Capítulo 15 - Reações

Comentários

  1. Ler este capítulo foi como ver a conclusão de toda uma construção acerca do embate entre os valores do senso comum e os valores dos conhecimentos dos filósofos. Tendo sido Descartes, a consagração final do real valor que havia -e não podia ser menosprezado- acerca deste mesmo senso comum.
    E devo dizer que, no fim, possivelmente tenha sido este senso comum que acabou ganhando o embate. Afinal, a ponderação (temperança) que era debatida pelos filósofos como uma musa intocável porém admirável, as posturas extremas entre o excesso de alimentação e o excesso de dieta, as desconstruções dedutivas do funcionamento fisiológico humano... Tudo isso foi tão bem lidado pela lógica e pelo bom senso de Descartes, que chega a ser impressionante a indireta validação de seus meios através da aceitação popular. Independente de quais relações os seus meios possuíam ou não com a medicina, pois afinal, havia uma lógica muito mais fácil de se entender ao assimilar nosso emocional com os mal-estares físicos, do que se imaginar o funcionamento daqueles vapores que os filósofos-médicos sempre debatiam sobre, e a forma como eles deveriam de ser corretamente domados dentro de nossos corpos.
    Certamente o senso comum é um objeto de grande valia e que não deve ser subestimado, sendo eu uma pessoa que igualmente defende a forma de Descartes de teimosamente agir. Priorizando a sua própria noção, antes da noção daqueles que por não poderem superá-lo na compreensão individual que ele tinha de seu próprio corpo, decidiam tentar padronizá-lo dentro do escopo de seus tratamentos a fim de retomarem algum domínio sobre a razão do método "certo" a ser seguido. Talvez no fim de tudo, aquele que realmente possuía alguma hubris não era Descartes, mas sim os filósofos que não apreciavam ter o seu conhecimento questionado afinal.

    ResponderExcluir
  2. Chegando ao final do livro. Shapin vem desenhando algumas ideias dominantes da verdade e do conhecimento desde o início do livro e dá uma parada no capítulo 15 para uma discussão sobre o senso comum. Teríamos um conhecimento inato que nos ajudaria a nos manter sãos e saudáveis? Shapin desenvolve neste capítulo a ideia de que o programa de reforma filosófica estaria centrado na busca de curas médicas que pudessem estender a vida humana. Descartes é apresentado como aquele que defende um certo interacionismo entre mente e corpo (paixões, e outras sensações), reconhecendo a falta de "pureza" da medicina. Uma medicina pautada pelas incertezas sendo o melhor guia para a solução das doenças o senso comum. Shapin termina o capítulo concluindo que o dualismo seria uma divisão maior da filosofia, história e cultura.

    ResponderExcluir
  3. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  4. Neste Capítulo o autor relata ideias e pensamentos filosóficos de senso comum que foram abordados nos capítulos anteriores, visto que as ideias/pensamentos de Descartes ganham protagonismo no decorrer da leitura com foco principal na filosofia e propósito médico.
    O autor nos leva a uma reflexão logo no início do texto, quando menciona as quatros perguntas que historicamente vem sendo feitas aos filósofos e intelectuais, tais questionamentos visam respostas referentes a vida e morte, riqueza/prosperidade/pobreza, saúde e enfermidade. No entanto, pode-se observar que independentemente da validade ou aceitação científica ou filosófica dos pensamentos ou teorias de Descartes referentes à Medicina, há de se convir que as ideias do mesmo, além de serem logicamente mais simples de se entender, também possui aderência do senso popular comum.

    “A razão triunfante se dá à pretensão de substituir o mundo vivido com sua incoerência, sua opacidade, seus matizes passionais pelo universo inteligível do discurso. Aí, o real em todos os seus domínios tem que ceder ao verdadeiro, para que se imponha a decadência das fábulas, a recusa da afetividade e a desconfiança sistemática da relação com o sensível. O espírito já não se pode apoiar se não em si mesmo: e o racionalismo se sonha na posse de uma verdade que só é verdadeira para si própria”. (Gusdorf, 1960).

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  6. Dentro ainda da discussão entre o paradoxo entre conhecimento e senso comum, no início do capítulo: “Descartes, o Doutor: Racionalismo e suas Terapias”, Shapin apresenta perguntas desconcertantes que percorreram a história das ciências e filosofias a fim de serem solucionadas, envolvendo a felicidade, a virtude, a riqueza pessoal e saúde. Porque, assim se espera, quando se tem o verdadeiro conhecimento sobre as causas se pode ter poder sobre elas. “Se você é tão esperto, por que não é bom” ... ou feliz, ou rico... ou saudável...? Ou seja, se é tão sábio, por que não tem o domínio sobre si? Talvez o maior de todos os conhecimentos é saber que tal conhecimento é falho e incompleto, empurrando contra a parede a arrogância de uma “verdade imaculada” construída pelo conhecimento dos filósofos desde a antiguidade. Levantando a bandeira do autor que pudemos folhear durante esta disciplina, a ciência nunca é pura! Afetos e subjetividade estão presente em todas as operações do pensamento, fazendo de toda racionalidade maculada. Descartes, o filosofo destacado por suas inúmeras contribuições as ciências e a filosofia, em seu dualismo racionalista, acreditava que era possível suspender as paixões do corpo para que se pudesse chegar a uma verdade pura, o pensamento sem os afetos. Entretanto, com o avanço das filosofias e ciências encontramos novos paradigmas, onde o corpo e a linguagem (com todos os seus afetos, contradições e incompletudes), e onde a condição de possibilidade de todo conhecimento se encontra nos sujeitos em relação, na subjetividade e no laço social, onde é pela troca de ideias e experiências que todo saber se opera continuamente.

    ResponderExcluir
  7. Os ensaios de Shapin reunidos no capítulo apresenta reflexões sobre as relações históricas entre ciência e senso comum, surge no capítulo René Descartes com sua proposta do método científico, lembro de leituras no mestrado, na disciplina de metodologia Cientifica, onde professor Fuzzy utilizou como base da disciplina o tão importante texto de Descartes “Discurso sobre o método”, durante as aulas, saímos do senso comum e de nossas individualidades com o tema metodologia Cientifica, para conhecer e utilizar o método científico e racional, onde buscou-se discernir as ilusões dos sentidos. No texto Shapin apresenta Descartes e sua busca por superar, os preconceitos e as superstições religiosas, do senso comum, marcadas por séculos de deseducação científica.

    ResponderExcluir
  8. Shapin nos surpreende (ao menos a mim) com uma outra faceta de René Descartes: o médico. Ou, ao menos, estudioso das questões relacionadas à saúde e à vida.
    Descartes, assim como outros filósofos e estudiosos, era um erudito, mas também um indivíduo comum, com corpo vulnerável e mortal, o eu causava um certo desapontamento, pois como podiam ser tão espertos e serem mortais? Imaginamos que essa seja uma das razões que levou muitos eruditos e filósofos a tentar adquirir a habilidade de prevenir e curar doenças, de aliviar o sofrimento e de prolongar a vida humana.
    Descartes, no seu Discurso do Método anunciava que a filosofia deveria ser renovada e a medicina refundada, com base em princípios filosóficos adequados e seria capaz de nos libertar de inúmeras doenças, tanto do corpo quanto da mente.
    Descartes gastou muitos anos (12) fazendo dissecção em corpos de animais, com o objetivo de aprender como poderia tratar o corpo humano, bem como prevenir e curar doenças. Entretanto, não foi bem sucedido, pois eram corpos animais e não humanos. Ainda assim, escreveu o Descrição do Corpo Humano, publicado postumamente, onde teve início o “conhecei-vos a vós mesmos”.
    Percebe-se que Descartes, como a maioria dos estudiosos, eruditos, filósofos e afins do século XVII dava o mesmo conselho: conhecer-se a si mesmo; comer com moderação; evitar as “paixões da alma”, que seriam todos os sentimentos que tirassem o equilíbrio.

    ResponderExcluir
  9. Shapin continua a sua escrita a filosofia do senso comum, entretanto, da vez agora à Descartes, estudioso da época, onde este, foca suas ideias na questão médica, filosofia e propósito, método científico. As ideias de Descartes, por serem mais simples ao entendimento, foram bem mais aceitas ao senso comum popular. Este defendia uma renovação filosófica e uma redefinição da medicina, dessa forma, poderiam todos serem libertos de diversas doenças do corpo e da mente prolongando a vida.

    ResponderExcluir
  10. LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
    Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
    Reação ao capítulo 15 do livro “Nunca Pura”

    Até o século XVII, a medicina se movia entre os vestígios da concepção tradicional e o constante surgimento de novos (e muitas vezes errôneos) conceitos, que combinados para tentar responder aos problemas à medida que surgissem. Sem um método de análise apropriado e estabelecido, a diferença entre a medicina e as ciências exatas parecia evidente, uma vez que estas últimas conseguiram sistematizar seu corpo de conhecimentos usando o método científico baseado na observação e implementação dos dados coletados.
    No seu Discurso do Método, Descartes afirma que com conhecimento suficiente das causas e remédios das doenças, “nós poderíamos nos livrar de inúmeras doenças, tanto do corpo quanto da alma, e talvez até das enfermidades da velhice.” Durante anos Descartes dissecou vários animais, tentando conhecer melhor o corpo humano e seu funcionamento para poder curar e prevenir doenças. Apesar de ele mesmo reconhecer que não foi muito bem sucedido, pois eram animais e não seres humanos os estudados, ele escreveu Descrição do Corpo Humano, onde ele introduziu o importante conceito do autoconhecimento; e se olharmos os conselhos do “médico” Descartes nas páginas 370 e 371 do livro, veremos que, embora a medicina não fosse a principal área de pensamento de Descartes, parece justo considera-lo como um importante precursor de uma forma de pensar que, ao longo dos séculos, ajudou a criar um entendimento da medicina que a elevou à categoria de ciência.

    ResponderExcluir
  11. Neste capítulo o autor descreve as tentativas de Descartes em prolongar a vida. Ao longo deste capítulo, um grande questionamento esteve presente durante toda a leitura: prolongar a vida, descrito como uma extensa e constante tentativa da medicina, é entendido como sinônimo de viver mais? Ou viver melhor? Ou viver feliz? É descrito no texto como sendo fundamental a melhora no prolongamento da vida, e em segundo lugar uma melhora na qualidade de vida. Fico pensando que essa é uma grande questão que o ser humano precisa refletir sobre, esse desejo quase instintivo em prolongar a vida, viver por mais tempo, mas não necessariamente refletir sobre o porquê ter que viver tanto tempo… Na minha opinião, viver é bom, gosto de estar viva, de poder interagir com os ambientes nos quais me encontro e com outras pessoas e outras formas de vida. No entanto, não penso que prolongar a vida seja necessariamente estender o período de vida em que me encontro agora, ou seja, caso prolongue minha vida por mais 50 anos, será que daqui a 50 anos ainda aproveitarei o fato de estar viva da mesma forma que aproveito hoje? Para além desses questionamentos, o autor esclarece a tentativa de Descartes em desenhar um projeto médico que fosse totalmente diferente e inovador frente as técnicas médicas da época, mas sem sucesso. Como explica Morin, todos os conhecimentos na vida são construídos pela superação, a partir dela; ou seja, um indivíduo analisa o que tem em mãos daquele determinado assunto e, a partir de seus próprios questionamentos e seu próprio arcabouço teórico, constrói em cima daquele, novos conhecimentos.

    ResponderExcluir
  12. O autor inicia o capítulo indicando que historicamente se busca a correlação entre conhecimento científico e virtudes, prazeres, vida material, e saúde/relação com a morte. Mas o foco do capítulo (que na verdade eu diria que percorre grande parte do livro) é o último. Trata-se mais especificamente da relação do conhecimento com a medicina, em sua dimensão teórica e prática. é justamente a possibilidade de levar o conhecimento para uma dimensão prática o que, segundo Shapin, marca o início da modernidade, a partir da confiabilidade. Mas, no âmbito da medicina essa confiabilidade decorre de individualidade: é a partir do conhecimento do próprio corpo que os filósofos fazem inferências médicas. O autor aponta que alguns estudiosos vão ser críticos à medicina da época, dentre eles, Bacon, que diz que a medicina se distanciou da filosofia natural e que precisa retornar à ela; Boyle, que defende uma reforma sistemática da medicina; e Descartes que coloca uma verdadeira reforma filosófica como meta. Descartes é a grande estrela desse capítulo. Shapin dedica a ele várias páginas, demonstrando que o filósofo, ao refletir sobre a possibilidade de prolongamento da vida, apresentou continuidade de pensamento em relação aos estudiosos anteriores, muito mais do quer ter a atitude revolucionária que apregoava e apesar de desprezar a atitude médica e valorizar o senso comum. Descarte dava grande destaque ao poder do pensamento, correlacionando corpo, cérebro, alma e pensamentos. mas se isso parece revolucionário, a argumentação de Shapin é que Descartes, ao invés de reformular a medicina, dava continuidade ao pensamento de estudiosos anteriores: a importância do autoconhecimento, a moderacao, e mesmo a importância de cuidar dos sentimentos são aspectos que já eram considerados antes de Descartes.

    ResponderExcluir
  13. Segundo uma parábola, uma mulher procura Buda para reviver o filho. Buda pede a ela grãos de mostarda de uma casa em que nunca tenha morrido alguém. A mãe não encontra e entende que teria de conviver com a morte….
    Vida e morte possuem valores variantes conforme a cultura e a religião de um povo. Desde sempre a longevidade é uma preocupação das pessoas que buscam entender o sentido da vida e da morte. Descartes endossou por duas vezes o conselho de que se deve ser seu próprio médico, onde buscava refletir sobre hábitos saudáveis como forma de prolongamento da vida. Muitos anos se passaram, muitas descobertas foram feitas e ainda hoje continuamos a refletir sobre o prolongamento da vida.
    No entanto, temos aqui um paradoxo pois além de termos acesso a inúmeras informações sobre como ter uma vida saudável e fatores que podem prolongar a nossa vida temos a discussão sobre “ até que ponto uma vida precisa ser prolongada?” , trazendo questões que envolvem condições clínicas onde o paciente tem uma sobrevida através de aparelhos médicos.
    Sinto que ainda há muito a ser discutido neste cenário carregado de questões pessoais,éticas, morais e religiosas .

    ResponderExcluir
  14. POSTANDO PELA EDEL VALY
    CAPÍTULO 15
    DESCARTES, O DOUTOR
    Racionalismo e suas Terapias - Filosofia e seu próprio médico
    Na Inglaterra do século XVII, existiam bastantes dúvidas em relação à eficácia da medicina e do próprio médico. A medicina era considerada falha, faltava-lhe disciplina na apresentação de evidências, e que somente quando posta sobre fundações de filosofia natural, a medicina teria um uso genuíno para curar, aliviar o sofrimento e prolongar a vida. Robert Boyle, dizia que o médico deveria examinar o corpo do paciente como uma máquina quebrada, e que conforme as partes do próprio autômato, poderia ser posta em condição melhor.
    Em tanto a visão de Descarte era sistemática em termos filosóficos. Em seu livro O discurso do Método, de 1637, anunciava que a filosofia renovada faria de nós, “por assim dizer, os senhores mestres da natureza”. Considerava que a medicina deveria ser refundada com base em princípios filosóficos adequadas, e desta forma “poderíamos nos libertar de inúmeras doenças, tanto do corpo quanto da mente, e talvez até mesmo das enfermidades da idade avançada”. Descarte se comprometeu publicamente a alcançar esses fins, já que havia descoberto um método o que eu levaria inevitavelmente ou conhecimento prático.
    Até a sua morte acreditava na possibilidade do prolongamento da vida humana a partir do conhecimento do próprio corpo e a arte apropriada para tal. Descia que o homem sábio seguindo o conselho do oráculo de Apolo deveria depois de um certo período vira conhecer-se a sim próprio melhor do que seria possível ao qualquer médico endossando desta forma o conselho de que se deve ser seu próprio médico. A sua morte prematura aos 54 anos, foi considerada um golpe na confiabilidade de sua filosofia.
    Tinha por hábito dar conselhos sobre saúde, sendo bastante cético em relação a determinadas terapias médicas. Afirmava que o melhor era conhecer-se a si próprio, agindo como seu próprio médico, aprendendo com o tempo quais alimentos são mais harmoniosos, em que ordem de quantidade deveriam ser inseridos, os melhores tipos de exercício conforme o modo de vida, assim como o padrão de sono. Aconselhava prudência, deixar que o apetite seja o guia e alegrar-se. Acreditava que a tristeza atingia o sistema fisiológico.
    Não somente fazia bem a moderação recomendada no aconselhamento médico, se não que também significava fazer o bem, o quer considerado uma virtude.

    ResponderExcluir
  15. Descartes e medicina? Como eu nunca estudei isso? E olha que eu estudei filosofia na graduação e estudei Descartes e nunca os cuidados com o corpo entraram no programa do curso. Claro que eu sabia que, naquele momento, conhecimento científico e filosófico não eram separados. Mas nunca estudei Descartes e medicina. Nem mesmo quando fiz mestrado em Saúde Pública e voltei a questões filosóficas.
    Talvez porque Descartes não tenha sido um “revolucionário” em sua época, alinhando-se com o coletivo pensamento reinante. Na realidade seus conselhos se alinham aqueles conselhos que se arrastam ao longo do tempo - desde Galeno (quem sabe antes) - e que estão associados ao bom senso: ouvir seu próprio corpo; comer e beber moderadamente; praticar exercícios; comer bem; viver uma vida feliz; e tomar cuidado com as recomendações médicas e com modismos. Talvez seja esta a resposta e a razão de seu meio apagamento no que se refere à medicina - seu apego ao bom senso e sua desautorização da classe médica!
    Gosto mais de Descartes agora.

    ResponderExcluir

Postar um comentário