Capítulo 16 - Reações

Comentários

  1. Neste último capítulo, eu acreditava que a conclusão de Shapin para todo o avanço da ciência pelos séculos até o dia de hoje seria como um ponto final nesta questão. Traindo ele porém a minha expectativa, com uma reticência dúbia altamente inesperada. Só que, no que eu pude ler os seus argumentos, acabei eu mesma percebendo que em seu lugar eu também não teria como ter feito algo de diferente.
    Para nós, a ciência dos dias de hoje existe, convive, atua, e isso nos faz sentido naturalmente. Mas se formos realmente parar para analisar o seu papel em nosso meio, acabaremos não muito diferentes de Shapin, por nos enrolarmos em uma exata definição do que ela de fato significa, ou até onde ela de fato nos atinge intimamente sem conflitar com quaisquer outras crenças pessoais. No que antes a ciência era um hobby, um status, uma ocupação daqueles que possuíam tempo e criatividade de sobra, hoje, a ciência é como uma escadaria com expectativas e exigências para se poder subir. Sendo tudo aquilo que no século XVII a definia, apenas uma sombra agora de sua forma mais complexa e irregular. Uma antiquada imagem ainda visível em seu semblante, mas que não condiz mais com a atual realidade. De certo o que antes foi um "tronco de árvore" firme e simples (ao nossos olhos), hoje é a ramificação de diversos "galhos" de diferentes firmezas indo para todas as possíveis direções. Tocando todos os possíveis limiares da moral e da falta da mesma, e nos incapacitando com isso, de sermos capazes de explicá-la, defini-la sobre qualquer padrão lógico. Por isso eu então devo dizer que minha expectativa sobre a finalização de Shapin fora um pouco rigorosa demais, afinal se eu não me vejo conseguindo, não creio que ele também pudesse explicar com facilidade o que de fato é a manifestação da ciência no mundo moderno sem acabar aderindo derradeiramente ao seu próprio caos.

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  2. A frase é marcante " a ciência fez o mundo moderno e é a ciência que molda a cultura moderna". Confesso que até pouco tempo eu também disseminava esta informação. Fiquei pensando no campo epistemológico da produção da ciência. Quais seriam os "marcos" que poderíamos destacar? Pensei na chamada revolução científica do século XVII vinculada ao contexto social e político da época, a concepção de ciência até o Renascimento e sua natureza contemplativa. O século XX com a estruturação acadêmica, disciplinar, e suas atividades científicas, saberes coproduzidos, saberes produzidos por ciência menos pura, dilemas éticos, bomba atômica, uma certa racionalidade científica se esgueirando, uma tecnociência se destacando. Estaríamos caminhando para uma ciência embasada pela cultura, por uma integração de saberes, incorporando ou dialogando com diferentes epistemologias? Em um mundo em que a Unesco traz um cidadão global, fica difícil não pensarmos que a chamada guerra das ciências esteja ultrapassando a lógica de uma cultura única.

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  3. Cap 16

    Neste capítulo, Shapin afirma que a ciência continua a fazer o Mundo Moderno, menciona a guerra entre a ciência e o que foi chamado de “teologia dogmática”, que foi vencida pela ciência.
    Me chamou atenção o seguinte trecho do texto:

    “Evidências dessa influência e da autoridade contemporânea encontram-se por todo lado, à nossa volta, e são inegáveis. Na academia, e mais especialmente na universidade moderna de pesquisa, são as ciências naturais que têm o orgulho, e as humanidades e as ciências sociais as que as olham com inveja e, por vezes, com ressentimento”.

    Refletindo o capítulo 16, podemos perceber que o mesmo faz várias afirmações quanto a vitória da ciência na chamada guerra das ciências, mas baseado no trecho de texto em destaque, me pergunto, será que a tal guerra das ciências realmente terminou ou continua de maneira velada, talvez com menos intensidade?

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  4. Shapin explora neste capítulo a relevância dada a ciência como contextos social na produção de conhecimento científico, a guerra das ciências e suas implicações para entender a ciência historicamente. Apresentei uma reflexão com a leitura do capitulo, a leitura proporcionou um ambiente atraente, para a investigação, das academias no contexto histórico e Moderno, na produção do conhecimento científico, avaliando os meios pelos quais a ciência moderna apresenta credibilidade, sim podemos perceber a importância dos estudos no campo CTS, para proporcionar um pesquisador crítico da sociedade em que vive, melhorando a relação social da ciência.

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  5. “Ciência e o Mundo Moderno” é o título deste último capítulo onde Shapin confronta o papel da ciência diante da “invenção” no mundo moderno. Onde se faz todo sentido em dizer que ela continua a “Fazer o Mundo Moderno”, como força motriz de todas as mudanças. Faz referência as “guerras das ciências”, em que esta sai vitoriosa, verificada através dos discursos e expertise de seus cientistas que impõe uma autoridade na cultura oficial e sobrepujam o saber do senso comum que circula dentro das sociedades. O conhecimento acadêmico, território das ciências, embora seja marcado por várias revoluções, pela constatação da história das ciências, ainda caminha a pequenos passos diante de certas desigualdades no campo das ciências sociais, da economia e da conquista da paz entre os povos e comunidades. Ainda não se descobriu o método cientifico ou a ciência que pudesse acabar com a fome e os conflitos internos ou externos entre os indivíduos. As ciências ainda não afinadas caminham muitas vezes distanciadas entre si e do que dela se reclama. A ciência moderna, ainda validada, se apoiaria na descrição dos fatos, numa condição de pureza impossível de se constatar, já que realidade é também ficção, ciência também não passa disso, acredito, já que o sujeito imbuído de sua historicidade e subjetividade impregna, e que ainda pouco sabe de si, “dá o tom” certamente a todo o conjunto das ciências. Como as ciências são acordos bem selados, como bem apresenta o autor, o fato é que a ciência nunca é pura!

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  6. Neste capítulo que encerra o livro, tive a impressão de darmos um salto na história. Saímos do século XVII (capítulos anteriores, exceto o capítulo 10) e vamos para o final do século XIX - início do século XX, quando paramos de falar em filósofo natural, erudito, sacerdote, scholar e cavalheiro, e passamos a falar em cientista.
    Shapin, nos chama a atenção para a importância da ciência no Mundo Moderno. Na verdade, a ciência sempre foi a força motriz para todas as mudanças ocorridas nas sociedades.
    Fala da mudança de paradigma do que é senso comum. Segundo Thorstein Veblen, “o senso comum moderno tem que a resposta do cientista é a única verdadeira, em última instância”. Impossível pensar que no século XVII alguém diria que “a resposta de um filósofo” seria senso comum.
    Faz uma clara distinção entre o valor dado às ciências naturais (engenharia, física) e às ciências sociais (sociologia, história) e comprova, com base em dados estatísticos, que, apesar de ser alardeado o triunfo da ciência sobre a religião, ao final do século dezenove, europeus e americanos são mais religiosos que científicos.
    Traz um esclarecimento sobre a distinção entre tecnologista e cientista. “O tecnologista fornece o que a sociedade quer; o cientista costumava dar à sociedade o que ela não sabia que queria...” (pag. 392)
    Finaliza lembrando que os cientistas modernos não são sacerdotes. Suas expertises não são intercambiáveis – nem de uma forma de expertise técnica em relação à outra, nem expertise em relação à autoridade moral”. (pag. 393)

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  7. “Ciência e o Mundo Moderno”, Shapin, talvez, tenha buscado “esclarecer” que o Mundo Moderno sofre suas evoluções em função do desenvolvimento científico, ou até mesmo do que chamou de Guerra das Ciências e suas implicações. Dessa forma, os cientistas se sobrepuseram ao senso comum. Mas, mesmo assim com tamanho desenvolvimento, não estamos 100% puros.

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  8. A ciência e o mundo moderno: existe separação entre ambos? O autor finaliza seu livro, que por sinal foi muito revelador e me trouxe reflexões e críticas muito valiosas, trazendo a tona a relação entre o que chamamos de mundo moderno e o que entendemos por ciência. Já na primeira página do capítulo, ele esclarece que o fato de pensarmos no "mundo moderno" inclui o fato de que estamos pensando numa civilização ocidental, e não em um mundo como um todo. Pode parecer um ponto simples e pequeno numa discussão deste porte, mas quando pensamos que mundo significa todas as civilizações e o que realmente entendemos é apenas uma porção da civilização ocidental na qual vivemos, fica claro, e até um pouco estarrecedor, que temos que assumir a nossa própria ignorância frente aos outros mundos modernos que foram afetados de forma diferente por uma ciência que é diferente da nossa. Em outras palavras, atualmente existem várias ciências que impactam os diversos mundos modernos de cada um dos locais onde esta as ciências são construídas. Ao longo do capítulo, fica claro de que aspectos locais interferem na interpretação dos fatos, ou seja, a tal ilusória neutralidade da ciência, além de não existir, não seria a mesma em cada uma das ciências e dos cientistas e dos laboratórios e das publicações feitas ao redor do mundo. Penso que o fechamento desse livro sumarizou a discussão em minha mente trazendo para o centro do palco este simples, porém gigantesco, raciocínio.

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  9. A ciência venceu. Ela mudou nossa vida e é ela o que define nossa visão de mundo. Ela se tornou universal e são os cientistas quem mandam agora. Problematizando proposições deste tipo, no último capítulo do livro Shapin argumenta que, se por um lado, de fato a ciência influenciou muito o pensamento e o modo de vida ocidental, não é verdade que ela tenha se tornado esse ser onipresente e onipotente... A ciência convive com outros formas de conhecimento, e nem mesmo é verdade que seja um paradoxo pensar religiosamente e tambem cientificamente. Justamente por não ser tão poderosa assim, parece ser sempre um fantasma para os cientistas o medo de perderem esse jogo. Não sendo tão objetivo assim o que é ou não científico e qual método é ou não científico, o medo das pseudociências tira o sono de muitos cientistas... No fundo, no fundo, estamos sempre disputando poder, disputando autoridade... Para o bem ou para o mal.

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  10. Bruno Mussa

    Stevem Shapin finaliza o livro abordando termos do que chama "Ciência-Modernidade", pelo questionamento da cultura moderna como algo inexoravelmente moldada pela ciência. Destaca o diferencial do dinheiro na construção da autoridade científica em diferentes campos, onde transitam diferentes interesses. "Vivemos um mundo científico?" (p.383) as observações do autor não apontam para uma resposta taxativa. Pensando sobre acontecimentos atuais, onde vemos o negacionismo da ciência ganhar força na sociedade com bases nada empíricas, absolutamente subjetivas e fundamentalistas em termos religiosos, vemos que o triunfo da ciência e do conhecimento universal é meramente retórico, independentemente de vivermos cercados de fatos resultantes do processo histórico científico. O que parece ser essencial, portanto, não é meramente "conhecer" ciência, mas saber onde ela está, como encontra-la. "[...] quando o conhecimento se torna propriedade patenteável, então a independência da ciência em relação as instituições civis faz-se, enfim, invisível" (p. 393). A ciência, portanto, deve ser seguida, uma vez que não se dá por meros métodos e rituais, mas é situada e socialmente referenciada, seja da forma que e onde for, nunca pura.

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  11. A ciência fez o mundo moderno e é a ciência que molda a cultura moderna. A frase inicial deste último capítulo me fez refletir sobre os pontos de fronteira existentes e a forma como a sociedade é transformada a partir deles.
    Minha reflexão sobre este tema se dará sobre o tema que venho pesquisando/estudando desde 2017: a deficiência. Sempre me incomodou muito a maneira como este tema era tratado na sociedade, segregando durante um grande período histórico, além de ser excludente através de várias maneiras . Um tema amplo em que não se tem o intuito de ser abordado nesta reação,
    Mas após terminar a leitura deste livro, passo a ter um olhar não menos inquieto, mas com uma visão diferente, onde percebo que este assunto só passou a ser olhado e discutido , quando a ciência passou a dar condições e subsídios para isso. Pois foi através do modelo médico que a pessoa com deficiência passou a ser vista na sociedade, e isso só foi permitido pois através da ciência foram sendo encontradas possibilidades de pesquisa e tratamento para as diferentes deficiência.
    A partir do século passado houve grande avanços que permitiram as pessoas com deficiências muitas conquistas e direitos, sempre atrelados às descobertas que são feitas através da ciência, que pode não ser pura, mas que através das diferentes formas em que é produzida traz avanços nas diferentes fronteiras em que atua.

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  12. POSTANDO PELA EDEL VALY

    CAPÍTULO 16
    CIÊNCIA E O MUNDO MODERNO
    Para a línea de pensamento do final do século XIX e início do século XX, a ciência fez o Mundo Moderno e mudou a cultura moderna. A revolução científica deu lugar à modernidade, “Para o bem e para o mal, a ciência encontra-se no centro de toda dimensão da vida moderna. Ela modelou a maior parte das categorias internas daquilo que pensamos”, diz Richard Westfall em 1986.
    A ciência mudou muito a maneira em que vivemos e provavelmente continuará a mudar no futuro, a forma de nos comunicarmos, alimentarmos, a qualidade e tempo de vida, as comunicações, tecnologia, entre tantas outros.
    Mas realmente vivemos em um mundo científico? Segundo pesquisa de Harris Poll, realizada em 2003 nos Estados Unidos, revelou que 90% dos adultos acredita em Deus, demonstrando a força da religião, apesar dos avanços científicos. Em 2005, apenas 12% dos americanos concordaram com a declaração cientifica de que o homem se desenvolveu ao longo de milhões de anos a partir de formas menos avançadas de vida, sem a participação de Deus no processo.
    Por outro lado, em entrevistas dirigidas a cientistas americanos em 1916, revelaram que 40% acreditavam em Deus. Repetida a pesquisa em 1997, a porcentagem se manteve. Religiosidade e milagres parecem estar fora do jogo científico.
    A religiosidade não tira dos americanos sua fé na ciência, na década de 50, surveys descobriram que 83% dos entrevistados acreditavam que o mundo estava melhor por causa da ciência. No decorrer das décadas esses porcentuais foram decaindo, atingindo mais recentemente, 42% a confiança na comunidade cientifica.
    A ciência moderna, além de progresso, também trouxe questões importantes sobre autoridade e independência. Séculos atrás o cientista detinha um status que o equiparava a um sacerdote, uma autoridade quase religiosa, autoridade perdida pelo cientista moderno. A independência outrora valorizada da ciência e cientista, está cada vez mais difícil de identificar na modernidade, devido aos interesses aos quais serve.

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  13. Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? O capítulo 16 do Nunca Pura de Shapin - “Ciência e o Mundo Moderno” traz a pergunta: foi a ciência que moldou o mundo moderno? Este moderno tem relação com a Idade Moderna. Faço outra pergunta: naquele Mundo Moderno, poderia-se fazer outro tipo de ciência?
    Não dá para sair desta encruzilhada sem fazer baixar o espírito de Fleck e trazer para a mesa os conceitos de estilo de pensamento e de coletivo de pensamento. O coletivo de pensamento é uma comunidade - ou coletivo - que desenvolve atividades sociais - filosóficas, científicas, e demais - que acabam por constituir um estilo de pensamento, ou seja, aquilo que caracteriza o conhecimento de uma época.
    Como Fleck, acredito que não dá para separar conhecimento, ciência e mundo. O conhecimento constitui o mundo e o mundo também molda o conhecimento.

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