Capítulo 9 - Reações

Comentários

  1. Acerca deste capítulo, ler sobre Robert Hooke foi similar a "assistir" uma novela de drama realista. Hooke foi retratado como uma pedra fundamental para toda a Royal Society e seu funcionamento, mesmo que aos olhos daqueles com quem convivia, ele nada mais significava senão uma "lasca de carvão" que possui seu propósito, mas não o seu charme. E isso de certo até me faz lembrar um pouco das menções aos grandes navios antigos. Que eram estupendos e titânicos ao desbravar os mares, mas por trás dele residiam na realidade o esforço de vários homens em sua praça de máquinas que jamais iriam vir a ganhar qualquer reconhecimento por tal trabalho -e quem sabe Hooke tenha sido até privilegiado neste sentido, pois ele ao menos tinha a possibilidade de ser reconhecido, mesmo quando não atendia aos desejos dos membros ao qual respondia horas como um serviçal, horas como um filósofo em eterno estágio probatório.
    De uma forma ou de outra, muito para mim o capítulo quase se aproximou de admitir que Hooke era praticamente um zelador da ciência. "Limpando" os erros dos inventos alheios, e seguindo com sua -menos social- rotina quando assim o tempo restante lhe permitisse. Sendo que após ler sobre seus desafios em barganhar aceitação popular para as suas invenções, muito me convenci de suas dificuldades pois na dinâmica da aula passada que simulava a Royal Society, pude ver igualmente este caso onde a lógica funcional das sugestões acabavam sendo descartadas pelos "membros" em prol de convencimentos alheios e implicâncias. Definitivamente posso dizer que entendo contra o quê Hooke tentava brigar para não ser subestimado dentre os seus dirigentes.

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  2. Adorei a forma como o Shapin usa a TAR ou ANT no "um dia na vida" de Hooke, colocando outros atores em cena, cientistas invisíveis, seus técnicos, seus aliados da taverna e a forma de divulgação dos trabalhos entre os pares. Fica claro para mim a heterogeneidade dos elementos e suas justaposições para a composição da identidade do cientista. Aliás, ele explora bem uma outra identidade do cientista daquele século expondo toda a tensão social de quem não era considerado bem-nascido dentro do mundo científico. Mostra como um cientista podia ser, ao mesmo tempo, inserido e excluído tendo como pano de fundo de sua construída credibilidade a questão social com múltiplas variáveis e formas. Shapin sugere que o ideal de conhecimento puro associado estaria associado à renúncia de uma vida social. Não sendo possível dissociar a vida pessoal da vida social, este capítulo mostra as imbricações dos elementos e aponta a possibilidade de termos um melhor entendimento de um conhecimento quando "seguimos" pessoas e lugares onde este conhecimento teria sido produzido.

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  3. Segue link da apresentação deste capítulo: https://drive.google.com/file/d/1lSj3lEYKmoi6osr5ymgzgOEXlhylFqGI/view?usp=sharing

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  4. LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
    Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
    Reação ao capítulo 9 do livro “Nunca Pura”

    Ao ler este capítulo, e “acompanhar um dia na vida de Hooke", fiquei interessado em saber mais de sua vida, e pesquisei outras fontes. Apresento então algo mais sobre sua vida.
    Robert Hooke nasceu a 18 de Julho de 1635 em Freshwater, Ilha de Wight, onde seu pai era clérigo tendo morrido quando Robert tinha somente 13 anos. Tinha uma saúde muito débil, e desde cedo começou a se interessar por modelos mecânicos e pelo desenho, tendo se revelado, inclusive, um excelente desenhista. Impossibilitado, no entanto, de seguir uma carreira como pintor devido à sua intolerância ao cheiro dos vernizes e tintas, ingressou, com 18 anos, na Universidade de Oxford. Aceitou e desempenhou vários empregos humildes de forma a poder manter o seu sustento. Em Oxford, Hooke teve oportunidade de se relacionar com diversos cientistas que apreciaram a sua grande perícia na concepção e construção de componentes mecânicos. Em 1655 empregou-se ao serviço do físico e químico Robert Boyle, iniciando assim a sua carreira científica. Em Novembro de 1662, por recomendação de Boyle, Hooke foi nomeado Curador de Experimentos da Royal Society of London. A partir de 1664 exerceu também o cargo de professor de geometria no Gresham College, uma conceituada instituição científica. Continuou, no entanto, a apresentar sistematicamente aos seus colegas da Royal Society o resultado das suas experiências, invenções e criação de novos instrumentos científicos.
    Hooke nunca se casou. Manifestava vivo interesse por todas as empregadas jovens que serviam em sua casa, tendo mantido relações sexuais com muitas delas. Com ele vivia desde a infância uma sua sobrinha, Grace, filha de um irmão que permanecia na ilha de Wight. Hooke cuidou durante anos da educação da sobrinha, e quando a jovem completou dezesseis anos, em 1676, tornou-se amante do tio. Infelizmente Grace faleceu, com apenas 27 anos, em 1687. Hooke sofreu dolorosamente essa perda, nunca se tendo recomposto.
    Foi sempre inquieto, atormentado e instável. Trabalhou afincadamente durante toda a vida, não obstante o estado precário da sua saúde que se agravava continuamente. Automedicava-se com inúmeros produtos que o envenenavam mais do que curavam. Veio a falecer, com 68 anos, a 3 de Março de 1703, em Londres.

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  5. Capítulo 9
    Quem foi Robert Hooke?
    Como dou aula de Física também, ler sobre Robert Hooke foi muito interessante por conhecer, como se diria? “os bastidores de sua vida”. Hooke foi um privilegiado por ser reconhecido por seus feitos, mesmo diante da alta sociedade quando não atendia aos ensejos desta. No capítulo há uma frase que diz “O burro de carga da Sociedade”, o que traduz como era visto por eles. Dessa forma, acredito mostrar bem a questão de ser incluído, mas, ao mesmo tempo excluído da sociedade, apesar de ser uma pessoa de grande credibilidade.

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  6. Ao fazer a leitura do capitulo 9, que embora a sociedade da época tinha excluído Roberto Hooke o tempo tratou de fazer dele figura chave da Revolução Científica, na leitura observei que Hooke possivelmente foi o maior gênio das ciências experimentais da época, verificando a pesquisa experimental nos tempos atuais não é difícil classificar Hooke como um herói da ciência, principalmente para as ciências biológicas. Shapin deixa claro a importância de Hooke contrapondo a sociedade da época, que excluía Hooke, levando em consideração seus feitos nas diversas áreas da ciência.

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  7. Parece-me que Robert Hooke foi a figura mais emblemática dos chamados filósofos naturais da Inglaterra do século XVII. Seja por seu perfil pessoal/social, seja por suas habilidades profissionais.
    Pode-se dizer que Robert Hooke foi um filósofo experimental (nomenclatura adequada no século XVII) ou um cientista.
    Encontramos informações que corroboram essa ideia no seguinte texto “... a área de trabalho na qual Hooke tinha interesse pessoal e autonomia era a que dizia respeito à invenção de aparelhos mecânicos e ópticos: lentes, máquinas para polimento de lentes, miras telescópicas, relógios de parece e de pulso, e, não menos, seus “trinta diversos” inventos para voar, os quais ocuparam ao longo de sua vida e cujos segredos ele levou consigo para o túmulo”. (pag. 187)
    Apesar das suas diversas habilidades enquanto filósofo experimental, Hooke foi considerado como criado de outros filósofos, visto ele “prestar serviços” a diversos outros membros da Royal Society.
    Para Shapin, a pergunta continua sem resposta: “A resposta fácil – a de que ele foi um cientista – torna-se mais implausível e improvável historicamente. Sua identidade era complexa e ambígua. Alguns dos que trabalharam com Hooke, durante algum tempo, consideraram-no como sendo um mecânico, um comerciante, um criado (eu incluiria arquiteto) e lidaram com ele dessa forma. E visto que assim faziam, o direito, vigente à época, que Hooke tinha ao papel e aos atributos de um filósofo experimental eram problemáticos.” (pag. 213)

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  8. Neste capítulo, o autor fala de um personagem que, para mim, é muito emblemático e é um pesquisador, cientista, que faz parte das minhas vivências como professora, porque foi ele que participou ativamente da elaboração do primeiro microscópio. Robert Hooke pertencia a um lugar que para mim é um limbo: não era técnico, era mais que isso, era superior, mas não era um cavalheiro, não tinha o status, nem a origem, ou o dinheiro. Sendo assim, Hooke encontrava-se, na minha opinião, na pior das posições: não estava numa posição acertadamente inferior, porque era muito necessário para estruturação dos experimentos, era peça chave para que eles acontecessem, mas não era identificado como sendo o responsável pelos sucessos e descobertas que eram feitas nos experimentos da Royal Society. Entendo sua figura como sendo contraditória e um tanto quanto pouco valorizada.

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  9. O trabalho absolutamente indispensável e invisível de toda produção cientifica! É disso que trata esse capítulo dedicado a “um dia na vida de Hooke”. Os bastidores de toda a cena científica com suas criações que nos parecem infalíveis e inquestionáveis é povoado de contradições que descortinam o que de fato acontece. A marginalidade de alguns de seus atores, desvalorizados e explorados em seus serviços braças, representado na figura de Hooke, expõe uma fragilidade com relação a identificação e ao reconhecimento daquele que representa o cientista para a sociedade que nos fala sobre as “pompas e circunstâncias” que envolvem a figura do ator principal que leva toda a fama da criação. Apontando para a cultura e os pontos de tensão social da época, Shapin descreve o cientista experimental como aquele que conjuga tanto o destaque que tem com relação a classe social advinda, quanto a sua posição frente a comunidade científica. Estar bem posicionado e ter sido bem nascido fazia toda diferença em ser bem quisto e aceito como cientista. Isso me faz pensar nas inúmeras mulheres de ciência que sempre existiram na marginalidade e invisibilidade, desde os primórdios do surgimento da ciência, antes mesmo da maneira como a entendemos hoje, e que muito trabalharam para que descobertas e soluções de problemas fossem possíveis.

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  10. Lendo o capítulo 9, ao que tudo indica e contrariando as recomendações citadas nos capítulos mais a frente (12 e 13), Hooke tinha uma vida não muito regrada em seus hábitos alimentares e nem no comportamento, face às boas maneiras que homens virtuosos deveriam seguir, bem como a conjunção da ética, saúde e sociedade inerentes à cultura dos nobres e cavalheiros, sábios, religiosos e filósofos.
    Particularmente, lendo o capítulo 9 despertou-me a curiosidade de saber um pouco mais a respeito da vida de Hooke e fazendo uma síntese, conclui que ele era mais conhecido como assistente de Robert Boyle do que propriamente um filósofo experimental, mais mecânico do que experimental, tendo por tanto, historicamente uma identidade problemática, onde o sucesso dos seus experimentos eram questionáveis, porém foi o pioneiro nas hipóteses de que as tensões tangenciais são proporcionais às velocidades de deformação, sendo reconhecido historicamente como o primeiro inventor do relógio portátil de corda em 1657 e manifestou a lei da elasticidade, denominada como a lei de Hooke (1660).

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  11. Este capítulo apresenta a trajetória de dois filósofos e o modo como eles lidam com a retórica e a ciência no decorrer de sua trajetória acadêmica, nos fazendo perceber que nesta dialética há muito mais do que podemos perceber.
    No entanto, o que irei trazer para discussão foi a questão da retórica, pois não estamos acostumados de vê-la associada à ciência. A retórica pode ser vista como a técnica de uso da linguagem para se expressar bem e ser persuasivo. Ao mesmo tempo que é uma arte, a retórica é também uma ciência, pois fornece métodos para elaborar um discurso estruturado.
    No discurso corrente é muito mais frequente retórica e ciência serem percebidas como opostas, podendo até dizer que na concepção comum, a ciência é a anti-retórica por excelência, tal como a retórica é anti-ciência, onde ambas mutuamente se excluem.
    Também me chamou atenção para o fato de que ao se propor a “fazer ciência”, atores humanos e não humanos relevantes no processo, muitas vezes são deixados de lado do contexto acadêmico.

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  12. POSTANDO POR EDEL VALY

    Quem foi Robert Hooke?
    Hooke foi um filósofo experimental, o que é não era muito bem compreendido no século XVII na Inglaterra. Para os seus contemporâneos era um profissional com habilidades práticas especiais, não ocupando o lugar social e cultural de um filosofo experimental.
    Exercia diversas atividades profissionais, muitas delas remuneradas. Trabalhava onde morava e não recebia a visita de muitos filósofos. Frequentava a casa de Boyle e diversos cafés nos quais encontrava outros filósofos e cientistas.
    Tratava seus técnicos como aprendizes de ofício, mas não apareciam com frequência nos escritos do cientista.
    Ao longo da sua carreira com curador de experimentos e até mesmo depois que parou de prestar serviço nesse cargo formal, era o principal realizador da experimentos da Royal Society, era a pessoa que mais possuía habilidades de manipulação. Sem ele e sem a sua equipe, o trabalho experimental teria fracassado. Sabia como construir as máquinas e como fazê-las funcionar, mas apesar das suas habilidades, o seu testemunho não era muito bem aceito.
    Quem o conhecia bem, dizia eu Hooke era um mecânico, um comerciante e um criado.

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