Capítulo 14 - Reações

Comentários

  1. A pressa é a inimiga da perfeição, diriam alguns. Uma pesquisa bem-feita precisa de base. Mas confesso que as vezes leio alguns textos que me parecem mais embasados do que outros. A primeira coisa que me chamou atenção ao voltar a estudar, quando resolvi fazer o mestrado, foi o quanto uma citação pode dar força a sua escrita. Procurar aliados em textos de outros pesquisadores é quase mandatório, tipo: diga-me com quem andas e eu te direi quem és. É quase como um atestado de bons antecedentes. Por vias das dúvidas, eu tento seguir esses mandamentos, afinal, gato escaldado tem medo de água fria. Há estudantes que não querem fazer citações diretas, textuais em seus trabalhos, preferem as citações indiretas. Deixar de citar, jamais, afinal o seguro morreu de velho. Há aqueles que preferem se auto citar. Sei não, quem semeia vento, colhe tempestade. Provavelmente não conseguirão muitos aliados. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Shapin nos mostrou como se constrói um cientista e deixou claro que uma andorinha sozinha não faz verão. O hábito faz o monge, seja você scholar ou cavaleiro. Para bom entendedor, meia palavra basta.

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  2. Neste capítulo, Shapin definitivamente não se economizou de provérbios para tentar se aprofundar na comparação entre a validade do conhecimento popular, e a validade do conhecimento dos filósofos. Mostrando que havia uma inimizade por parte dos antigos filósofos sobre a validade do senso comum, sendo esta por fim nada mais do que uma mera demonstração de postura orgulhosa e pedante dos próprios filósofos que não aceitariam dividir sua "posição" com pessoas que não estivessem certificadamente à sua altura. E é claro que Shapin igualmente não credibiliza neste capítulo tal postura. Argumentando diversas vezes contradições à essa forma de pensar, no que por muitas ele acaba não se importando muito em deixar o leitor confuso dentro da própria poeira que suas "corridas" levantam entorno do que seria uma análise lógica sobre as propriedades dos provérbios. Tudo, em sua meta de tentar unificar ambos os conhecimentos como facetas de uma única verdade.
    Pessoalmente, eu não acreditei porém que ele iria ter qualquer sucesso em desconstruir e reassimilar a funcionalidade do conhecimento popular transmitido por estes mesmos provérbios durante este capítulo inteiro, pois eu creio que sua compreensão popular, sua "tangibilidade" se encontra em um nível muito além do racional. Em um nível, onde palavras perdem o seu propósito e a compreensão emocional domina nossos processos de assimilação. Tornando talvez este capítulo inteiro para mim, um grande (e irônico) provérbio por si só -sem ter tido a necessidade de se esticar tanto quanto ele o fez, indiretamente, eu assimilei sua vontade e intuito com menos do que algumas palavras gastas nos momentos certos dentro de suas inseguras e prolongadas indagações.

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  3. Shapin neste capítulo: “Economias Proverbiais”, traz apontamentos e reflexões sobre como a linguagem popular do senso comum, que figuraria um forma de compreensão da realidade muito peculiar e própria, em paralelo com a linguagem e cientificidade do conhecimento científico que determina de modo muito errôneo uma superioridade sobre o “outro” modo de dizer ao encontro com a mesma realidade. No terreno criativo da língua, como um modo de nomear, apropriar-se, se pode através de várias figuras de imagens, comumente as metáforas e provérbios, transformar certas experiências em conhecimento universal. Pensar através imagens e dizer através de mitos, oráculos e provérbios, foi um modo muito comum nas sociedades antigas, como a Grécia, berço da civilização ocidental. No entanto, encontramos muitos vestígios disso em sociedades atuais e comunidades onde não se descarta essa modo de operação da língua. A linguagem é aquilo que institui a liberdade para o sujeito e é, do mesmo modo, dentro das relações de convívio e trocas, aquilo que os diferencia e o situa numa determinada posição social frente aos outros indivíduos. A diferença entre classes sociais e posições acadêmicas impõem os lugares de poder de fala, e para alguns a posição de credibilidade e superioridade de seus discursos. No entanto, o que se percebe de fato, são entendimentos genuínos se podem extrair dos conhecimentos populares e das falas fora do terreno do academicismo e do racionalismo científico. Quanto do valor existe nos ditados populares, nas falas dos mais velhos e o quanto isso nos influencia em nossas soluções éticas na vida! As vozes nos nossos avós em seus conselhos de vida nos acompanham muitas vezes durante nossas trajetórias, muito mais do que conselhos dos especialistas e doutores. Isso é fato!

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  4. Shapin neste capitulo argumenta o fato da linguagem popular (Senso Comum) apresentar uma imensa autoridade e poder na sociedade, comparada com a linguagem da comunidade cientifica, como em capítulos anteriores Shapin afirma que o senso comum sempre foi um empreendimento humano limitados pela capacidade de cada indivíduo. A leitura casou uma reflexão nos aspectos da inteligibilidade praticada pelos cientistas, alguns fenômenos, leis da física e de outras ciências, relaciona-se alguma vezes pela assimilação do senso comum, Shapin no texto escreve que os provérbios modificam o senso comum para melhor compreensão do conhecimento cientifico.

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  5. Lendo o capítulo 14, Shapin faz análises e reflexões a respeito da linguagem popular do senso comum face a linguagem cientifica, bem como a grande influência da linguagem popular e autoridade na sociedade da época, dando a entender que tal linguagem de senso comum trata-se de uma limitação da capacidade intelectual do indivíduo, já a linguagem científica denotava superioridade.

    Outrossim, Shapin não se furtou quanto a utilização de ditados populares, bem como provérbios... “ O pássaro que chega antes fica com a minhoca” ...”Durma com os cachorros, acorde com as pulgas”.
    Particularmente, em alguns trechos do capítulo, penso que Shapin poderia ser um pouco mais direto e embasado.

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  6. Neste capítulo, Shapin nos fala sobre provérbios e seus usos; senso comum x expertise; eruditos, filósofos, scholars e como, ao final, se relacionavam em relação aos provérbios.
    Por serem ligados às pessoas comuns, os provérbios e expressões populares semelhantes não eram bem vistos pelos eruditos. Porém, eles poderiam ser marcadores de senso comum.
    Archer Taylor desistiu de definir estruturalmente o que era provérbio. “A definição de um provérbio é difícil demais para que valha à pena tentá-la; e caso combinemos afortunadamente, em uma única definição, todos os elementos essenciais e dermos a cada um deles a ênfase apropriada, nem mesmo assim deveremos ter base para tal”. (pag. 322). Ou seja, apesar de uso comum, não há como defini-lo estruturalmente.
    Nos mostra que a metáfora é um dos recursos utilizados pelos que criam provérbio, e suas características linguísticas são o que ajudam a fazer com que perdure ao longo da história.
    Cita ainda que, segundo Aristóteles, somente os idosos deveriam/poderiam utilizar provérbios livremente por terem o aval da idade e suposta expertise necessárias ao entendimento do que estava falando.
    Segundo o antropólogo Jack Goody, os scholars tiravam os provérbios de contexto, para justificar a “incompetência” do senso comum. Entretanto, muitos eruditos se valeram dos provérbios para transmitirem/perpetuarem seus conhecimentos.
    Comprovando que não há diferença entre os processos cognitivos utilizados pelos eruditos e pelo povo, na década de 1850, T. H. Huxley escreveu que “ciência não é, creio, nada mais que senso comum treinado e organizado”. (pag. 353).
    Reforçando esse pensamento, Albert Einstein disse: “o todo da ciência não é nada mais do que um refinamento do pensamento cotidiano”. (pag. 353).

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  7. Shapin, nesse capítulo, buscou uma comparação entre o conhecimento popular e o filosófico. Para isso, evidenciou, talvez, a “arrogância” dos filósofos da época por não aceitar dividir o espaço com o senso comum de pessoas não “tão gabaritadas” quanto eles. Apesar de passado muitos anos, é ainda possível encontrarmos comportamentos semelhantes em grupos sociais mais recentes. Onde o conhecimento do mais velho é respeitado e passado a diante, não seria o senso comum?
    Shapin, no capítulo, destaca que em prol do conhecimento científico, os provérbios se fazem necessários para que, a partir do senso comum, tenha-se uma linguagem melhorada que facilite a compreensão.

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  8. LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
    Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
    Reação ao capítulo 14 do livro “Nunca Pura”

    Mais uma vez, Shapin procura comparar o conhecimento popular (senso comum) e o conhecimento dos filósofos (pedantes). Ele o faz tentando mostrar como características linguísticas do senso comum (provérbios e ditos populares) podem influenciar corpos de conhecimento maior. Ao pensar sobre vários provérbios populares, tive quase certeza que eles influenciaram a ciência. Vejamos alguns exemplos:
    - “É melhor prevenir do que remediar” provavelmente impulsionou a medicina preventiva, a pesquisa das vacinas, etc.
    - "Filho de peixe, peixinho é", ditado usado para dizer que os filhos são parecidos com seus pais, influenciou o estudo da genética que explicou essa semelhança, pois antes de Mendel (o pai da genética, que viveu no século 19), se achava que isso era resultado de uma mistura de sangue. Daí vem a expressão 'puxou o sangue do pai'.
    - "Quem ama o feio, bonito lhe parece”. Esse provérbio provavelmente se refere à atração romântica, mas pode ter ajudado na descoberta de hormônios que atuam no nosso sistema nervoso central e modulam os comportamentos sociais, como a endorfina, dopamina e oxitocina.
    Corroborando esse raciocínio, na última página do capítulo, Shapin cita vários cientistas que dizem, cada um à sua maneira, que a ciência se baseia no senso comum.

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  9. Será que um dia conseguirei entender um pouco de história das ciências? Vou continuar insistindo porque água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. Se eu ler alguns livros talvez me saia bem, já que em terra de cego quem tem olho é rei. Como quando um burro fala, o outro abaixa a orelha, vou ouvir meus professores e meu orientador com a esperança de que de grão em grão, a galinha enche o papo e de que filho de peixe, peixinho é. Conto ainda com a ajuda de meus colegas pois uma andorinha sozinha não faz verão e a união faz a força.
    Já que Deus ajuda que cedo madruga, devagar se vai ao longe e a pressa é inimiga da perfeição, trabalho muito e devagar. Presto atenção a cada passo pois à noite todos os gatos são pardos e as aparências enganam. Mesmo sabendo que cão que ladra não morde, fico alerta pois onde há fumaça, há fogo. Sou gata escaldada, tenho medo de água fria e acredito que é melhor ficar cada macaco no seu galho!
    Tenho minhas de deficiências, mas aproveito todas as oportunidades. Acredito que quem tem boca vai a Roma; que quem não tem cão, caça com gato; que cavalo dado não se olha os dentes; que mais vale um pássaro na mão do que dois voando; e, principalmente, que , um dia é da caça, outro do caçador.

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  10. Achei esse capítulo simplesmente fantástico! A forma como o autor expõe os diversos elementos que compõem o entendimento dos provérbios e como a tentativa de estabelecer uma economia proverbial é falha para mim foram impressionantes. Nunca pensei que os provérbios pudessem ser elementos tão complexos, pois estão tão presentes no meu cotidiano, que nunca parei para pensar sobre eles. Mas, na verdade, os provérbios não são em si conteúdos, regras, metáforas... estão aquém de um conhecimento científico preciso, mas ainda assim são absolutamente eficazes na passagem de conhecimento aplicado as diversas situações do cotidiano. Como o próprio autor esclarece, os provérbios são usados para passagem de conhecimento prático, conhecimento a ser usado em uma determinada situação em geral de um indivíduo mais velho e sábio para um indivíduo mais novo, que esteja em dúvida e não saiba qual atitude deve tomar. Apesar de estarem atrelados ao senso comum, os provérbios não são meramente senso comum, e para além disso, também não são antagonistas da expertise oriunda da instrução: sua avaliação é para além destes elementos.
    Fiquei impressionada com o fato de os provérbios não terem uma definição propriamente dita e toda tentativa de definição não compreende todas as características e competências de um provérbio em uso. Achei interessante o trecho onde o autor fala que "uma qualidade incomunicável nos diz que uma sentença é proverbial e que a outra não é". Esse trecho me lembrou de um conceito de Morin, o da emergência: o provérbio possui uma emergência linguística que não está contida em nenhuma outra estrutura linguística ou sentença semântica.
    Também considerei digno de nota o fato de o autor esclarecer que ninguém sabe com certeza a origem dos provérbios quem os criou e, ainda assim, são amplamente aceitos independente de sua origem.

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  11. Neste capítulo o autor aborda senso comum e ciência sem hierarquiza-los, o que é bastante raro. O autor demostra que ciência e senso comum (aqui representado pelos provérbios) não são assim tão diferentes como os cientistas gostam de fazer crer. Autoridade se aproxima de tradição; provérbios se aproximam de proposições científicas. Considero a reflexão do capítulo muito importante para pensarmos o quanto é importante compreender o funcionamento de algo antes de critica-lo. Muitos cientistas fazem críticas ferrenhas a outras formas de conhecimento sem nem mesmo compreender a sua complexidade...

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  12. “Devagar se vai longe”

    A disciplina Laboratórios de Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade me fez refletir e repensar sobre diferentes assuntos, mostrando que há ciência em tudo o que vemos, seja ela através de um conhecimento tácito ou implícito. No decorrer dos capítulos debatemos através de um olhar sociotécnico assuntos sobre saúde, alimentação, ética e mais do que isso falamos sobre a vida.
    Neste capítulo em específico Shapin nos fez refletir sobre os provérbios , que trazem consigo a construção através de um conceito moral, uma norma social e mais do que isso, que ele só tem sentido quando é entendido localmente, trazendo intrinsecamente o contexto social em que é aplicado.
    Lembro que quando criança meu pai contava histórias e que quando vinham com algum provérbio ele fazia uma pausa para explicá-lo e contextualizá-lo. Tinha a sensação de que era um conhecimento que era passado de geração em geração e que trazia consigo a valorização da sabedoria humana. Hoje quando queremos saber o que é um provérbio ou até mesmo buscar algum exemplo, basta que se busque em um site de pesquisas e você terá um resultado. Neste caso, ganhamos em quantidade de informações recebidas , mas me pergunto se não estamos perdendo o que é tácito e não pode ser encontrado no mundo virtual.

    “O homem é senhor do que pensa e escravo do que diz”

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  13. Bruno Mussa Cury

    Em "Economias Proverbiais: Como um Entendimento de Algumas Características Linguísticas e Sociais do Senso Comum Pode Lançar Luz sobre Corpos de Conhecimento de Prestígio Maior, A Ciência, por Exemplo", o próprio título faz um resumo bastante objetivo do que Shapin elabora. Ele identifica as "economias" (trocas simbólicas) proverbiais e as traduções do seu propósito na história. Faz um estudo sobre as economias proverbiais onde identifica que todas as tradições geram elementos subversivos, itens de linguagem frequentemente proposicionais que podem ser abordados como marcadores do senso comum ou um contraponto a elementos de uma expertise erudita em que se faz desnecessária tradução da sua base metafórica. Os ditados visam reportar uma experiência acumulada, seja humana ou natural, como uma forma amplamente disseminada de expertise social. À medida que cada um dos provérbios nomeia e configura a situação de forma diferente, também cada um deles oferece recursos para nelas se agir de forma diferente e (como as leis científicas) são generalizações para sumarizar determinadas questões. Normalmente dito de alguém mais velho para um indivíduo que está apreensivo, e vem como a voz dos ancestrais, possuidor atributos e a autoridade corporificados de quem fala, de quem o evoca e acrescenta a sua autoridade pessoal à autoridade ancestral em nome da qual fala. Uma teoria sobre como se originaram não é suficiente para dar conta de como circulam e do sentido que tem em outros contextos. Em suma, Shapin observa que os provérbios estão no centro do conhecimento científico, mas não observa isso como um lamento, apenas como constatação. A sua utilização é parte da economia das trocas e da afirmação de autoridade, e a simplificação é parte da perpetuação de sua utilização ao longo da história. Transmissão para a sociedade requer simplificação, ao contrário da produção e sistematização de dados pela ciência, que passa pelo levantamento, pela complexificação, pela sistematização de dados sob hipóteses. De maneira resumida, ele diz que as estruturas linguísticas dos provérbios são feitas para transmitir a ideia de que algo especial está sendo dito, e sugere com o artigo que desconsideremos o antagonismo ciência x senso comum na análise da tecnociência.

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  14. POSTANDO PELA EDEL VALY
    Economias Proverbiais – Como o entendimento de algumas características linguísticas e sociais do senso comum podem lançar luz sobre corpos de conhecimento de prestígio maior, a ciência, por exemplo
    Os provérbios, formas de linguagem comum, valorizados e muito utilizados pelas pessoas comuns, referem-se, desde que se tem conhecimento deles, à natureza e fatos cotidianos, quase sempre representados através de metáforas, sendo considerados pelos eruditos, como expressões menores, inferiores.
    Shapin se interessa pela interpretação dessa oposição entre a expertise dos eruditos e o senso comum dos provérbios, nos lembrando que no final do Renascimento e início do período moderno, já existia o debate sobre se os provérbios teriam origem erudita ou seriam autenticamente populares.
    O autor argumenta que muitas condenações eruditas dos provérbios, são errôneas, mal direcionadas, e mal concebidas. O interesse do autor é principalmente, oferecer um relato do conhecimento científico e das práticas utilizadas, através da representação da expertise científica.
    E como definir um provérbio? Para Taylor, “a definição de um provérbio é difícil demais para que valha a pena tentá-la; e caso combinemos afortunadamente, em uma única definição, todos os elementos essenciais e dermos a cada um deles a ênfase apropriada, nem mesmo assim deveremos ter uma base para tal. Nenhuma definição será capaz de identificar de forma positiva uma sentença como proverbial. Os que não falam uma língua, nunca conseguirão reconhecer todos os provérbios. Os provérbios não som espécies naturais fixas, geralmente são sentenças breves. A brevidade é utilizada tradicionalmente por folcloristas e linguistas para distingui-los de outros gêneros breves.
    Outra característica dos provérbios, e que representam experiências acumuladas, tanto humana como natural, generalizações, construindo-se relatos que se transmitem através das pessoas por gerações, em muitas ocasiões recomendando determinadas ações. Os provérbios representam um tipo de experiência, de expertise.
    O propósito de utilizar um provérbio é chamar a atenção para uma regra geral aceita e amplamente conhecida. Os eruditos, vem estudando os provérbios, compilando-os, fazendo listas, tentando compreender o seu sentido e coerência. Por outro lado, não podemos falar só em senso comum, já que o uso correto e a oportunidade certa para utilizar um provérbio requer uma certa sabedoria do indivíduo. Aristóteles já dizia que, para fazer uso de provérbios deveria se atingir certa idade.
    Então, existe oposição entre ciência e senso comum?
    Alguns autores afirmam que realmente não existem especialistas reconhecidos em senso comum, mas por outro lado existem especialistas em diversas atividades, assim como também pessoas comuns com algum tipo de expertise. Huxley, em 1850 afirmou que “ciência não é nada mais que senso comum treinado e organizado. Para Einstein “ o todo da ciência não nada mais do que um refinamento do pensamento ou cotidiano”. Planck, concordava: “raciocínio científico não difere de raciocínio comum em espécie, mas tão somente em grau de refinamento e precisão”.
    Na distinção dos provérbios, aparecem alguns pontos sobre os quais devemos prestar atenção: dispensar a oposição tradicional e escrita entre senso comum proverbial e recursos cognitivos de expertise erudita; olhar para as diferenças conforme sugeriu Huxley, economias de conhecimento são organizadas; os objetos de comparação devem ser individualizados: “ciência” versus “senso comum” não funciona.
    Shapin finaliza, “O demônio”, como diz o proverbio, “está nos detalhes”, e como diz outro provérbio, Deus também está.

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