No capítulo 2 Shapin entra na questão do conceito de credibilidade, objetividade e verdade. Afinal o que é a verdade? Comentei sobre a palestra do professor Ivan na reação do capítulo 1, todos acreditamos que a forma era de um guarda-chuva. Um ponto interessante sobre verdade e credibilidade é a indução. Hoje viajo de avião pois eu induzo que ele não vai cair, mas eu não tenho garantia nenhuma que ele não vai cair. Eu viajo pois o fato de o avião voar e da chance de ele cair ser pequena é uma verdade para mim. Eu confio nos procedimentos utilizados para o avião voar, eu me baseio na multiplicidade de testemunhos de pessoas que utilizaram aviões e estão vivas para contar, no ato de que colocar um avião para voar é amplamente replicado e confio nas inscrições e seus porta-vozes que afirmam que a chance de um avião cair é de 1 em 90 milhões (Arnold Barnett, Instituto de Teconologia de Massachussets). Para os mais céticos, existe até um aplicativo que calcula a probabilidade do avião cair (http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2015/02/aplicativo-calcula-chance-de-aviao-cair-ideia-e-reduzir-medo-de-voar.html). Usando as palavras de Shapin (21), "não há limites para considerações que possam ser relevantes para assegurar credibilidade". Shapin traz também neste capítulo a ampla utilização de afirmações já estabilizadas durante o desenvolvimento de uma pesquisa e de seu método científico. Utilizar questões fechadas dentro de seus referenciais, me parece algo muito comum, não somente na ciência. Fico pensando nos enquadramentos realizados para fechar estão questões, no que transbordou e no que ficou de fora. Shapin coloca muito bem a inacessibilidade de um homem comum aos enquadramentos e pesquisas realizadas. É impossível vermos o átomo, então acreditamos no cientista e suas inscrições. Este cientista é alçado a um posto de pessoa "autorizada" para falar do assunto. Assumimos então a conversa como negociação coletiva do conhecimento para lidar com conceitos abstratos e difusos. Uma realidade construída pela forma que nomeamos as "coisas"; construída dentro de um contexto interacional, mas que deixa de fora muitas coisas que poderiam colocar em risco, ou não, a credibilidade do fato.
Neste segundo capítulo, o autor coloca muito em voga a questão da credibilidade dentro da ciência, e como a transformação da forma que a observamos -tirando-a de cima de um pilar inacessível- trouxe consigo questionamentos de sua própria veracidade. Afinal, no momento em que passamos a entender que a ciência é alcançável por qualquer um, mais ainda passamos a considerar que nossas falhas também podem-na alcançar. E com isso, começamos então a igualmente nos perguntar como ela pode ou não afinal nos ser convincente, e por quais critérios. Ler esse texto em especial me remeteu muito a uma época também onde eu me dispus a ler um livro de Stephen Hawking sobre buracos negros, e -coinscidentemente- em uma passagem sobre os pulsares, ele acabou alegando que todas as descobertas dentro da física continuavam a carregar um status de "teoria". O que na época me irritou demais, afinal eu NUNCA em meus tempos de escola fui permitida questionar a veracidade daquilo que estudava! Eu não podia duvidar. Eu tinha a obrigação moral de me deixar ser convencida. Só que após ler este trecho em seu livro, finalmente eu me permiti chegar a realização de que em fato a ciência é mais suscetível ao questionamento do que às vezes acreditamos ser. E que lentamente, com o advento do fácil acesso ao conhecimento, mais e mais estamos tendo a possibilidade de decidir entendê-la antes de aceitar. Aumentando com isso a nossa demanda por credibilidade, dentro de uma nova comunidade social em que cometer o erro de acreditar naquilo que não é verdadeiro passou a ser elemento de constrangimento.
Ao colocar em questão a credibilidade da própria ciência, Shapin usa a imagem de Codélia, personagem da tragédia de Shakespeare, que recusando-se a fazer uso da oratória e do discurso bajulador para falar do seu amor verdadeiro pelo e ao pai, acaba sendo "descredibilizada", desmentida. De fato, não se pode provar a veracidade de algo que é invisível, a não ser pela pacto que fazemos dentro das relações sociais. A ciência é um fato social, uma criação, um acordo que unifica um grupo e identifica seus membros em torno de uma verdade! Muito perspicaz essa analogia para entender que fazer valer o saber da ciência numa sociedade tem a ver com os seus discursos, com o valor que lhe é dado em função do poder exercido sobre práticas entre os indivíduos. Ou seja, é preciso sobretudo acreditar, para que a mesma desempenhe seu poderio. Acredito que o átomo exista, assim como o inconsciente, através de um legado cultural o qual me insiro, nada aqui me é dado por provas empíricas, mas sou tomada por eles. Desta forma, a ciência que atravessa nosso cotidiano e condiciona todo nosso modo de vida, o faz através de uma operação simbólica sobre nossos imaginários coletivos, onde sistemas de pensamento e teorias científicas são sustentadas por valores e crenças, em dada época e sociedade. Como o autor coloca, a preocupação atual da comunidade científica é saber sobre as condições que pressupõe qualquer conjunto possível de conhecimento numa certa sociedade.
LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa Reação ao capítulo 2 do livro “Nunca Pura”
A credibilidade da ciência é um ponto que me preocupa bastante. A maior parte da sociedade não tem acesso aos dados das pesquisas científicas, sendo levada a acreditar que os resultados apresentados refletem a verdade. O problema é que muitas vezes o interesse financeiro precede o interesse social. Cito como exemplo a farinha multimistura, que foi objeto de tese de doutorado de uma colega do HCTE. A farinha multimistura é uma tecnologia social difundida como complemento alimentar para o combate à mortalidade infantil e a desnutrição. Geralmente composta por farelo (de arroz, de trigo e/ou de milho), sementes (de abóbora, melancia e/ou gergelim), pó de folhas verde-escuras (de aipim, de batata doce e de abóbora) e cascas de ovos, apresenta variações regionais em termos quantitativos e qualitativos da formulação. A eficácia da multimistura foi comprovada por milhares de crianças subnutridas no Brasil, mas seu uso foi proibido pelo governo brasileiro, em favor do Mucilon e da Farinha Láctea da Nestlé, pois o valor nutricional da multimistura não foi “cientificamente comprovado”. Outro problema de credibilidade da ciência são os causados grupos radicais, como por exemplo o movimento antivacina, o terraplanismo, etc. A sociedade espera por verdades conclusivas, mas a ciência aponta para teses e hipóteses provisórias, que podem ser confirmadas, refutadas ou transformadas, à medida que o conhecimento científico é construído. Enquanto isso, diferentes interesses de diferentes grupos clamam por regulamentação deste conhecimento. Neste panorama de incertezas, o diálogo entre a comunidade científica e a sociedade é essencial, e tanto as possibilidades benéficas das pesquisas como seus possíveis riscos devem ser conhecidos por todos os participantes.
Reação Capítulo 2 O Amor de Cordélia Ao ler este capítulo, permeou em minha mente vários questionamentos: Como mensurar o imensurável? Como apresentar na Ciência, fatores identificados numa pesquisa que não são tangíveis, mas que devem ser levados em conta? Como validar a ciência levando em conta a credibilidade? O reconhecimento da verdade deve ser simples, mas o que verificamos na ciência é a utilização da retórica, da capacidade de uma boa argumentação do discurso para validar algo que muitas vezes é necessário para poder validar uma pesquisa. Mas o que é preciso que um trabalho possua para ter credibilidade? Quando possui um quantitativo de publicações associadas à ele? Quando consegue parceria/pares? Para terminar minha reflexão, vou mais além: como identificar/vislumbrar em uma pesquisa o surgimento de um novo invento até então não previsto? “ A sacarina, um adoçante artificial, é algo em torno de 400 vezes mais doce que o açúcar. A substância foi descoberta em 1879 pelo químico russo Constantine Fahlberg, que estava trabalhando em uma análise de alcatrão de carvão. Após um longo dia no laboratório, ele se esqueceu de lavar as mãos antes de comer o jantar. Ao notar que a comida estava doce, ele voltou para o laboratório, até que encontrou os resultados de uma experiência que combina ácido o-sulfobenzóico, cloreto de fósforo e amônia. Fahlberg patenteou a sacarina em 1884 e começou a produção em massa. O adoçante artificial se tornou popular quando o açúcar foi racionado, durante a Primeira Guerra Mundial Fonte: https://noticias.uol.com.br/ciencia/album/2014/11/27/veja-20-coisas-que-foram-descobertas-sem-querer.htm?mode=list&foto=20
A leitura causou a reação ao um artigo de 2007 que avalia a imagem da comunidade acadêmica aos olhos da sociedade, o trabalho realizado pelo ministério de ciência e tecnologia mostrou que comunidade acadêmica apresentou credibilidade pública, diante da pergunta “ Se você desejar receber informações sobre algum assunto importante para você e para a sociedade, quem te inspira menor confiança como fonte de informações? ”. Apenas 2% dos participantes votaram nos cientistas que trabalham em universidades quem apresentou pior resultado foram os religiosos (18%) e políticos (84%), levando em consideração o pouco acesso as produções cientificas pela sociedade brasileira acredito que a população, fazendo um paralelo com capítulo 1, tem fé em nossos cientistas, não havendo qualquer censo critico pela massa, o autor demonstra a preocupação com esse quadro, em tempos de fake news a necessidade do contraditório e essencial para sociedade.
O Amor de Cordélia: Credibilidade e os Estudos Sociais da Ciência Lendo o capítulo, podemos identificar uma preocupação em: até que ponto devemos ou podemos crer em uma determinada informação ou notícia? É fato que, nos dias de hoje, trabalhar a informação tem sido um fator determinístico para que se alcance um objetivo. A questão é de que forma tem-se disseminado essa informação? São informações válidas? Verdadeiras? O que temos visto é que nos encontramos imersos em um ambiente interligado, que nos permite ter acesso às mais diversas informações e em altíssima velocidade, estando essas informações corretas ou não, fake News. Dessa forma, talvez, a nossa preocupação deveria ser criar uma cultura do contraditório, para que, a população, possa ter a necessidade de verificação e constatação da veracidade dessas informações, o que nos remete ao capítulo anterior, a necessidade de uma comprovação.
No capítulo 2 Shapin faz uma analogia entre a credibilidade dada à Cordélia, por seu pai, e a credibilidade dada aos resultados apresentados dos experimentos. Na história de Lear e suas filhas, o rei não consegue enxergar a verdade por mais obvia que fosse. Assim também era em relação à ciência, no século XVII, pois não era acessível a muitos. Para Bacon “a verdade em saber e a verdade de ser são uma, diferindo não mais do que um raio de luz e um raio refletido”. Basicamente nos faz perceber que a credibilidade do resultado apresentado está diretamente relacionada à credibilidade associada a quem fez os estudos/experimentos e apresenta os resultados. Também nos mostra que o objeto de pesquisa pode ter interferência política e/ou econômica. Apresentou um exemplo bastante ilustrativo sobre como resultados de uma pesquisa/experimento podem servir a interesses políticos. A pesquisa era sobre os possíveis danos genéticos em humanos causados pelo tetraidrocanabinol, pelo LSD e pelo café. Para alguns membros do grupo, parecia que as evidências implicavam que a cafeína, na mesma concentração que alcançavam suas gônodas, eram convincentes, enquanto as que apontavam para os riscos celulares associados a fumar maconha e ingerir LSD eram dúbias. Segundo as discussões subsequentes, os trabalhos que apontavam para os perigos do café eram tidos, no máximo, como ambíguos e não-convincentes, ao passo que as evidências que estabeleciam os riscos da maconha e do LSD foram considerados como cientificamente seguros.
Shapin demonstra que, tanto quanto tempo e espaço, a credibilidade é um fator imprescindível da ciência. Isto a aproxima de todas as outras práticas culturais. A credibilidade de algo para alguém, na ciência ou em qualquer outra prática cultural, se constrói a partir de um consenso moral de uma dada comunidade, podendo partir de considerações as mais diversas, e não sendo, portanto, apropriado se pensar em uma única teoria, uma fórmula, a partir da qual ela se constitua. No caso específico da ciência, a credibilidade encontra-se no âmbito de uma relação metonímica: permite o acesso indireto a algo que (ainda) não é possível acessar diretamente. Assim, “afirmações científicas – desde que alcancem credibilidade – agem como uma forma de comunicação rápida com o mundo natural” (p. 23). Além disso, a credibilidade na ciência tem a ver também com o próprio contexto no qual os conceitos são construídos, no qual determinados sujeitos – cientistas especialistas do fenômeno em questão – tem a legitimidade para fazer afirmações, que todos os demais, leigos (inclusive cientistas de outras áreas) tenderão a dar credibilidade. Soma-se a isso a construção de todo um léxico verbal. Como aponta o autor, “é possível que muitas noções, que fluem a partir da especialidade cultural humana e científico-social, gozem de uma vantagem de credibilidade pela virtude de serem versões em tom elevado de locuções já presentes – de certa forma e até certo grau – na cultura leiga” (p. 28). Talvez não seja exagero dizer, então, que temos credibilidade porque falamos bonito e poucos nos entendem...
No Capítulo 2 a credibilidade da ciência é enfatizada e nos faz pensar o quanto algumas teorias científicas são efêmeras, uma vez que as mesmas podem ser refutadas ou acrescidas de algum estudo a mais. O que faz as pessoas desconfiarem da ciência?
Entender o motivo das pessoas desconfiarem da ciência será de grande respaldo no entendimento do que necessita ser estimulado para que as pessoas levem a ciência mais a sério, sem contudo não perder o senso crítico ou a necessidade do contraditório. A ideologia política em vários os lugares do mundo, tem sido vista por muitos pesquisadores como o principal culpado do ceticismo em relação à ciência.
No capítulo “O amor de Cordélia”, Shapin nos fala sobre credibilidade, sobre a credibilidade da ciência. Buscando o significado de credibilidade no Aurélio _ amigo de longa data - encontramos: qualidade do que é crível; qualidade do que é confiável; característica de quem consegue ou conquista a confiança de alguém. O dicionário apresenta como sinônimos de credibilidade os termos credulidade e confiabilidade. Essa aproximação de confiança (que seria um termo mais adequado para falarmos do conhecimento gerado pelas tecnociências) com crença ou credulidade é incômoda e não passa despercebida pelo autor. Ao relatar experimentos com drogas - café, maconha e LSD - o autor nos faz entender como nosso tempo e local condicional ou limitam os achados científicos. Em determinado tempo e local, em determinado ambiente ou locus de pensamento coletivo (Fleck), falar de riscos do consumo do café é muito mais arriscado para os cientistas do que “comprovar” os riscos do consumo de maconha ou de LSD. Assim, entendemos que o conhecimento produzido pelas tecnociências, aquele validado e que tem credibilidade, é construído coletivamente, e por coletivos que não se restringem apenas aos que chamamos de círculos acadêmicos.
Aqui Shapin chama atenção para a compreensão do que seja a verdade. A retórica é mera ferramenta de persuasão, que a depender da forma e do excesso com que se aplica, dá mais sinais de fragilidade da veracidade de algo que se queira convencer. Pensar em retórica me remete sempre a anúncios publicitários e suas capacidades de, em maior ou menor medida, sempre ludibriar aquele de quem se quer o dinheiro em troca da maravilha tecnológica que esteja oferecendo. Em diferentes níveis, podemos observar tal questão em anúncio de aparelhos eficientes de barbear que nunca promovem o resultado de lhe deixar com a pele da face semelhante à do Cristiano Ronaldo, assim como a “maravilhosa” câmera tecpic, que pode ser parcelada em 12 vezes de 69,99 mas você pode pagar apenas parcelas de 29,99 se ligar nos próximos cinco minutos e pedir a sua, para enfim receber um produto da mais baixa categoria no mercado em que a empresa se dedica investir apenas na retórica do anúncio e entregar algo muito abaixo do mínimo esperado. A retórica é exercício de convencimento, e quanto mais se investe nela, mais frágil é o fato/artefato científico envolvido. A verdade verdadeira é aquela que nos atende, tem um brilho próprio, e seus resultados são de imediata assimilação por quem se beneficia, ou não, daquela verdade.
No capítulo 2 Shapin entra na questão do conceito de credibilidade, objetividade e verdade. Afinal o que é a verdade? Comentei sobre a palestra do professor Ivan na reação do capítulo 1, todos acreditamos que a forma era de um guarda-chuva. Um ponto interessante sobre verdade e credibilidade é a indução. Hoje viajo de avião pois eu induzo que ele não vai cair, mas eu não tenho garantia nenhuma que ele não vai cair. Eu viajo pois o fato de o avião voar e da chance de ele cair ser pequena é uma verdade para mim. Eu confio nos procedimentos utilizados para o avião voar, eu me baseio na multiplicidade de testemunhos de pessoas que utilizaram aviões e estão vivas para contar, no ato de que colocar um avião para voar é amplamente replicado e confio nas inscrições e seus porta-vozes que afirmam que a chance de um avião cair é de 1 em 90 milhões (Arnold Barnett, Instituto de Teconologia de Massachussets). Para os mais céticos, existe até um aplicativo que calcula a probabilidade do avião cair (http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2015/02/aplicativo-calcula-chance-de-aviao-cair-ideia-e-reduzir-medo-de-voar.html). Usando as palavras de Shapin (21), "não há limites para considerações que possam ser relevantes para assegurar credibilidade".
ResponderExcluirShapin traz também neste capítulo a ampla utilização de afirmações já estabilizadas durante o desenvolvimento de uma pesquisa e de seu método científico. Utilizar questões fechadas dentro de seus referenciais, me parece algo muito comum, não somente na ciência. Fico pensando nos enquadramentos realizados para fechar estão questões, no que transbordou e no que ficou de fora. Shapin coloca muito bem a inacessibilidade de um homem comum aos enquadramentos e pesquisas realizadas. É impossível vermos o átomo, então acreditamos no cientista e suas inscrições. Este cientista é alçado a um posto de pessoa "autorizada" para falar do assunto. Assumimos então a conversa como negociação coletiva do conhecimento para lidar com conceitos abstratos e difusos. Uma realidade construída pela forma que nomeamos as "coisas"; construída dentro de um contexto interacional, mas que deixa de fora muitas coisas que poderiam colocar em risco, ou não, a credibilidade do fato.
Neste segundo capítulo, o autor coloca muito em voga a questão da credibilidade dentro da ciência, e como a transformação da forma que a observamos -tirando-a de cima de um pilar inacessível- trouxe consigo questionamentos de sua própria veracidade. Afinal, no momento em que passamos a entender que a ciência é alcançável por qualquer um, mais ainda passamos a considerar que nossas falhas também podem-na alcançar. E com isso, começamos então a igualmente nos perguntar como ela pode ou não afinal nos ser convincente, e por quais critérios.
ResponderExcluirLer esse texto em especial me remeteu muito a uma época também onde eu me dispus a ler um livro de Stephen Hawking sobre buracos negros, e -coinscidentemente- em uma passagem sobre os pulsares, ele acabou alegando que todas as descobertas dentro da física continuavam a carregar um status de "teoria". O que na época me irritou demais, afinal eu NUNCA em meus tempos de escola fui permitida questionar a veracidade daquilo que estudava! Eu não podia duvidar. Eu tinha a obrigação moral de me deixar ser convencida. Só que após ler este trecho em seu livro, finalmente eu me permiti chegar a realização de que em fato a ciência é mais suscetível ao questionamento do que às vezes acreditamos ser. E que lentamente, com o advento do fácil acesso ao conhecimento, mais e mais estamos tendo a possibilidade de decidir entendê-la antes de aceitar. Aumentando com isso a nossa demanda por credibilidade, dentro de uma nova comunidade social em que cometer o erro de acreditar naquilo que não é verdadeiro passou a ser elemento de constrangimento.
Ao colocar em questão a credibilidade da própria ciência, Shapin usa a imagem de Codélia, personagem da tragédia de Shakespeare, que recusando-se a fazer uso da oratória e do discurso bajulador para falar do seu amor verdadeiro pelo e ao pai, acaba sendo "descredibilizada", desmentida. De fato, não se pode provar a veracidade de algo que é invisível, a não ser pela pacto que fazemos dentro das relações sociais. A ciência é um fato social, uma criação, um acordo que unifica um grupo e identifica seus membros em torno de uma verdade! Muito perspicaz essa analogia para entender que fazer valer o saber da ciência numa sociedade tem a ver com os seus discursos, com o valor que lhe é dado em função do poder exercido sobre práticas entre os indivíduos. Ou seja, é preciso sobretudo acreditar, para que a mesma desempenhe seu poderio. Acredito que o átomo exista, assim como o inconsciente, através de um legado cultural o qual me insiro, nada aqui me é dado por provas empíricas, mas sou tomada por eles. Desta forma, a ciência que atravessa nosso cotidiano e condiciona todo nosso modo de vida, o faz através de uma operação simbólica sobre nossos imaginários coletivos, onde sistemas de pensamento e teorias científicas são sustentadas por valores e crenças, em dada época e sociedade. Como o autor coloca, a preocupação atual da comunidade científica é saber sobre as condições que pressupõe qualquer conjunto possível de conhecimento numa certa sociedade.
ResponderExcluirAutor do comentário acima: Andréa Garcia da Rocha
ExcluirLABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
ResponderExcluirAluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
Reação ao capítulo 2 do livro “Nunca Pura”
A credibilidade da ciência é um ponto que me preocupa bastante. A maior parte da sociedade não tem acesso aos dados das pesquisas científicas, sendo levada a acreditar que os resultados apresentados refletem a verdade. O problema é que muitas vezes o interesse financeiro precede o interesse social. Cito como exemplo a farinha multimistura, que foi objeto de tese de doutorado de uma colega do HCTE. A farinha multimistura é uma tecnologia social difundida como complemento alimentar para o combate à mortalidade infantil e a desnutrição. Geralmente composta por farelo (de arroz, de trigo e/ou de milho), sementes (de abóbora, melancia e/ou gergelim), pó de folhas verde-escuras (de aipim, de batata doce e de abóbora) e cascas de ovos, apresenta variações regionais em termos quantitativos e qualitativos da formulação. A eficácia da multimistura foi comprovada por milhares de crianças subnutridas no Brasil, mas seu uso foi proibido pelo governo brasileiro, em favor do Mucilon e da Farinha Láctea da Nestlé, pois o valor nutricional da multimistura não foi “cientificamente comprovado”.
Outro problema de credibilidade da ciência são os causados grupos radicais, como por exemplo o movimento antivacina, o terraplanismo, etc.
A sociedade espera por verdades conclusivas, mas a ciência aponta para teses
e hipóteses provisórias, que podem ser confirmadas, refutadas ou transformadas,
à medida que o conhecimento científico é construído. Enquanto isso, diferentes
interesses de diferentes grupos clamam por regulamentação deste conhecimento.
Neste panorama de incertezas, o diálogo entre a comunidade científica e a sociedade
é essencial, e tanto as possibilidades benéficas das pesquisas como seus possíveis
riscos devem ser conhecidos por todos os participantes.
Reação Capítulo 2
ResponderExcluirO Amor de Cordélia
Ao ler este capítulo, permeou em minha mente vários questionamentos: Como mensurar o imensurável? Como apresentar na Ciência, fatores identificados numa pesquisa que não são tangíveis, mas que devem ser levados em conta? Como validar a ciência levando em conta a credibilidade?
O reconhecimento da verdade deve ser simples, mas o que verificamos na ciência é a utilização da retórica, da capacidade de uma boa argumentação do discurso para validar algo que muitas vezes é necessário para poder validar uma pesquisa.
Mas o que é preciso que um trabalho possua para ter credibilidade? Quando possui um quantitativo de publicações associadas à ele? Quando consegue parceria/pares?
Para terminar minha reflexão, vou mais além: como identificar/vislumbrar em uma pesquisa o surgimento de um novo invento até então não previsto?
“ A sacarina, um adoçante artificial, é algo em torno de 400 vezes mais doce que o açúcar. A substância foi descoberta em 1879 pelo químico russo Constantine Fahlberg, que estava trabalhando em uma análise de alcatrão de carvão. Após um longo dia no laboratório, ele se esqueceu de lavar as mãos antes de comer o jantar. Ao notar que a comida estava doce, ele voltou para o laboratório, até que encontrou os resultados de uma experiência que combina ácido o-sulfobenzóico, cloreto de fósforo e amônia. Fahlberg patenteou a sacarina em 1884 e começou a produção em massa. O adoçante artificial se tornou popular quando o açúcar foi racionado, durante a Primeira Guerra Mundial
Fonte: https://noticias.uol.com.br/ciencia/album/2014/11/27/veja-20-coisas-que-foram-descobertas-sem-querer.htm?mode=list&foto=20
A leitura causou a reação ao um artigo de 2007 que avalia a imagem da comunidade acadêmica aos olhos da sociedade, o trabalho realizado pelo ministério de ciência e tecnologia mostrou que comunidade acadêmica apresentou credibilidade pública, diante da pergunta “ Se você desejar receber informações sobre algum assunto importante para você e para a sociedade, quem te inspira menor confiança como fonte de informações? ”. Apenas 2% dos participantes votaram nos cientistas que trabalham em universidades quem apresentou pior resultado foram os religiosos (18%) e políticos (84%), levando em consideração o pouco acesso as produções cientificas pela sociedade brasileira acredito que a população, fazendo um paralelo com capítulo 1, tem fé em nossos cientistas, não havendo qualquer censo critico pela massa, o autor demonstra a preocupação com esse quadro, em tempos de fake news a necessidade do contraditório e essencial para sociedade.
ResponderExcluirO Amor de Cordélia: Credibilidade e os Estudos Sociais da Ciência
ResponderExcluirLendo o capítulo, podemos identificar uma preocupação em: até que ponto devemos ou podemos crer em uma determinada informação ou notícia?
É fato que, nos dias de hoje, trabalhar a informação tem sido um fator determinístico para que se alcance um objetivo. A questão é de que forma tem-se disseminado essa informação? São informações válidas? Verdadeiras?
O que temos visto é que nos encontramos imersos em um ambiente interligado, que nos permite ter acesso às mais diversas informações e em altíssima velocidade, estando essas informações corretas ou não, fake News. Dessa forma, talvez, a nossa preocupação deveria ser criar uma cultura do contraditório, para que, a população, possa ter a necessidade de verificação e constatação da veracidade dessas informações, o que nos remete ao capítulo anterior, a necessidade de uma comprovação.
No capítulo 2 Shapin faz uma analogia entre a credibilidade dada à Cordélia, por seu pai, e a credibilidade dada aos resultados apresentados dos experimentos.
ResponderExcluirNa história de Lear e suas filhas, o rei não consegue enxergar a verdade por mais obvia que fosse. Assim também era em relação à ciência, no século XVII, pois não era acessível a muitos. Para Bacon “a verdade em saber e a verdade de ser são uma, diferindo não mais do que um raio de luz e um raio refletido”.
Basicamente nos faz perceber que a credibilidade do resultado apresentado está diretamente relacionada à credibilidade associada a quem fez os estudos/experimentos e apresenta os resultados. Também nos mostra que o objeto de pesquisa pode ter interferência política e/ou econômica.
Apresentou um exemplo bastante ilustrativo sobre como resultados de uma pesquisa/experimento podem servir a interesses políticos. A pesquisa era sobre os possíveis danos genéticos em humanos causados pelo tetraidrocanabinol, pelo LSD e pelo café. Para alguns membros do grupo, parecia que as evidências implicavam que a cafeína, na mesma concentração que alcançavam suas gônodas, eram convincentes, enquanto as que apontavam para os riscos celulares associados a fumar maconha e ingerir LSD eram dúbias. Segundo as discussões subsequentes, os trabalhos que apontavam para os perigos do café eram tidos, no máximo, como ambíguos e não-convincentes, ao passo que as evidências que estabeleciam os riscos da maconha e do LSD foram considerados como cientificamente seguros.
Shapin demonstra que, tanto quanto tempo e espaço, a credibilidade é um fator imprescindível da ciência. Isto a aproxima de todas as outras práticas culturais. A credibilidade de algo para alguém, na ciência ou em qualquer outra prática cultural, se constrói a partir de um consenso moral de uma dada comunidade, podendo partir de considerações as mais diversas, e não sendo, portanto, apropriado se pensar em uma única teoria, uma fórmula, a partir da qual ela se constitua. No caso específico da ciência, a credibilidade encontra-se no âmbito de uma relação metonímica: permite o acesso indireto a algo que (ainda) não é possível acessar diretamente. Assim, “afirmações científicas – desde que alcancem credibilidade – agem como uma forma de comunicação rápida com o mundo natural” (p. 23). Além disso, a credibilidade na ciência tem a ver também com o próprio contexto no qual os conceitos são construídos, no qual determinados sujeitos – cientistas especialistas do fenômeno em questão – tem a legitimidade para fazer afirmações, que todos os demais, leigos (inclusive cientistas de outras áreas) tenderão a dar credibilidade. Soma-se a isso a construção de todo um léxico verbal. Como aponta o autor, “é possível que muitas noções, que fluem a partir da especialidade cultural humana e científico-social, gozem de uma vantagem de credibilidade pela virtude de serem versões em tom elevado de locuções já presentes – de certa forma e até certo grau – na cultura leiga” (p. 28). Talvez não seja exagero dizer, então, que temos credibilidade porque falamos bonito e poucos nos entendem...
ResponderExcluirNo Capítulo 2 a credibilidade da ciência é enfatizada e nos faz pensar o quanto algumas teorias científicas são efêmeras, uma vez que as mesmas podem ser refutadas ou acrescidas de algum estudo a mais.
ResponderExcluirO que faz as pessoas desconfiarem da ciência?
Entender o motivo das pessoas desconfiarem da ciência será de grande respaldo no entendimento do que necessita ser estimulado para que as pessoas levem a ciência mais a sério, sem contudo não perder o senso crítico ou a necessidade do contraditório.
A ideologia política em vários os lugares do mundo, tem sido vista por muitos pesquisadores como o principal culpado do ceticismo em relação à ciência.
No capítulo “O amor de Cordélia”, Shapin nos fala sobre credibilidade, sobre a credibilidade da ciência. Buscando o significado de credibilidade no Aurélio _ amigo de longa data - encontramos: qualidade do que é crível; qualidade do que é confiável; característica de quem consegue ou conquista a confiança de alguém. O dicionário apresenta como sinônimos de credibilidade os termos credulidade e confiabilidade.
ResponderExcluirEssa aproximação de confiança (que seria um termo mais adequado para falarmos do conhecimento gerado pelas tecnociências) com crença ou credulidade é incômoda e não passa despercebida pelo autor. Ao relatar experimentos com drogas - café, maconha e LSD - o autor nos faz entender como nosso tempo e local condicional ou limitam os achados científicos. Em determinado tempo e local, em determinado ambiente ou locus de pensamento coletivo (Fleck), falar de riscos do consumo do café é muito mais arriscado para os cientistas do que “comprovar” os riscos do consumo de maconha ou de LSD.
Assim, entendemos que o conhecimento produzido pelas tecnociências, aquele validado e que tem credibilidade, é construído coletivamente, e por coletivos que não se restringem apenas aos que chamamos de círculos acadêmicos.
Bruno Mussa
ResponderExcluirAqui Shapin chama atenção para a compreensão do que seja a verdade. A retórica é mera ferramenta de persuasão, que a depender da forma e do excesso com que se aplica, dá mais sinais de fragilidade da veracidade de algo que se queira convencer. Pensar em retórica me remete sempre a anúncios publicitários e suas capacidades de, em maior ou menor medida, sempre ludibriar aquele de quem se quer o dinheiro em troca da maravilha tecnológica que esteja oferecendo. Em diferentes níveis, podemos observar tal questão em anúncio de aparelhos eficientes de barbear que nunca promovem o resultado de lhe deixar com a pele da face semelhante à do Cristiano Ronaldo, assim como a “maravilhosa” câmera tecpic, que pode ser parcelada em 12 vezes de 69,99 mas você pode pagar apenas parcelas de 29,99 se ligar nos próximos cinco minutos e pedir a sua, para enfim receber um produto da mais baixa categoria no mercado em que a empresa se dedica investir apenas na retórica do anúncio e entregar algo muito abaixo do mínimo esperado. A retórica é exercício de convencimento, e quanto mais se investe nela, mais frágil é o fato/artefato científico envolvido. A verdade verdadeira é aquela que nos atende, tem um brilho próprio, e seus resultados são de imediata assimilação por quem se beneficia, ou não, daquela verdade.