no território do continente em um sem-número de versões e possibilidades, por centenas (ou milhares?) de povos que desenvolviam-se antes de terem sido alcançados por homens brancos do outro lado do oceano atlântico.
O capítulo 5 aborda quase que de uma forma evolutiva as diferentes razões para a separação de ambientes dentro da ciência no século XVII. Onde os experimentos eram testados de forma individual dentro das casas dos cientistas -em uma completa infamiliaridade com a ideia de um laboratório coletivo e público-, e as apresentações oficiais eram executadas durante as reuniões da Royal Society -dentro de ambientes separados dos limitadores status sociais ingleses, mas ao mesmo tempo, referidos a eles no formato de um outro tipo de status: a credibilidade científica.
ResponderExcluirPessoalmente eu gosto muito da forma que os cenários sociais da Inglaterra no século XVII se formavam, e como tudo era tão rigorosamente atrelado ao decoro. Diferente mas não tão incomum assim aos dias de hoje, onde até podemos dizer que estamos desprendidos destes rigores sociais, mas não completamente imunes às consequências de ignorarmo-los. E é nisso que eu começo a ver então pequenos traços de um paralelo entre a forma que a ciência era desenvolvida no século XVII e como ela é desenvolvida nos dias de hoje. Já que independente dos laboratórios, temos ainda essa escolha -diante da falta de rejeição ao meio, perante os resultados- de fazer os experimentos em nossas casas (ou em qualquer outro local de interesse), fechando-o para poucos olhos contanto que após nossas certezas se fundamentarem nós apresentemos nossos resultados para a comunidade científica através -agora- dos comícios. Seguindo nós em outras palavras quase que o mesmo método utilizado pelos cientistas no século XVII, mas apenas com outra roupagem. De fato, o que somos hoje é meramente o resultado aprimorado dos acontecimentos daquele período histórico.
Afinal, o que é e o que não é ciência? Shapin traz o cenário da criação de laboratórios "legítimos" em uma Inglaterra que deixava de lado os alquimistas. Traz laboratórios e seus experimentos disciplinados, realizados por um grupo seleto de cavalheiros, reconhecidos por uma sociedade. A preocupação em dar uma credibilidade aos experimentos trazia uma necessidade de experimentações públicas em um período em que os primeiros laboratórios eram montados dentro das residências dos pesquisadores. Esse cenário já coloca a experiência dentro de um meio social, nunca pura. Além de ser uma residência, o laboratório não era para qualquer um ter acesso. O seleto grupo era escolhido a dedo, cartas de recomendação, indicações, valia tudo para dar credibilidade ao indivíduo, qualidade essencial para participar do grupo. Recentemente tive que entregar duas cartas de recomendação para me candidatar a um programa de pós-graduação stricto sensu, a liturgia continua. Partindo da afirmação que era necessário que os experimentos fossem presenciados por um público "correto" é interessante Shapin pontuar que as demais pessoas que circulavam por um motivo ou outro no laboratório, sequer eram lembradas como testemunhas oculares. Outro ponto interessante levantado por Shapin é a classificação de livres para aqueles "cavalheiros" que faziam seus experimentos por "amor" e não por obrigação (por estarem sendo pagos – técnicos). Não tem como não pontuar que recentemente uma professora, doutora, consagrada em sua área de atuação, não pode assumir a coordenação de um curso de pós-graduação pois sua posição na universidade era de técnico-administrativo.
ResponderExcluirNeste capítulo o autor discorre sobre a localização do conhecimento, mais especificamente sobre os espaços nos quais a ciência experimental ocorria no século XVII, na Inglaterra. O autor indica que os testes de experimentos eram desenvolvidos em âmbito privado, na maioria dos casos nas residências dos cientistas, para posteriormente o experimento ser demonstrado publicamente. Tais mostras tinham um importante papel para a legitimação deste conhecimento, pois, como vimos no capítulo anterior, confiança e testemunho eram fatores centrais para a credibilidade do conhecimento. Assim, existia uma diferenciação entre realizar – testes realizados em âmbito privado, suscetíveis ao fracasso -, mostrar – demonstrar / exibir publicamente o experimento em funcionamento - e discursar – comportamento verbal e interpretativo que acompanha a mostra. Mas, a quem era permitido estar presente nestas mostras públicas? A argumentação de Shapin aponta para o fato de que estas permissões ocorriam segundo critérios sociais: era o status social do indivíduo e a sua capacidade de se portar segundo regras sociais não escritas o que valia aqui. É interessante notar que muito do que acontecia no século XVII ainda é válido nos dias de hoje. Afinal, até que ponto o que fazemos não é um “espetáculo”, nos eventos acadêmicos? A legitimação do conhecimento não continua relacionada com a capacidade de retórica/convencimento das/dos cientistas em relação aos seus pares especialistas? E também com o status da/do cientista em questão? Não cumprimos uma série de regras sociais não escritas no âmbito da vida acadêmica? Apesar da maior parte das nossas instituições de pesquisa serem públicas, não existe uma série de barreiras, materiais e imateriais, que define quem entra e quem não entra? E o que dizer sobre a relação entre cientistas com uma trajetória consolidada e aqueles que estão iniciando, cujo papel se aproxima, certas vezes, aos “técnicos e assistentes” apontados por Shapin (responsáveis pela dimensão prática da ciência e nem sempre tendo o reconhecimento pelo conhecimento produzido e por suas inferências)? Como lidamos com os erros na ciência? Eles são explicitados, ou os escondemos para não “estragar” o espetáculo?
ResponderExcluirLABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
ResponderExcluirAluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
Reação ao capítulo 5 do livro “Nunca Pura”
Shapin fala, neste capítulo, sobre os locais de experimento na Inglaterra do século XVII. Esse trabalho experimental se deu em vários locais: loja do apotecário, loja do artesão de instrumentos, casa do café, palácio real, aposentos dos professores universitários, mas principalmente nas casas dos cientistas. Ou seja, as pesquisas eram realizadas majoritariamente em ambientes privados. Para facilitar a divulgação dos resultados de suas pesquisas, um grupo de cientistas entre os quais Robert Boyle, Robert Hooke, e Isaac Newton, fundou em 1960 a Royal Society .As reuniões para apresentação de resultados novos e os debates eram semanais e nelas os cientistas tinham a ocasião de apresentar suas ideias a seus pares e difundir o conhecimento.
Vale lembrar que a Royal Society, a instituição científica mais antiga do mundo, disponibiliza através da internet, a consulta de seu arquivo histórico, formado por milhares de estudos que, como os de Isaac Newton e Charles Darwin, mudaram o curso da história mundial. O serviço, gratuito, permite a consulta de mais de 60 mil documentos de três séculos de grandes descobertas e pequenos avanços que foram moldando o atual conhecimento científico, guardados no arquivo da Royal Society. A abertura deste arquivo abre uma janela fascinante para a história do progresso científico durante os últimos séculos, o que interessa a todos aqueles que queiram compreender a evolução da ciência.
O autor aborta de forma bem clara a mudança radical dos processos de ciência do século XVII, sendo o marco da ciência enquanto instituição, à medida que a comunidade cientifica passa enxergar a natureza de forma diferente, contrapondo a forma antiga que tratavam como divindade através da teologia, surge a busca a leis presente na Natureza que pudesse determinar fenômenos antes divinos como Cosmo, trazendo para uma nova concepção de experiência a Ciência Moderna.
ResponderExcluirNeste capítulo, o autor define, esclarece, explica, como e onde, especificamente, a ciência experimental surge no século XVII, na Inglaterra. É bastante pertinente esta discussão porque, embutido no surgimento da ciência, sendo ela atrelada, conduzida em espaços públicos ou particulares, estão conceitos sociais que a marcaram. O balanço de poder, credibilidade, confiabilidade da rudimentar comunidade científica de então altera os rumos de como o conhecimento científico é produzido e como a ciência se desenrola até o final do século. O que para mim foi mais marcante foi o fato de os cientistas, muitas vezes, serem cavalheiros e estes, apenas por serem cavalheiros, serem cunhados como cientistas.
ResponderExcluirA Casa da Experiência na Inglaterra do Século Dezessete
ResponderExcluirNesse capítulo, o autor define o surgimento da ciência experimental. Comenta sobre a mudança de procedimentos da ciência enquanto instituição, dessa forma, modificando, por exemplo, conceitos já estabelecidos, como a natureza, que, inicialmente era vista como sendo uma coisa divina e, posteriormente, sendo justificadas, ou pelo menos acredita-se ser pelas leis físicas. Dessa forma, podemos modificando conceitos gradativamente até chegarmos nos conceitos mais atuais da ciência moderna.
Onde são feitos os experimentos? Quais os cenários físicos e sociais? Quem são os atores envolvidos? Perguntas tão antigas e tão atuais que impactam fortemente nas ações do nosso dia a dia.
ResponderExcluirO capítulo nos mostra sob uma perspectiva histórica como ocorria a produção do conhecimento na Inglaterra onde vemos o movimentos de como as pessoas construíram suas alianças, buscando em quem confiar, para a partir daí construir suas redes.
Outro trecho importante do texto é o que nos faz refletir sobre os locais e as visões que possuímos de um determinado experimento. Fazendo-nos refletir sobre como ele pode ser resignificado de acordo com a visão que se tem. Mais ainda, analisando os laboratórios e suas espacialidades, nos fazendo perceber que estamos continuamente neles, em busca da produção do conhecimento, através da rede que construímos e dos atores em que buscamos alianças.
O autor nos mostra os locais onde os experimentos podiam ser realizados. Quais locais eram considerados públicos e privados e quem estava apto/autorizado a assistir.
ResponderExcluirPara os empiristas ingleses era primordial haver testemunho durante os experimentos e eles só seriam considerados válidos se tivessem sido testemunhados por pessoas de confiança, com base de conhecimento confiável.
Aparentemente, somente de meados a fins do século dezessete que a execução de trabalho experimental passou a ocorrer em variados locais, como loja do apotecário e do artesão de instrumentos à casa de café ao palácio real, aos aposentos dos professores universitários e as estruturas associadas a eles nos colleges e nas universidades. Entretanto, os locais de realização mais importantes eram as residências particulares dos cavaleiros.
Com a fundação da Royal Society, em 1660, os experimentos passaram a ser apresentados aos membros da Royal Society.
Encontramos no capítulo 5 uma discussão sobre os locais onde se produziam as ciências. O ambiente dos laboratórios domésticos era o local propício para as diversas experiências empíricas desses cientistas do século, diferente dos ambientes coletivos e públicos, onde de fato suas descobertas seriam testadas e admitidas como científicas pela aprovação (ou não) da comunidade oficial de cientistas (que na ocasião reportava as reuniões da Royal Society) que lhe davam a credibilidade. E hoje como poderíamos reconhecer a legitimidade daqueles que se encontram a margem desses ambientes oficiais acadêmicos ou longe de operarem sob os discursos e métodos tidos como científicos? Isso me remete as rezadeiras com seus quebrantos, as parteiras experientes e principalmente aqueles conhecedores de ervas com seus herbários milagrosos, que aquém desses ambientes acadêmicos, praticam verdadeiros laboratórios e aplicam suas medicinas populares com excelentes resultados. Podemos de certa forma admitir que o rigor em que se admitia algum experimento como de fato científico por uma coletividade cientifica, funciona até hoje enredados pelo discurso acadêmico de uma determinada comunidade (referida como e autoreferida como científica) que autoriza ou não a veracidade e a legitimidade das práticas científicas envolvendo técnicas, métodos e resultados dentro de uma sociedade.
ResponderExcluirNo capítulo “A Casa da Experiência na Inglaterra do Século Dezessete”, Shapin nos conta a história do nascimento dos laboratórios e do estabelecimento do experimento como forma central de construção do conhecimento; fala da relação deste local e desta prática com o que podemos chamar de pesquisadores-cavalheiros e assistentes-técnicos. O autor fala ainda de limiar e de acesso. Essa história começou no Séc.XII na Inglaterra, mas e hoje, aqui no Brasil, o que é um laboratório para nós?
ResponderExcluirO lugar aqui no Brasil que pode nos dizer isso é o INMETRO, que oferece a definição de laboratório (http://www.inmetro.gov.br/monitoramento_BPL/reconhecimento_BPL.asp): “instalações de teste (unidade principal que pode ser laboratórios, instalações de campo, estufas) e unidades de teste (unidade onde uma ou mais fase de um estudo é realizado podendo ser laboratório, instalações de campo, estufas)”. Esta definição está baseada nas normas denominadas “Boas Práticas de Laboratórios”, onde também estão definidos os conceitos de diretor do estudo ( pessoa responsável pela condução geral do estudo) e de pessoal do estudo (todo pessoal envolvido na condução do estudo).
Os estudos experimentais, a prática laboratorial, se tornou cada vez mais controlada e, para que tenha credibilidade, deve se adequar a normas definidas internacionalmente. Há normas para tudo: pessoal, instalações, equipamentos, materiais. Mas também, para os experimentos serem levados a sério, devem seguir normas referentes a procedimentos de execução, a registro de resultados e ao próprio relato das conclusões.
Assim disciplinamos os fenômenos e as testemunhas: “Esses fenômenos eram disciplinados, e um conjunto de testemunhas disciplinado poderia ser reunido ao seu redor“ (p.64)
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ResponderExcluirNo capítulo 5, Shapin aborda a criação de laboratórios "legítimos" , onde não se valorizava a construção de conhecimento social e muito menos dos alquimistas, porém, com a preocupação em credibilizar de maneira pública(laboratórios) os experimentos que muitas vezes eram testados de maneira isolada, especificamente nas casas dos cientistas.
ExcluirBruno Mussa
ResponderExcluirUma “descoberta” científica é de fato uma descoberta ou se trata de uma invenção? Esse é o tipo de questão que o capítulo suscita, e esclarece que os entendimentos de que a ciência seria constituída de descobertas se trata na verdade de uma outra construção. Considero muito pertinente esta interpretação do autor, pois somos fruto de um processo educacional que é aprioristicamente voltado a nos transferir conhecimentos como que acumulados, este tipo de formação cultural que nos molda nos torna afeitos a uma compreensão menos construtivista dos processos históricos, o que nos faz nos orientar pela perspectiva de acúmulo. O interesse histórico por tais processos nem sempre é considerado, mesmo que saibamos que a produção de conhecimento envolve uma enorme quantidade de atores e actantes quando estamos presenciando o processo no presente. Ao não avaliarmos o interesse histórico do processo das coisas, deixamos de observar aspectos das práticas que constituem a substância a partir da qual o conhecimento é produzido. Na minha leitura, é como aceitarmos a tese do “Descobrimento da América” que é difundida na sociedade: versão laudatória de um feito da civilização cristã ocidental que despreza por completo que essa tal América não passa de uma invenção, da perspectiva dos nativos, que ignora povos e saberes constituídos que já se instalavam no território do continente em um sem-número de versões e possibilidades, por centenas (ou milhares?) de povos que desenvolviam-se antes de terem sido alcançados por homens brancos do outro lado do oceano atlântico.