Capítulo 4 - Reações

Comentários

  1. Neste capítulo, o autor constrói uma narrativa brilhante a respeito do preconceito, da validação da ciência e do discurso da mesma numa perspectiva histórica. A ciência é apresentada como sendo uma construção social historicamente segregatória, elitista, produzida por um grupo, na grande maioria dos contextos históricos, privilegiado. Achei bastante interessante quando o autor fala sobre a questão da construção da verdade a partir de novas opiniões e novos conteúdos, ignorando a produção acadêmica anterior. Considero genial a citação da página 53: “produzir conhecimento científico é um assunto comunal, e os cientistas (...) têm a mesma tarefa que o restante de nós: decidir em quem confiar. E não há nenhuma forma racional e sem ambiguidades para que você tome tal decisão”.

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  2. Voltamos a falar da tentativa de universalização e na elitização provocada pelo restrito grupo de cientistas. O preconceito, seja ele qual for, está presente na nossa sociedade, logo excluí-lo de qualquer estudo é um risco. O preconceito faz parte do contexto e movimenta várias ações. Penso nos preconceitos diversos que circulam no meio acadêmico. Recentemente sugeri a um amigo de doutorado, desempregado, sem bolsa, sem recurso, que procurasse um emprego na iniciativa privada, fui olhada com horror como se tivesse falado uma heresia. Segundo ele, como gostaria de continuar na vida acadêmica, trabalhar na iniciativa privada seria como uma traição à academia. Oi? Isso não faz parte do meu universo, confesso que fiquei perplexa e acabei colocando mais um preconceito na minha lista que já não é pequena. Preconceito é preconceito, e têm alguns que a gente nem percebe, não seria diferente entre os cientistas. Shapin levanta alguns tipos de preconceitos em seu texto, atitudes excludentes como a utilização do latim como lingua ofical da ciência (hoje trocado pelo inglês), genêro (cá entre nós, não muito diferente em um BraZil machista - olha meu preconceito se manifestando e generalizando), religião (difícil ver um cientista não pragmático, mas aí vamos voltar a discussão do que é real. Deus é real? Se é real para alguém, será que ele não existe mesmo?), classe social (meritocracia neste BraZil em que o acesso ao estudo é precário é uma piada).
    Lendo este capítulo, lembrei da dissertação de um amigo onde ele cita uma passagem da vida do educador popular Tião Rocha. Tião conta que na escola, quando começou estudar história toda vez que a professora começava a falar de rainhas e reis, ele tentava contar a história de sua bisavó que havia sido uma rainha de uma comunidade africana antes de ser escravizada e vendida no Brasil. Tião não conseguia passar de um ponto da frase: Professora, minha bisavó era rainha... e a professora mandava imediatamente que ele se calasse. Por diversas vezes ele tentou, por diversas vezes ele foi orientado a se calar. Perdeu a professora, perdemos nós que hoje não conhecemos a história detalhada de nossos antepassados, um estudo situado, que primeiramente interessa a nós, mas ao mesmo tempo uma história que faz parte de outras histórias. Uma história com atores específicos, em um tempo específico, em um enquadramento específico e com todos os transbordamentos possíveis.

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  3. Neste capítulo eu pude entender (através até mesmo de minha própria noção quanto a história) as ligações que o autor traz entre o preconceito e a ciência. E de que forma, mesmo que romanticamente a ciência fosse enxergada como um âmbito que não separa ou afasta as pessoas por suas características individuais, ainda sim ela o fazia. Talvez se escondendo desta imagem segregadora porque ela não julgava as pessoas através dos elementos mais comum que a sociedade usava para se julgar naquela época, mas sim, através de elementos próprios do interesse da própria comunidade científica -a escolaridade e a capacidade intelectual de cada um.
    Agora uma palavra que eu vi muito ser usada neste capítulo é o do "preconceito". Talvez eu possa me portar não muito diferente daqueles que não viam erro em seus meios, ou daqueles que os aceitaram pois em fato um mundo sem "preconceitos" é uma utopia que só soa pertencente aos nossos livros de ficção (considerando a nossa natureza imperfeita). Mas eu não me vi em nenhum momento de leitura desejando julgar a própria ciência daquela época como "preconceituosa". Aos meus olhos, ela apenas tentava se antecipar ao óbvio -onde a presença da ignorância traria a falta de interesse da pessoa em se envolver com o conhecimento. Ou o envolvimento daqueles que não a pudessem acompanhar, atrasariam igualmente o seu progresso.
    É claro que esta é uma visão radical para os tempos de hoje -onde temos portas muito mais abertas para iniciarmos no campo científico caso desejamos. Mas será que para as limitações de abrangência sociais, econômicas e educacionais do século XVII, não teriam sido seus membros apenas realistas e objetivos -no lugar de preconceituosos?

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  4. Neste capítulo o autor remonta à Revolução Científica do século XVII e ao Iluminismo do século XVIII para tratar de uma ideia que reverbera até os dias de hoje: a de que a racionalidade é distorcida ou obstruída pelas emoções dos seres humanos, que levam a preconceitos, tendências e distorções. Neste sentido, na Europa do século XVII uma série de inovações culturais, de ordem principalmente metodológica, objetivavam disciplinar, gerenciar e mitigar tais distorções. A busca pela verdade do mundo natural como um todo se daria por meio de experimentos e de observação, e não pela aceitação da palavra de outro. Devia-se rejeitar: a tradição, o que os outros dissessem e a autoridade – todos os “homens” teriam capacidade igual de contribuir para o conhecimento, independente de posição social. Igualmente, o conhecimento e a autoridade intelectual independeriam do lugar de sua elaboração. No século seguinte, esta visão daria origem ao Iluminismo, no sentido da defesa de uma ciência “livre de preconceitos, autoridade arbitrária e distinções de posições hierárquicas”. Shapin aponta as falhas na visão do Iluminismo acerca da relação ciência-preconceito-virtude social. Em primeiro lugar, não é possível criar uma base de conhecimento totalmente alheia ao conhecimento tradicional. Ou seja, rejeitar a tradição não é uma possibilidade. Igualmente não é possível rejeitar o que os outros dizem, ou seja, desconfiar completamente dos outros, porque uma série de conhecimentos científicos depende da confiança de observações feitas por outrem. Para Shapin, não se trata de não confiar, mas de se decidir em quem confiar. Por fim, também é incorreto (eu diria ingênuo) supor que haveria acesso igualitário à produção de conhecimento (rejeição à autoridade), vide a exclusão de mulheres e judeus, apenas para citar alguns exemplos dentre tanto outros (exemplos não faltam também na sociedade atual). Por esta argumentação, o autor finaliza o capítulo em condições de afirmar que “conhecimento livre de preconceito não vem sendo obtido na prática histórica, e é provavelmente impossível obtê-lo em princípio” (p. 55). Ele diz, “o preconceito pode ser gerenciado e disciplinado seletivamente, porém não pode ser eliminado. Temos de escolher aqueles preconceitos que achamos intoleráveis e opormo-nos a eles com o máximo de vigor que consigamos e com quaisquer recursos com que possamos. Mas teremos que fazer isso sem uma fórmula-mestra racional advinda da história da República da Ciência” (p. 57). Agora, falando de minha percepção individual do texto: eu amei! Acho que o autor resumiu de forma brilhante como, ao longo dos séculos, se constituiu uma ideia de ciência objetiva, universal, apolítica e alheia às emoções e às relações humanas, e descontrói brilhantemente esta visão, demonstrando que neutralidade científica nunca existiu e nunca existirá, e que enquanto prática social a ciência está sujeita à interferência dos preconceitos inerentes aos cientistas que a produzem.

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  5. Desde o início do capítulo “Ciência e preconceito em perspectiva histórica” já somos convidados a refletir sobre os fundamentos daquilo que poderiam sustentar a “boa ciência” em uma “boa sociedade”. Está implícito desde sempre a construção de um conjunto de valores atribuídos com uma certa arbitrariedade, segundo critérios e interesses de uma determinada classe ou comunidade de pessoa identificadas, ou autoproclamadas detentoras do saber, responsáveis por conduz o rumo e o modo de se produzir ciência numa dada sociedade. O ranço de uma ciência pura, com seus dogmas e procedimentos surge como uma racionalidade pura que eleva os mais capazes, geniais como a categoria de gente superior e virtuosa e que se pode destacar sobre as demais. Diante desses, uma confiabilidade infalível lhe é atribuída e uma perspectiva é incorporada como regra absoluta necessária deverá assumida entre os membro dessa sociedade. A ciência como um conjunto de conhecimento “aceitável” é, neste caso, o grande pacto que une pessoas numa sociedades. Nos parece, no final de contas, que a relação entre ciência e virtuosidade, que se configura desde a Revolução Científica, ainda persiste atualmente no meio acadêmico; prova disso se refere ao modo como se valorizam certas pesquisas em detrimento de outras, e como pesquisadores são classificados segundo a quantidade de artigos que publica em revistas melhor pontuadas. O preconceito e o elitismo são os grandes nós que até hoje enfrentamos como barreiras na construção de uma forma de produção cientifica mais plural e horizontal.

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  6. Preconceito é um conceito ou uma opinião previamente concebida. Em outras palavras, trata-se de um juízo feito sobre um indivíduo ou grupo social antes de qualquer experiência. O preconceito está mais relacionado ao sistema de valores do sujeito do que às características de fato do seu objeto. Ou seja, o preconceito implica, naqueles que o utilizam, um componente afetivo e valorativo que não é determinado pela realidade do grupo alvo do preconceito. Por isso, o preconceito é resistente a toda informação contraditória e exerce uma função excludente de criação de uma identidade coletiva entre os que partilham o mesmo preconceito. Pensar que possa existir um mundo sem preconceitos, mesmo que seja uma “República da Ciência” seguindo a “Visão do Iluminismo”, é uma utopia. O filósofo contemporâneo inglês John Gray disse numa entrevista à revista Época: "Os seres humanos diferem dos animais principalmente pela capacidade de acumular conhecimento. Mas não são capazes de controlar seu destino nem de utilizar a sabedoria acumulada para viver melhor. Nesses aspectos somos como os demais seres. Através dos séculos, o ser humano não foi capaz de evoluir em termos de ética ou de uma lógica política. Não conseguiu eliminar seu instinto destruidor, predatório. No século 18, o Iluminismo imaginou que seria possível uma evolução através do conhecimento e da razão. Mas a alternância de períodos com avanços e declínios prosseguiu inalterada. A história humana é como um ciclo que se repete, sem evoluir”.

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  7. Shapin apresenta no capitulo 4 as diversas facetas do preconceito presente nas grandes academias cientificas na perspectiva histórica, a ciência se apresentou ao longo do tempo de forma elitista, desenvolvida por um seleto grupo social. No Brasil durante o século 19, a ciência se apresentava como diferenciação social, pouco se valorizava a construção do conhecimento. A elite brasileira da época primava pelo prestígio, para tanto utilizaram da ciência para exaltar que essa mesma elite, não faziam parte da cultura popular.

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  8. Ciência e Preconceito em Perspectiva Histórica
    O autor destaca o preconceito existente na ciência e dos processos de validação de conceitos da ciência (ou científico). De fato, encontramos na história um conceito muito elitista, criando uma separação, ou melhor, a criação de grupos sociais seletos.
    Podemos citar, que na França, no século XIX, a ciência era uma questão institucional, já na Inglaterra, não. Haviam grupos fechados formados por Nobres, que financiavam pessoas de grande conhecimento para desenvolver suas pesquisas científicas.
    Uma outra passagem interessante é ao afirmar que os cientistas possuem a “mesma tarefa que o restante de nós: decidir em quem confiar”, seria ter fé e crer na ciência?

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  9. Neste capitulo o autor nos faz ver como o preconceito social intromete-se no julgamento científico.
    Segue trecho do livro que ilustra bem essa ideia:
    “As comunidades intelectuais que não estão abertas a todos são propensas a produzi conhecimento em nada estimulando para aqueles que são dela excluídos. Assim, a condição para que uma biologia que defenda a inferioridade de mulheres ou judeus oi eslavos é uma comunidade biológica composta puramente de homens, gentios ou não-eslavos, ou, pelo menos, uma comunidade cuja estrutura de autoridade faz-se dominada por eles. A consideração causal independente aqui não é a ciência do ódio, mas o sistema de exclusões que permite que tal ciência venha alguma vez a se desenvolver.” (pags. 54 e 55)
    E sintetiza no trecho abaixo:
    Logo, a moral da estória contada por um historiador da ciência é ao mesmo tempo simples e infinitamente complexa. Conhecimento sem preconceito não é possível, nem o é a vida social. O preconceito pode ser gerenciado e disciplinado seletivamente, porém não pode ser eliminado. Temos de escolher aqueles preconceitos que achamos intoleráveis e opormo-nos a eles com o máximo de vigor que consigamos e com quaisquer recursos com que possamos. Mas teremos que fazer isso sem uma fórmula-mestra racional advinda da história da República da ciência.” (pag. 57)

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  10. Pode o método científico nos proteger de nossos próprios preconceitos? Shapin busca argumentos em duas linhas distintas para nos convencer que a ciência nunca é livre de preconceitos: uma linha histórica e uma linha moral-política. Eu só conseguia lembrar dos vários momentos em que a ciência não apenas incorporou preconceitos mas ajudou a criá-los.
    Um dos exemplos mais evidentes é a craniometria, utilizada por cientistas dos séculos XVIII e XIX, para traçar uma escala intelectual entre as diversas raças. Em sociedades marcadas pela divisão social do trabalho e das riquezas, esses estudos reforçavam e justificavam desigualdades raciais e sociais.
    O uso da ciência foi utilizada para suportar o racismo por colonizadores ingleses, por nazistas e mesmo o Brasil. Mas poderíamos pensar isto estava superado, mas infelizmente, há um renascimento das tentativas de usar a ciência para explicar desigualdades entre humanos. Trouxe aqui um exemplo destas iniciativas: o do senhor Jared Taylor, da New Century Foundation e que é editor da revista American Renaissance (https://www.amren.com/), uma revista que defende a supremacia branca e apresenta esta ideia como cientificamente comprovada. O discurso pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=UHOmNGkLlk0.
    Como lidar com isso?



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  11. No capítulo 4, Shapin trata do preconceito e a ciência revelando diversas faces, face a universalização e a elitização influenciada pelo seleto grupo de cientistas quanto a validação da ciência, visto que é possível a compreensão da ciência pela perspectiva histórica de composição social que elitiza, segrega e que privilegia um grupo.

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  12. Bruno Mussa

    Bastante interessante a observação de que não existe conhecimento sem preconceito, o que entendo como pressuposto. Ele demonstra que não se observa na história a construção de conhecimento, e que provavelmente seja impossível. Disso me lembro de coisas do nosso cotidiano em um país capitalista periférico como o Brasil, seguimos uma rota de ciência que se norteia pelo referencial literal, o norte geográfico onde estão os países do centro. Nessa lógica se processa a orientação do fomento a ciência brasileira, e nos fica a questão: tais pressupostos científicos não nos desviam de possibilidades inúmeras que se poderia desenvolver através de um conhecimento produzido sob efeito da nossa localização, por outros referenciais? Os povos “de fora” do centro não constituíram bases de conhecimento em outros pressupostos? Esse conhecimento local desprezado não é, por fim, um desperdício de conhecimento? Shapin destaca, contudo, que a ciência parece refletir mais os preconceitos difundidos em seu tempo junto a seus cidadãos, o que orienta os rumos de seu processo na história. O autor reconhece que o conhecimento sem preconceito em distintas dimensões não é possível, pois dele advém a vida social. Devemos saber discernir o preconceito que julgarmos intolerável e a ele se opor como o máximo de recursos que consigamos reunir. Para tal, não existe uma fórmula, não se dá do racionalismo donde advém a história da “República da Ciência”, temos que fazer isso pelo nossa capacidade de nos traduzir na ciência.

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  13. POSTANDO POR EDEL VALY
    Ciência e preconceito em perspectiva Histórica
    Shapin aponta que sempre houve e provavelmente haverá uma relação entre intrínseca entre como as pessoas reconhecem o bom conhecimento e como conseguem uma boa sociedade. Essa relação é constitutiva, a ciência é alcançada por comunidades de seres humanos especialistas, cientistas. Cientistas autênticos são vistos como virtuosos. Durante a Revolução Cientifica do século XVII e o Iluminismo do século XVIII, a relação entre o conhecimento e a virtude se dá través do reconhecimento de que os seres humanos somos falíveis, e que o pensamento humano jamais refletirá a ordem da realidade, a não ser que possamos juntar propositadamente uma consciência reflexiva de nossa natureza imperfeita, às nossas inovações culturais, de forma a mitigar as distorções as quais os seres humanos estão propensos e a eliminar preconceitos e tendências. O filósofo genuíno possuía virtudes intelectuais e morais.
    Dentro da comunidade científica virtuosa da época, todos deveriam ser considerados iguais, não importando a sua riqueza, nação, posição social. Essas categorias eram consideradas preconceituosas. A eliminação do preconceito foi chamada Visão do Iluminismo, uma esperança de que as liberdades fossem asseguradas.
    Mas essa abertura a “todos” na Inglaterra do século XVII não se aplicava de forma tão generalista quanto o seria no século XXI, judeus e mulheres eram excluídos , assim como os pobres e iletrados.
    Em definitiva, historiadores da ciência nos lembram que conhecimento sem preconceito não é possível, nem o é a vida social. O preconceito pode ser gerenciado e disciplinado seletivamente, mas não eliminado, é preciso escolher quais preconceitos entendemos intoleráveis e nos opor ao máximo.

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