Poste aqui a sua reação ao Capítulo 1 do livro-texto do nosso curso. As reações para cada capítulo devem possuir aproximadamente 250 palavras (de 225 a 275) e devem exprimir uma experiência pessoal articulada com o texto lido (experiência do autor do livro-texto)
O baixar de tom das ciências é como que retirá-la do pedestal onde ela está e interpretá-la como sendo “apenas” mais uma atividade humana, uma das produções humanas. Ao longo do tempo, principalmente após a mudança de paradigma de poder (da religião para a ciência), a ciência adquiriu poder e prestígio, sendo caracterizada como uma atividade desinteressada, neutra, imparcial. Na verdade, ciência e religião não são opostas, não é preciso crer em uma ou em outra. Até porque, esse raciocínio parte do princípio que não é necessário crer na ciência para faze-la. Da mesma maneira que no conceito de Deus, o conceito de conhecimento científico é um no qual é necessário acreditar. O fato de interpretar a ciência como sendo uma produção menos fantástica faz com que seja passível ser estudada através de um viés histórico, social e filosófico, e, a partir desse estudo, compreender melhor seus processos dentro do contexto onde foram produzidos os conhecimentos. O que ficou para mim de mensagem é que o baixar o tom significa desmistificar a ciência.
É a primeira vez que leio Steven Shapin. Durante o mestrado, muito pouco li ou ouvi sobre suas ideias e, como estou no início da leitura, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o próprio título: Nunca pura: estudos históricos da ciência, como se fosse produzida por pessoas com corpos, situadas no tempo, no espaço, na cultura e na sociedade e que se empenham por credibilidade e autoridade. Não conheço Shapin o suficiente para dizer que ele seria um pragmatista ou se ele estaria tentando retratar uma "moderação de tom", uma certa mistura entre filosofia e ciência. Aquela ideia de que a ciência "clássica" seria a verdade endeusada ("A fé pertence ao passado; a Ciência, ao futuro brilhante") por todos está de fato deixando um espaço para histórias da ciências que retratariam uma verdade dependente de um contexto social? Lembro de uma palestra do professor Ivan da Costa Marques, em que ele projetava na tela a passagem de um filme (do qual não lembro o nome), em que o ator principal pergunta para sua pretensa namorada: diga o nome de um objeto, e ela diz, guarda-chuva. O ator então aponta para o céu, e todos nós vemos o guarda-chuva desenhado nas nuvens. Afinal, ali, de fato, tinha um guarda-chuva? A credibilidade estaria baseada em questões sociais com múltiplas formas, afinal, só veria um guarda-chuva quem soubesse o que é um guarda-chuva. Esta transitoriedade da forma me agrada, nada é permanente. Então, será que a verdade e a credibilidade são permanentes? O método científico, o artigo, a palavra, tudo está sujeito a interpretações. Depois que está escrito as palavras não estão mais sob a guarda do autor. Se todos nós vimos um guarda-chuva no céu foi porque havia um consenso social de que aquela forma era de um guarda-chuva, alguém nominou a forma, todos aceitaram e agora identificam a forma como um guarda-chuva. É uma verdade situada, em um tempo específico, a multiplicidade aparecendo de acordo com a transitoriedade da forma. Acho que esta discussão sobre a divisão ontológica entre a ciência e sociedade (e aqui eu quero dizer o "ser" enquanto ser) se arrasta e ao mesmo tempo é um recurso para falar do processo de transição da "escrita" dos historiadores da ciências, como também para trazer para a discussão o processo de mudança e uma análise dos atores e seus conhecimentos situados.
Como primeiro contato com a escrita de Steven Shapin e seus meios de abordagem a um tema, eu posso dizer que tive uma rara fluidez para ler sobre um tema do qual não domino. Tendo momentos em que suas várias formas de abordar o "abaixar do tom" dentro da História da Ciência, me fez reconhecer em minhas próprias experiências uma prática daquilo que ele por outros momentos me fez compreender de forma lógica. Tentando desconsiderar uma possível relação da ciência, do divino e da religião nas nossas civilizações anciãs, eu concordei com todos os seus pontos onde a ciência e seus cientistas por muitos momentos foram de modo fantasioso e sem razão tomados como figuras que estavam muito além de um alcance normal -humano. E o quanto por isso, durante minha infância, eu me vi idolatrando tal status caso eu pudesse igualmente desvendar segredos dos quais os "mortais" ainda não haviam encontrado respostas. Porém isto nada mais era do que uma idealização infantil, e que ao longo de muito tempo foi perdendo sua magia ante a noção de que não há um linear entre o que nos torna aptos ou inaptos para descobrir, criar e entender. E que assim como eu, como humana que possui seus defeitos e acertos, não possuo também qualquer elemento que deva me separar (distanciar) dos cientistas. Assim como não há elemento que deva nos separar da noção de que temos a capacidade de alcançar ou ultrapassar suas próprias descobertas. Afinal se houvesse, então estaríamos assim condenando à nós mesmos, o atraso de nossos próximos avanços como espécie.
A leitura deste capítulo permitiram muitas reflexões sobre a posição do ser humano diante da ciência e da maneira como ela mesma se constitui e se sedimenta ao longo da história com o estatuto verdade inviolável através de seus discursos imperativos que ecoam dentro de uma sociedade, e como se fora algo no contraponto da religião e do senso comum. No entanto, a ciência, como o próprio título da obra de Steven Shapin, nunca é pura! A ciência nunca é isolada de uma subjetividade história, sendo assim, cada evento e invento ela avança de acordo com o desejo de uma coletividade e do impulso de sujeito histórico que direciona o caminho das descobertas. Quando neste primeiro capítulo, o autor propõe “baixar o tom da ciência”, o que se intenta é perceber esse lugar da ciência mais lado a lado aos outros saberes e produções humanas. Tratam da mesma tarefa: dar sentido a existência, prolongar o gozo da vida, criar recursos para sobreviver e marcar o curso para que as próximas gerações desfrutem e aprimorem-se ainda mais a partir de tudo que já fora conquistado, seja pela manutenção de crenças universais - tanto pelo valor dado da ciência quanto da religião – seja pela recriação infinita de novos paradigmas que guiam uma coletividade em dado tempo e cultura como uma voz a ser seguida. Podemos dizer, realmente, que a ciência de razão pura, não tem nada! Prova disto, é o cotidiano do leigo quando envolvido em seus afazeres está mergulhado em leis e princípios que operam sobre a materialidade das coisas, que mesmo sendo ignorados, estão ali presentes. Vide o curandeiro com suas ervas milagrosas e o artista imbuído de uma ciência para sustentar a engenhoca de sua escultura aérea.
LABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE Aluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa Reação ao capítulo 1 do livro “Nunca Pura”
A maioria dos escritores cristãos até a Renascença via tanto a razão quanto as Escrituras como fontes de conhecimento válidas; mas, em geral, eles não consideravam que as duas tinham a mesma autoridade. A filosofia (incluindo o que é chamado de “ciência” agora) era considerada uma “empregada da teologia” e não um empreendimento autônomo com suas próprias credenciais. A Teologia era a “rainha das ciências” ou “a rainha de todo o conhecimento”. Esses estudiosos pensavam que um dos papéis do conhecimento científico era ajudar a explicar as passagens bíblicas que falavam da natureza. A autoridade conferida ao livro da natureza (nome que era frequentemente dado à filosofia) não chegava nem perto da autoridade do livro das Escrituras. No entanto, segundo Shapin, era um lugar-comum, no final do século XIX e no início do século XX, dizer que a ciência era a nova religião, que havia suplantado o cristianismo, ou ao menos, que o havia sucedido na autoridade cultural de que a religião havia gozado antes. Com isso, os cientistas passaram a se vistos como seres supremos, infalíveis, puros. Por exemplo uma forma de baixar o tom na história da ciência, é mostrar que os cientistas são seres humanos como quaisquer outros, ou seja, comem, dormem, peidam, cometem erros, como todos nós.
Reação Capítulo 1 Baixando o tom da ciência Será que a Ciência é para todos? Será que só fazemos Ciência na Universidade? Já passou da hora de levarmos em conta o conhecimento tácito, as experiências realizadas não necessariamente na universidade. Precisamos entender que a Ciência é para todos, e que o que nos move em uma pesquisa é a busca por uma necessidade, seja ela pessoal, profissional ou filosófica. Penso que o laboratório deve ser uma proposta de algo sendo realizado além de quatro paredes, a partir da buscas por respostas em lugares que muitas vezes a ciência não chega. Cito como exemplo o filme “O menino que descobriu o vento”, que apresenta a descoberta da energia eólica em uma comunidade africana escassa de recursos e possibilidades. O filme trata de assuntos como ciência, conhecimento e trabalho colaborativo, nos mostrando que ciência se faz a partir de uma necessidade local, e que a partir da aquisição do conhecimento, uma pessoa é capaz de fazer ciência, permitindo com isso alterar realidades e criar oportunidades.
Ao iniciar uma leitura buscando relacionar Fé e Ciência apresentei uma reação de conflito pessoal, à medida que a temática na humanidade têm uma história de guerras, de conflitos e de tensões e, por isso, algumas pessoas não acreditam na conciliação da Fé e Ciência, meu conflito fica claro a medida que fé e ciência estão presente em nossas vidas, a Ciência me ajuda muito no cotidiano profissional, mas a Fé é determinante nas minhas relações sociais na busca por um viver melhor. Pensar a Fé na relação divina com Deus, na perspectiva do sobrenatural, por questões profissionais faz o conflito ficar latente pela ausência de comprovações científicas realizadas por diversos métodos. A minha formação em Matemática exige a comprovação, utilizo muito a ciência na desmistificação de crenças utilizando conceitos lógicos o que não tenho a coragem de fazer com minha concepção de Fé, bem conflitante a minha relação de Fé e ciência talvez incoerente.
Baixando o Tom na História da Ciência: Um Chamado Nobre Fé e ciência, há alguma conciliação nessas ideias? Ao ler o capítulo me pareceu que o autor demonstra um conflito entre a ideia de fé e do conceito de ciência, tendo em vista que, diante de tantos desastres causados pela humanidade, como os diversos conflitos mundiais, fica um pouco complicado criar uma ideia de conciliação desses dois itens. Por outro lado, pessoalmente, ao longo de minha vida, esses dois conceitos, até agora, se fazem presente e, de certa forma, se completam, sim, se completam, pois, imagine estarmos tentando desenvolver um novo produto ou desenvolver uma nova ideia, cremos que iremos obter esse sucesso. Temos fé rumo ao objetivo, seja no lado pessoal como no profissional. Entretanto, nesse último, a questão da fé, pode não ser compreendido plenamente, dando espaço ao primeiro, ciência, como justificativa de seus atos ou sucessos, tendo em vista que, a falta da comprovação científica causará um desconforto no âmbito profissional. Sendo um profissional atuante na área de exatas há a necessidade de que tudo seja comprovado por demonstrações simples ou não, o que nem sempre, na vida pessoal se faz necessário, tendo em vista que temos fé.
O autor inicia o capítulo contando sobre o fato de ter se sentido ofendido por conta de um texto de Wood Allen sobre um certo livro que versava sobre a dieta de Nietzsche, e então ele se questiona sobre os motivos de tal sentimento: seria pela redução do pensamento intelectual sobre alimentação a uma piada, ou por não ter sido ele próprio a fazer a piada, dado não haver espaço para tal no âmbito dos escritos acadêmicos? O autor prontamente nega a segunda hipótese, dizendo não haver problema na oposição humor de inversão X respeitabilidade intelectual. Este tom anedótico do início do texto tem o sentido de exemplificar o que o autor quer dizer com o “baixar o tom”: “tomar algo muito alto e justapô-lo a algo muito baixo” (p. 2), conforme Wood Allen fez e, podemos dizer, Shapin também o faz ao iniciar o texto de forma pouco convencional em termos acadêmicos. Me parece que o autor faz uma relação quase direta entre este baixar de tom e um senso de humor, a possibilidade de rirmos de nós mesmos, enquanto intelectuais (note-se a aproximação citada por ele entre o intelectual e o bobo da corte). Em seguida, o autor discorre sobre a “guerra entre a ciência e a religião”, na qual a valorização da primeira passou pela aclamação de determinados indivíduos (algo curiosamente bastante bíblico). Entretanto, em anos recentes cada vez mais os historiadores da ciência têm se afastado desta abordagem. Ao menos desde a década de 1960, diz Shapin, eles têm se afastado da elaboração de grandes narrativas e passaram a “elevar o tom” de assuntos até então pouco abordados na história da ciência, o que, de outro lado, significa baixar o tom da própria história da ciência. A ciência passa a ser entendida como algo que tem historicidade e pertence a um lugar; ela deixa de ser una e passa a se compreender que existem diversas ciências, que não existe um “Método Científico” singular, coerente e efetivo e que a “Verdade” não é um produto único da ciência. O conhecimento confiável é produzido por pessoas comuns, a ciência nada mais é do que uma prática e o conhecimento científico é produzido e assegurado por performances realizadas a partir de recursos culturais. Neste contexto, se por um lado as características individuais dos cientistas tornam-se irrelevantes, por outro, se a ciência é prática corporificada, a descrição dos hábitos dos cientistas continua tendo sentido, mas um novo sentido. Nas palavras do autor, “as tradições hagiográficas do século dezenove e do início do século vinte corriam em paralelo à insistência de impessoalidade científica. Mas, para nós, muito de tudo isso vem apenas fazendo parte da escrita da ciência como um empreendimento humano de cabo a rabo” (p. 10).
Neste capítulo o autor nos instiga a reavaliar a forma como olhamos os cientistas e também a ciência. Mostra que os cientistas são tão humanos quanto nós. Não há nada de mágico ou mesmo extraordinário, além de muita dedicação do cientista em pesquisar/testar seu experimento. Como era um universo limitado, de acesso a poucos, criou-se a ideia de que a ciência era algo transcendental e que os cientistas eram algo próximo a um deus. Com seus exemplos de situações cotidianas, vividas por alguns daqueles dedicados a pesquisas e experimentos, percebemos o quanto os estudiosos e cientistas se aproximam dos demais seres. Depois de ler o capítulo, e graças aos historiadores, entendo como “baixar o tom” a nossa capacidade de perceber que os grandes cientistas, reconhecidos ao longo da história, eram tão humanos quanto todos nós e que a ciência, por não ser acessível a todos, era considerada algo mais extraordinário do que realmente é.
É de fato, a primeira vez que tenho contato com a literatura de Steven Shapin. Entretanto, lendo o capítulo 1, fica evidente que o “baixar o tom das Ciências” que é citado no texto reflete o bom senso como forma de argumentação moderada, ligada estritamente às noções de sabedoria ou razoabilidade que ao longo do tempo a ciência ganha um protagonismo de prestígio e poder, porém “neutra e imparcial” permitindo várias reflexões a respeito da perspectiva humana face à Ciência e Religião, bem como seus discursos acalorados (Ciência x Religião) no decorrer da história.
Bruno Mussa Shapin chama atenção para a ciência no tocante a como ela é elevada a condição de nobreza, sendo a história da ciência a celebração do que permaneceu e se perpetua, como que por acumulação, do que forma a cultura humana. Isso me remete bastante a forma como na divulgação científica estamos frequentemente transmitindo ao público a celebração de mitos e instituições. Trabalho no Museu da Vida - Fiocruz como educador há 12 anos, e sinto que mesmo conscientes desse processo há uma resistência da comunidade institucional muito forte para uma prática mais, digamos, CTS. Ainda promovemos exposições que se dedicam a celebração de personalidades. Como divulgador da ciência com formação em história sinto que é um desafio contar estórias com suas nuances e detalhes, atento a precisões, mas trazendo o espectador visitante a refletir sobre as forças atuantes e o papel da mobilização e engajamento de forças que se aliam e disputam projetos, descreditando uma ideia vazia de progresso inexorável. No Museu da Vida ainda vemos Oswaldo Cruz como um mito da ciência brasileira, Carlos Chagas como gênio descobridor de males nunca dantes vistos, exposições que chamam a uma interação que em muitos casos se resume mais a colocar as mãos em aparatos que funcionam de forma predeterminada para uma “compreensão” da ciências por leigos. Ainda precisamos exercitar o olhar para não levar ao público uma ideia de que dietas e outras excentricidades de cientistas não têm nenhum valor frente a capacidade de engajamento e mobilização.
No primeiro capítulo do livro, Shapin já nos situa sobre o que está por vir e sobre que história ele pretende fazer. Mostra também como é um escritor - já que boa parte da ciência histórica tem que se agarrar na construção dos textos - que nos conduz por determinados caminhos. Se situa como pensador e fala sobre a Guerra das Ciências e os estudos sociais das ciências. Se apoia em Kuhn, Merton, Koyré e alguns outros. Aqui, podemos dizer, está seu embasamento teórico. Portanto, abre o livro dessacralizando a ciência, expondo-a como uma atividade social, corporificada, situada no tempo e no espaço. A introdução poderia ter como resumo o subtítulo do livro. E termina: “ estamos contando estórias - ricas, detalhadas e, esperamos, precisas - sobre um conjunto de práticas de baixo tom, heterogêneo, situado historicamente, corporificado e profundamente humano. Isso é, estamos fazendo o que agora é considerado como história das ciências” (p. 14)
Poste aqui a sua reação ao Capítulo 1 do livro-texto do nosso curso. As reações para cada capítulo devem possuir aproximadamente 250 palavras (de 225 a 275) e devem exprimir uma experiência pessoal articulada com o texto lido (experiência do autor do livro-texto)
ResponderExcluirO baixar de tom das ciências é como que retirá-la do pedestal onde ela está e interpretá-la como sendo “apenas” mais uma atividade humana, uma das produções humanas. Ao longo do tempo, principalmente após a mudança de paradigma de poder (da religião para a ciência), a ciência adquiriu poder e prestígio, sendo caracterizada como uma atividade desinteressada, neutra, imparcial. Na verdade, ciência e religião não são opostas, não é preciso crer em uma ou em outra. Até porque, esse raciocínio parte do princípio que não é necessário crer na ciência para faze-la. Da mesma maneira que no conceito de Deus, o conceito de conhecimento científico é um no qual é necessário acreditar. O fato de interpretar a ciência como sendo uma produção menos fantástica faz com que seja passível ser estudada através de um viés histórico, social e filosófico, e, a partir desse estudo, compreender melhor seus processos dentro do contexto onde foram produzidos os conhecimentos. O que ficou para mim de mensagem é que o baixar o tom significa desmistificar a ciência.
ResponderExcluirÉ a primeira vez que leio Steven Shapin. Durante o mestrado, muito pouco li ou ouvi sobre suas ideias e, como estou no início da leitura, a primeira coisa que me chamou a atenção foi o próprio título: Nunca pura: estudos históricos da ciência, como se fosse produzida por pessoas com corpos, situadas no tempo, no espaço, na cultura e na sociedade e que se empenham por credibilidade e autoridade. Não conheço Shapin o suficiente para dizer que ele seria um pragmatista ou se ele estaria tentando retratar uma "moderação de tom", uma certa mistura entre filosofia e ciência. Aquela ideia de que a ciência "clássica" seria a verdade endeusada ("A fé pertence ao passado; a Ciência, ao futuro brilhante") por todos está de fato deixando um espaço para histórias da ciências que retratariam uma verdade dependente de um contexto social? Lembro de uma palestra do professor Ivan da Costa Marques, em que ele projetava na tela a passagem de um filme (do qual não lembro o nome), em que o ator principal pergunta para sua pretensa namorada: diga o nome de um objeto, e ela diz, guarda-chuva. O ator então aponta para o céu, e todos nós vemos o guarda-chuva desenhado nas nuvens. Afinal, ali, de fato, tinha um guarda-chuva? A credibilidade estaria baseada em questões sociais com múltiplas formas, afinal, só veria um guarda-chuva quem soubesse o que é um guarda-chuva. Esta transitoriedade da forma me agrada, nada é permanente. Então, será que a verdade e a credibilidade são permanentes? O método científico, o artigo, a palavra, tudo está sujeito a interpretações. Depois que está escrito as palavras não estão mais sob a guarda do autor. Se todos nós vimos um guarda-chuva no céu foi porque havia um consenso social de que aquela forma era de um guarda-chuva, alguém nominou a forma, todos aceitaram e agora identificam a forma como um guarda-chuva. É uma verdade situada, em um tempo específico, a multiplicidade aparecendo de acordo com a transitoriedade da forma. Acho que esta discussão sobre a divisão ontológica entre a ciência e sociedade (e aqui eu quero dizer o "ser" enquanto ser) se arrasta e ao mesmo tempo é um recurso para falar do processo de transição da "escrita" dos historiadores da ciências, como também para trazer para a discussão o processo de mudança e uma análise dos atores e seus conhecimentos situados.
ResponderExcluirEsta é uma reação teste
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirComo primeiro contato com a escrita de Steven Shapin e seus meios de abordagem a um tema, eu posso dizer que tive uma rara fluidez para ler sobre um tema do qual não domino. Tendo momentos em que suas várias formas de abordar o "abaixar do tom" dentro da História da Ciência, me fez reconhecer em minhas próprias experiências uma prática daquilo que ele por outros momentos me fez compreender de forma lógica.
ResponderExcluirTentando desconsiderar uma possível relação da ciência, do divino e da religião nas nossas civilizações anciãs, eu concordei com todos os seus pontos onde a ciência e seus cientistas por muitos momentos foram de modo fantasioso e sem razão tomados como figuras que estavam muito além de um alcance normal -humano. E o quanto por isso, durante minha infância, eu me vi idolatrando tal status caso eu pudesse igualmente desvendar segredos dos quais os "mortais" ainda não haviam encontrado respostas. Porém isto nada mais era do que uma idealização infantil, e que ao longo de muito tempo foi perdendo sua magia ante a noção de que não há um linear entre o que nos torna aptos ou inaptos para descobrir, criar e entender. E que assim como eu, como humana que possui seus defeitos e acertos, não possuo também qualquer elemento que deva me separar (distanciar) dos cientistas. Assim como não há elemento que deva nos separar da noção de que temos a capacidade de alcançar ou ultrapassar suas próprias descobertas. Afinal se houvesse, então estaríamos assim condenando à nós mesmos, o atraso de nossos próximos avanços como espécie.
APRESENTAÇÃO DO CAPÍTULO 01 (Por Edu)
ResponderExcluirA apresentação do Capítulo 01 poderá ser acessada a partir da URL a seguir:
http://bit.ly/2019-2-Cap-01-por-Edu
Para ter acesso à apresentação recomenda-se duas opções:
- selecione a URL acima (ela ficará toda em azul), clique no botão direito do mouse e escolha a opção "Ir até http://bit.ly/2019-2-Cap-01-por-Edu";
ou
- copiar e colar a URL acima ("http://bit.ly/2019-2-Cap-01-por-Edu") em navegador web de sua preferência (Chrome, Firefox, Edge, etc)
A leitura deste capítulo permitiram muitas reflexões sobre a posição do ser humano diante da ciência e da maneira como ela mesma se constitui e se sedimenta ao longo da história com o estatuto verdade inviolável através de seus discursos imperativos que ecoam dentro de uma sociedade, e como se fora algo no contraponto da religião e do senso comum. No entanto, a ciência, como o próprio título da obra de Steven Shapin, nunca é pura! A ciência nunca é isolada de uma subjetividade história, sendo assim, cada evento e invento ela avança de acordo com o desejo de uma coletividade e do impulso de sujeito histórico que direciona o caminho das descobertas. Quando neste primeiro capítulo, o autor propõe “baixar o tom da ciência”, o que se intenta é perceber esse lugar da ciência mais lado a lado aos outros saberes e produções humanas. Tratam da mesma tarefa: dar sentido a existência, prolongar o gozo da vida, criar recursos para sobreviver e marcar o curso para que as próximas gerações desfrutem e aprimorem-se ainda mais a partir de tudo que já fora conquistado, seja pela manutenção de crenças universais - tanto pelo valor dado da ciência quanto da religião – seja pela recriação infinita de novos paradigmas que guiam uma coletividade em dado tempo e cultura como uma voz a ser seguida. Podemos dizer, realmente, que a ciência de razão pura, não tem nada! Prova disto, é o cotidiano do leigo quando envolvido em seus afazeres está mergulhado em leis e princípios que operam sobre a materialidade das coisas, que mesmo sendo ignorados, estão ali presentes. Vide o curandeiro com suas ervas milagrosas e o artista imbuído de uma ciência para sustentar a engenhoca de sua escultura aérea.
ResponderExcluirQuem colocou este comentário? Favor se identificar. Atenciosamente. Edu.
ExcluirBoa noite, Professor Eduardo! Foi eu quem escreveu o comentário acima, Andréa Garcia da Rocha . Não sei como fazer aparecer meu nome.
ExcluirLABORATÓRIOS DE ESTUDOS DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE
ResponderExcluirAluno: Mario Afonso da Silveira Barbosa
Reação ao capítulo 1 do livro “Nunca Pura”
A maioria dos escritores cristãos até a Renascença via tanto a razão quanto as Escrituras como fontes de conhecimento válidas; mas, em geral, eles não consideravam que as duas tinham a mesma autoridade. A filosofia (incluindo o que é chamado de “ciência” agora) era considerada uma “empregada da teologia” e não um empreendimento autônomo com suas próprias credenciais. A Teologia era a “rainha das ciências” ou “a rainha de todo o conhecimento”. Esses estudiosos pensavam que um dos papéis do conhecimento científico era ajudar a explicar as passagens bíblicas que falavam da natureza. A autoridade conferida ao livro da natureza (nome que era frequentemente dado à filosofia) não chegava nem perto da autoridade do livro das Escrituras.
No entanto, segundo Shapin, era um lugar-comum, no final do século XIX e no início do século XX, dizer que a ciência era a nova religião, que havia suplantado o cristianismo, ou ao menos, que o havia sucedido na autoridade cultural de que a religião havia gozado antes. Com isso, os cientistas passaram a se vistos como seres supremos, infalíveis, puros. Por exemplo uma forma de baixar o tom na história da ciência, é mostrar que os cientistas são seres humanos como quaisquer outros, ou seja, comem, dormem, peidam, cometem erros, como todos nós.
Reação Capítulo 1
ResponderExcluirBaixando o tom da ciência
Será que a Ciência é para todos? Será que só fazemos Ciência na Universidade? Já passou da hora de levarmos em conta o conhecimento tácito, as experiências realizadas não necessariamente na universidade. Precisamos entender que a Ciência é para todos, e que o que nos move em uma pesquisa é a busca por uma necessidade, seja ela pessoal, profissional ou filosófica.
Penso que o laboratório deve ser uma proposta de algo sendo realizado além de quatro paredes, a partir da buscas por respostas em lugares que muitas vezes a ciência não chega.
Cito como exemplo o filme “O menino que descobriu o vento”, que apresenta a descoberta da energia eólica em uma comunidade africana escassa de recursos e possibilidades. O filme trata de assuntos como ciência, conhecimento e trabalho colaborativo, nos mostrando que ciência se faz a partir de uma necessidade local, e que a partir da aquisição do conhecimento, uma pessoa é capaz de fazer ciência, permitindo com isso alterar realidades e criar oportunidades.
Ao iniciar uma leitura buscando relacionar Fé e Ciência apresentei uma reação de conflito pessoal, à medida que a temática na humanidade têm uma história de guerras, de conflitos e de tensões e, por isso, algumas pessoas não acreditam na conciliação da Fé e Ciência, meu conflito fica claro a medida que fé e ciência estão presente em nossas vidas, a Ciência me ajuda muito no cotidiano profissional, mas a Fé é determinante nas minhas relações sociais na busca por um viver melhor. Pensar a Fé na relação divina com Deus, na perspectiva do sobrenatural, por questões profissionais faz o conflito ficar latente pela ausência de comprovações científicas realizadas por diversos métodos. A minha formação em Matemática exige a comprovação, utilizo muito a ciência na desmistificação de crenças utilizando conceitos lógicos o que não tenho a coragem de fazer com minha concepção de Fé, bem conflitante a minha relação de Fé e ciência talvez incoerente.
ResponderExcluirBaixando o Tom na História da Ciência: Um Chamado Nobre
ResponderExcluirFé e ciência, há alguma conciliação nessas ideias?
Ao ler o capítulo me pareceu que o autor demonstra um conflito entre a ideia de fé e do conceito de ciência, tendo em vista que, diante de tantos desastres causados pela humanidade, como os diversos conflitos mundiais, fica um pouco complicado criar uma ideia de conciliação desses dois itens. Por outro lado, pessoalmente, ao longo de minha vida, esses dois conceitos, até agora, se fazem presente e, de certa forma, se completam, sim, se completam, pois, imagine estarmos tentando desenvolver um novo produto ou desenvolver uma nova ideia, cremos que iremos obter esse sucesso. Temos fé rumo ao objetivo, seja no lado pessoal como no profissional. Entretanto, nesse último, a questão da fé, pode não ser compreendido plenamente, dando espaço ao primeiro, ciência, como justificativa de seus atos ou sucessos, tendo em vista que, a falta da comprovação científica causará um desconforto no âmbito profissional. Sendo um profissional atuante na área de exatas há a necessidade de que tudo seja comprovado por demonstrações simples ou não, o que nem sempre, na vida pessoal se faz necessário, tendo em vista que temos fé.
O autor inicia o capítulo contando sobre o fato de ter se sentido ofendido por conta de um texto de Wood Allen sobre um certo livro que versava sobre a dieta de Nietzsche, e então ele se questiona sobre os motivos de tal sentimento: seria pela redução do pensamento intelectual sobre alimentação a uma piada, ou por não ter sido ele próprio a fazer a piada, dado não haver espaço para tal no âmbito dos escritos acadêmicos? O autor prontamente nega a segunda hipótese, dizendo não haver problema na oposição humor de inversão X respeitabilidade intelectual. Este tom anedótico do início do texto tem o sentido de exemplificar o que o autor quer dizer com o “baixar o tom”: “tomar algo muito alto e justapô-lo a algo muito baixo” (p. 2), conforme Wood Allen fez e, podemos dizer, Shapin também o faz ao iniciar o texto de forma pouco convencional em termos acadêmicos. Me parece que o autor faz uma relação quase direta entre este baixar de tom e um senso de humor, a possibilidade de rirmos de nós mesmos, enquanto intelectuais (note-se a aproximação citada por ele entre o intelectual e o bobo da corte). Em seguida, o autor discorre sobre a “guerra entre a ciência e a religião”, na qual a valorização da primeira passou pela aclamação de determinados indivíduos (algo curiosamente bastante bíblico). Entretanto, em anos recentes cada vez mais os historiadores da ciência têm se afastado desta abordagem. Ao menos desde a década de 1960, diz Shapin, eles têm se afastado da elaboração de grandes narrativas e passaram a “elevar o tom” de assuntos até então pouco abordados na história da ciência, o que, de outro lado, significa baixar o tom da própria história da ciência. A ciência passa a ser entendida como algo que tem historicidade e pertence a um lugar; ela deixa de ser una e passa a se compreender que existem diversas ciências, que não existe um “Método Científico” singular, coerente e efetivo e que a “Verdade” não é um produto único da ciência. O conhecimento confiável é produzido por pessoas comuns, a ciência nada mais é do que uma prática e o conhecimento científico é produzido e assegurado por performances realizadas a partir de recursos culturais. Neste contexto, se por um lado as características individuais dos cientistas tornam-se irrelevantes, por outro, se a ciência é prática corporificada, a descrição dos hábitos dos cientistas continua tendo sentido, mas um novo sentido. Nas palavras do autor, “as tradições hagiográficas do século dezenove e do início do século vinte corriam em paralelo à insistência de impessoalidade científica. Mas, para nós, muito de tudo isso vem apenas fazendo parte da escrita da ciência como um empreendimento humano de cabo a rabo” (p. 10).
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ResponderExcluirNeste capítulo o autor nos instiga a reavaliar a forma como olhamos os cientistas e também a ciência. Mostra que os cientistas são tão humanos quanto nós. Não há nada de mágico ou mesmo extraordinário, além de muita dedicação do cientista em pesquisar/testar seu experimento. Como era um universo limitado, de acesso a poucos, criou-se a ideia de que a ciência era algo transcendental e que os cientistas eram algo próximo a um deus.
Com seus exemplos de situações cotidianas, vividas por alguns daqueles dedicados a pesquisas e experimentos, percebemos o quanto os estudiosos e cientistas se aproximam dos demais seres.
Depois de ler o capítulo, e graças aos historiadores, entendo como “baixar o tom” a nossa capacidade de perceber que os grandes cientistas, reconhecidos ao longo da história, eram tão humanos quanto todos nós e que a ciência, por não ser acessível a todos, era considerada algo mais extraordinário do que realmente é.
É de fato, a primeira vez que tenho contato com a literatura de Steven Shapin. Entretanto, lendo o capítulo 1, fica evidente que o “baixar o tom das Ciências” que é citado no texto reflete o bom senso como forma de argumentação moderada, ligada estritamente às noções de sabedoria ou razoabilidade que ao longo do tempo a ciência ganha um protagonismo de prestígio e poder, porém “neutra e imparcial” permitindo várias reflexões a respeito da perspectiva humana face à Ciência e Religião, bem como seus discursos acalorados (Ciência x Religião) no decorrer da história.
ResponderExcluirBruno Mussa
ResponderExcluirShapin chama atenção para a ciência no tocante a como ela é elevada a condição de nobreza, sendo a história da ciência a celebração do que permaneceu e se perpetua, como que por acumulação, do que forma a cultura humana. Isso me remete bastante a forma como na divulgação científica estamos frequentemente transmitindo ao público a celebração de mitos e instituições. Trabalho no Museu da Vida - Fiocruz como educador há 12 anos, e sinto que mesmo conscientes desse processo há uma resistência da comunidade institucional muito forte para uma prática mais, digamos, CTS. Ainda promovemos exposições que se dedicam a celebração de personalidades. Como divulgador da ciência com formação em história sinto que é um desafio contar estórias com suas nuances e detalhes, atento a precisões, mas trazendo o espectador visitante a refletir sobre as forças atuantes e o papel da mobilização e engajamento de forças que se aliam e disputam projetos, descreditando uma ideia vazia de progresso inexorável. No Museu da Vida ainda vemos Oswaldo Cruz como um mito da ciência brasileira, Carlos Chagas como gênio descobridor de males nunca dantes vistos, exposições que chamam a uma interação que em muitos casos se resume mais a colocar as mãos em aparatos que funcionam de forma predeterminada para uma “compreensão” da ciências por leigos. Ainda precisamos exercitar o olhar para não levar ao público uma ideia de que dietas e outras excentricidades de cientistas não têm nenhum valor frente a capacidade de engajamento e mobilização.
No primeiro capítulo do livro, Shapin já nos situa sobre o que está por vir e sobre que história ele pretende fazer. Mostra também como é um escritor - já que boa parte da ciência histórica tem que se agarrar na construção dos textos - que nos conduz por determinados caminhos. Se situa como pensador e fala sobre a Guerra das Ciências e os estudos sociais das ciências. Se apoia em Kuhn, Merton, Koyré e alguns outros. Aqui, podemos dizer, está seu embasamento teórico.
ResponderExcluirPortanto, abre o livro dessacralizando a ciência, expondo-a como uma atividade social, corporificada, situada no tempo e no espaço. A introdução poderia ter como resumo o subtítulo do livro. E termina: “ estamos contando estórias - ricas, detalhadas e, esperamos, precisas - sobre um conjunto de práticas de baixo tom, heterogêneo, situado historicamente, corporificado e profundamente humano. Isso é, estamos fazendo o que agora é considerado como história das ciências” (p. 14)