Capítulo 10 - Reações

Comentários

  1. Como exibido pelo texto deste capítulo através das pesquisas e considerações de Shapin, a divergência entre a ciência abordada na academia e nas instituições industriais existia independente de a qual lado seus cientistas pudesse preferir aderir. Ou por qual lado pudesse soar mais propício investir toda a sua carreira e esforço de uma vida. Sendo porém irônico -em um bom sentido- o quanto Shapin quis deixar claro que o cientista industrial não era tão infeliz assim em seu meio, e como a própria industria com o tempo aprendeu a se adaptar às suas excentricidades também. Pois eu de fato acreditei que ele não iria querer divergir muito da opinião mais popular, que adora anular a figura do cientista acadêmico nas produções bélicas exclusivamente industriais, e sua óbvia paixão em participar de tal.
    E para mim, muito isso significa pois eu igualmente venho de um ambiente comercial -e não acadêmico-, onde a utilidade comercial de minhas produções igualmente era mais importante do que a sua significância social. Tendo tido um choque de realidades após colocar meu primeiro pé no mestrado e perceber a completa diferença de ambientes e metas em cada um. O que chamou então a minha atenção, para o fato de que mesmo que eu pudesse dizer produzir conhecimento em ambos os setores, nenhum se relacionava de fato um com o outro ou com seus meios. Como dois mundos divididos coexistindo em separado, sendo estes regidos não pela noção de que um é melhor do que o outro, mas sim pela noção de que pessoas de cada perfil escolherão seu local de atuação preferencial sem que isso afete na sua produção de resultados finais -ou na sua alegria por fazê-lo. Afinal, cada um estará exatamente onde quer estar.

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  2. Neste capítulo viajamos no tempo e no espaço. Saímos da Inglaterra do século XVII, até então palco do livro, para nos transportarmos para os EUA da primeira metade do século XX. Shapin apresenta duas versões diferentes de como entender a relação entre as figuras do cientista, digamos, “puro” (que atuava nas universidades), e do cientista industrial, neste contexto. A primeira versão, que ele chama de estória 1, coloca os valores destes dois modos de fazer ciência como dicotômicos, ou, poderíamos ir além, uma dicotomia entre a própria ciência e a indústria. Nessa situação extrema, não se poderia nem mesmo falar em algo como “cientista industrial”, e no âmbito da construção desta figura paradoxal, o cientista passaria por um processo doloroso de abrir mão dos valores segundo os quais foi socializado. Nas palavras de Shapin (p. 216), “como um resultado do singular padrão de socialização dos cientistas, suas personalidades eram de tal feitio, que eles não tolerariam restrições organizacionais: cientistas eram independentes de maneira demasiadamente feroz, e também estavam cientes de sua integridade individual, eram demasiado céticos, demasiado hostis em relação às estruturas de autoridade, demasiado leais à ciência e demasiado desleais aos valores organizacionais locais”. Todos eles queriam fazer pesquisa básica em um contexto de independência do pensamento e permissividade. “Sigilo”, por sua vez, era outro valor industrial incabível no âmbito da ciência, já que esta é necessariamente conhecimento público. Assim, a despeito da tentativa da indústria estadunidense em buscar moldar o cientista segundo sua própria imagem, tal projeto levaria invariavelmente ao suicídio da ciência. Mas, Shapin apresenta uma outra versão desta relação, contada a partir do que ele chama de comentários de chão de fábrica – documentos variados, de tom não acadêmico, que versam sobre gerenciamento prático, e não sobre teorizações sociológicas. Trata-se da “estória 2”, segundo a qual o cientista industrial não era um “infeliz” que dolorosamente abriu mão de seus valores, e a dicotomia entre a pesquisa realidade nas universidades e nas indústrias deixa de ser tão extrema. Assim, se por um lado a pesquisa industrial tem necessariamente um comprometimento com a lucratividade, por outro, compreende-se que “a função da pesquisa não podia se manter por meio do mesmo sistema de prestação de contas de custo-benefício como o de outras atividades da corporação” (p. 225), pois não é possível antever a lucratividade do resultado de uma pesquisa a longo prazo. Se, de um lado, o pesquisador não era independente para a escolha do tema de pesquisa, pois este tem que ser do interesse de quem lhe paga, por outro, existia relativa autonomia para usar parte do tempo para pesquisas próprias e, mesmo no que diz respeito à pesquisa pela qual era efetivamente pago, existia autonomia no gerenciamento da mesma. Se em alguns momentos as publicações podiam ser atrasadas por motivos comerciais, por outro, de maneira geral se mantinha uma política liberal no que diz respeito às publicações, ou seja, estas eram valorizadas e estimuladas. Acho que este capítulo é relevante para pensarmos a relação entre ciência e capitalismo hoje. É ingênuo pensar que a ciência não é afetada e influenciada pelo capitalismo e que qualquer aproximação entre ambos seja necessariamente o fim da primeira. Ao contrário, desde o século passado, como demonstra Shapin, ciência e capitalismo tem convivido “muito bem, obrigado”. Esta compreensão requer dos cientistas socialmente comprometidos não a negação desta relação, e sim a sua avaliação crítica, bem como o exercício individual ético de como lidar com ela em sua própria carreira.

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  3. https://drive.google.com/open?id=1L417mM7ftvRvHSnq-D1T5b4V53IHPHb-

    Minha provocação/apresentação.

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  4. LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
    Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
    Reação ao capítulo 10 do livro “Nunca Pura”

    Neste capítulo, Shapin dá um salto no tempo e no espaço, indo da Inglaterra do século XVII para os Estados Unidos do século XX. Mais uma vez o autor procura descobrir onde está a fronteira entre ciência pura (aqui, a praticada na academia) e a não pura (aqui, a praticada pelo cientista industrial). Na minha opinião, o que mais separa essas “duas” ciências é o capitalismo. Somos constantemente bombardeados com o mito de que o capitalismo impulsiona as inovações, a tecnologia e os avanços científicos. A verdade é exatamente o oposto. O capitalismo refreia todos os aspectos do desenvolvimento humano, inclusive a ciência e a tecnologia. Dizem-nos que a concorrência, combinada à motivação do lucro, impulsiona as grandes corporações, incentiva a criação de novas tecnologias. O livre-mercado, afirmam, é o maior motivador dos avanços humanos. Mas realmente o contrário é o que acontece. As patentes, a propriedade privada dos meios de produção, o lucro, são efetivamente os grandes obstáculos que a ciência tem conhecido no decorrer da história recente. O capitalismo detém todos os aspectos do desenvolvimento humano; a ciência e a tecnologia não constituem exceções. Supõe-se que na indústria manufatureira em particular é onde se encontram essencialmente as inovações capitalistas. Afirmam que a concorrência entre as empresas implicará em melhores produtos, preços mais baixos, novas tecnologias e inovações. Novamente, numa verificação mais acurada, veremos que interesses privados representam mais uma barreira do que um facilitador. Patentes e segredos industriais evitam o desenvolvimento de novas tecnologias. A indústria petrolífera em particular tem uma longa história de aquisição de patentes simplesmente para evitar que certos produtos cheguem ao mercado. Por tudo isso acho que a ciência que visa principalmente o lucro, jamais será pura.

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  5. Capítulo 10
    Quem é o Cientista Industrial?
    Shapin procurou evidenciar uma contraposição entre como se ensina Ciência na academia e como se ensina nas demais instituições industriais, dando um salto no tempo, através da separação de duas sessões, que ele chamou de estórias. Sendo aqui, classificado como a ciência Pura (acadêmica) e a ciência não pura (industrial). Sendo a primeira parte retratando um perfil de um cientista angustiado e mal-ajustado. Já na segunda parte, relata um perfil de um cientista industrial não infeliz, que possuía autonomia para dedicar parte do tempo em pesquisas próprias. Talvez aqui, a questão capitalista possa ter contribuído para essa separação. Pois, o capitalismo incentiva a pesquisa de seu interesse e não pelo interesse da sociedade.

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  6. Shapin avaliou o comportamento do conhecimento produzindo nas academias e nas industrias, relacionando ciência pura com ciência não pura, a depressão dos cientistas acadêmicos com a autonomia dos cientistas da indústria, pensando no campo CTS, sendo professor do sistema S e pesquisador em educação Matemática apresentei uma reação paradoxal nas duas sessões apresentadas no texto. A necessidade de inovação da industria acaba desconsiderando aspectos sociais, capitalismo americano citado por shapin no capitulo evidencia este fato.

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  7. Neste capítulo, Shapin tenta nos dar uma visão de impressões sobre pesquisador acadêmico e cientista industrial, do início do século XX.
    Acreditava-se que o cientista industrial seria melhor remunerado e teria liberdade de pesquisa. Ou seja, poderia pesquisar o tema de seu interesse. Entretanto, mostrou-se comprovado que isso não era uma verdade. Apesar da remuneração ser, geralmente, inferior a do cientista industrial, o pesquisador acadêmico, em algumas situações, teria mais liberdade sobre a sua pesquisa.
    Havia um conflito entre o posicionamento do pesquisador acadêmico e o cientista industrial, o produto de suas pesquisas deveria ser público e acessível a todos. O que contraria o princípio de uma sociedade capitalista.
    Mostrou também que o cientista industrial não era feliz, justamente por essa falta de liberdade. Podemos perceber essa insatisfação na colocação de Merton: “A ciência é conhecimento público ou, de outro modo, não é ciência de forma alguma, e a própria ideia de sigilo ofende os que internalizaram seus valores: O comunismo do ethos científico é incompatível com a definição de tecnologia como ‘propriedade privada’ em uma sociedade capitalista... Patentes proclamam direitos exclusivos de uso e, frequentemente, de não uso. A supressão da invenção nega a base racional da produção e difusão científicas”. (pag. 215)
    Acho que Orth estabeleceu bem essas impressões: De fato, os cientistas não ingressam na indústria “porque gostam da ideia de trabalhar para uma “organização industrial”; eles são levados a fazer isso contrariamente às suas próprias inclinações, pois precisam das instalações, dos recursos e de “salários algo maiores”, o que a indústria, ao contrário da academia, consegue oferecer. O cientista “normalmente não quer trabalhar para uma organização, na verdade”. (pag. 218)

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  8. “Quem é o cientista industrial”?! Dando um salto no tempo, do século XVII na Inglaterra, para o século XX nos Estados Unidos, achei interessante o início do capítulo onde que Shapin destaca de maneira subliminar a importância das narrativas e biografias, no caso sobre a identidade do cientista do século XX, a fim de basear a historiografia de uma época. Ao tratar da questão central do livro sobre o que é ou não ciência pura, ou se ela existe realmente pura, Shapin contrapõe dois cenários, aquele que separa o cientista industrial e do cientista acadêmico. A primeira retratada por um cientista industrial insatisfeito e mergulhado nas exigências da vida ordinária e capitalista e um outro de vida acadêmica, com maior tempo para dedicar as suas pesquisas científicas. Em ambos os casos, os personagens estão de fato subsumidos as exigências do capitalismo e as leis do mercado que tanto dita tanto as regras no meio das produções industriais quanto do que deve ou não ser objeto e matéria de pesquisas científicas no mundo acadêmico. A importância que é dada ao conteúdo dessas pesquisas é impulsionado pelo mesmo mercado do capital. No entanto, ao meu ver, o pesquisador acadêmico tem realmente um poder maior de colocar em cheque este posicionamento e impulsionar outras maneiras de se pensar os modos de produção da ciência.

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  9. Lendo o capítulo 11, Shapin faz uma reflexão comportamental entre a maneira como é lecionada a Ciência na academia e nas instituições industriais, pois apresenta o conflito entre o posicionamento do cientista acadêmico e o cientista industrial, onde as produções de suas pesquisas deveriam ser acessíveis a todos, ficando claro que tal acessibilidade não era interessante para a Ciência Industrial, obviamente, devido a política capitalista.

    Outrossim, faz-se perceptível quanto aos cientistas industriais, que devido a política capitalista financiar pesquisas de seus próprios interesses, tais cientistas tinham que manter não só suas pesquisas em sigilo, como também não havia liberdade acadêmica para evoluir as mesmas em direções ou viés que se não ao que foi determinada.

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  10. Neste capítulo o autor aborda o dilema entre a ciência tida como acadêmica e a ciência tida como industrial. O debate é bastante extenso e esclarecedor a respeito dos limites e restrições que a pesquisa acadêmica realmente possui, da mesma maneira que expõe de forma complexa que a ciência industrial não necessariamente restringe o cientista apenas uma determinada pesquisa.
    Achei interessante o autor definir e esclarecer a origem dos questionamentos que opõe a pesquisa acadêmica e a pesquisa industrial, como os elementos que compõem a personalidade de um cientista, como se na academia o cientista pudesse exercer todos esses elementos e na indústria não.
    Na verdade, o que ficou mais marcante pra mim deste capítulo foi o fato de estar exposto que tanto na pesquisa acadêmica como na pesquisa científica industrial há certos grilhões: no caso da pesquisa acadêmica são as restrições financeiras que impõem limites nos pesquisadores, enquanto que na pesquisa industrial esses limites são as linhas de pesquisa nas quais eles podem ou não podem trabalhar - se bem que também levantam-se os exemplos de "liberdade de pesquisa industrial" como sendo de grande vantagem para as próprias empresas.
    Também concluo deste capítulo que existe um certo senso comum a respeito da pesquisa acadêmica ser uma pesquisa de base, teórica, enquanto a pesquisa Industrial tem um cunho mais prático, mais aplicado.

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  11. Como sempre falamos em nossas aulas neste livro Shapin nos traz conceitos significativos em CTS a partir de uma perspectiva histórica que contempla diferentes países , no entanto não possui aspectos de nossa localidade , o que enriqueceria em muito nossos estudos.
    Ao ler o capítulo sobre o Cientista Industrial, busquei fazer uma analogia para nossa história localmente construída, onde no período da Revolução Industrial trabalhadores sequer tinham condições adequadas de trabalho, o que dizer sobre fazer ciência, algo meramente restrito a poucos.
    Fazer ciência era algo complexo , pois era um período histórico repleto de conflitos de valores , onde as instituições estavam voltadas para a formação do trabalhador industrial e na maioria das vezes levava em conta os interesses do empregador, como mostra um trecho de uma texto publicado na Fiocruz intitulado Os periódicos de ciência no Brasil do século 19: “ Boa parte das publicações que circularam na primeira metade do século 19 tem como característica principal o pragmatismo científico. A maioria tratava de assuntos ligados à agricultura, indústria e mineralogia, além de abordar a área médica ou farmacêutica”.
    Referência: http://www.fiocruz.br/brasiliana/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=77&sid=14

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  12. POSTANDO POR EDEL VALY

    Desde o início do século XX até 1960, dizia-se nos EUA que o cientista industrial era infeliz, angustiado e mal ajustado em quanto a sua sorte. Aceitava empregos na indústria por falta de carreiras acadêmicas nas universidades, sentindo-se forçado a aceitar esse tipo de trabalho.
    Já na década de 50 e com maior expressão na de 60, espalham-se publicações sobre gerenciamento de pesquisas organizadas e patrocinadas por empresas civis de grande capital, que ofereciam aos cientistas maior grau de autonomia para exercer o trabalho e realizar pesquisas. Desta forma, os cientistas se sentiriam com maior liberdade de trabalho, superando o conflito da identidade acadêmica com a atividade na indústria.

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